Jorge Ben Jor: 30 anos de “Homo Sapiens”

 

"Homo Sapiens", de Jorge Ben Jor, completa 30 anos de lançamento em 2025.

Lançado em 1995, ”Homo Sapiens” marcou uma fase de consolidação da sonoridade de Jorge Ben Jor nos anos 1990. A obra saiu pela Sony e teve a produção assinada por Pena Schmidt. O disco, que completa 30 anos em 2025, é dançante e mescla MPB, Samba-Soul e Funk, amparado com arranjos extasiados, metais em destaques e as letras que transitam entre o dia-a-dia, o lúdico e o espiritual.

O disco tenta manter a linha evolutiva do trabalho anterior, o excelente “23”, que tem a participação do grupo Trombonada, de Pernambuco, que atua com brilhantismo em diversas faixas.

Homo Sapiens foi o primeiro álbum do artista pela nova gravadora, lançado com uma forte campanha de marketing e altas expectativas comerciais. A gravadora apostou em ampla exposição na mídia, entrevistas, visitas a rádios e uma turnê de grande porte, que começou no Metropolitan, no Rio de Janeiro, com Gloria Gaynor como atração de abertura.

Embora fique distante dos clássicos dos álbuns dos anos 1970, o play apresenta algumas boas canções, como “Abre Alas” e “Gostosa”, em que Jorge aposta no funk-samba contagiante, letra simples e refrão fácil, feita claramente para o rádio e para o palco. O clipe é bem divertido. Ambas tiveram boa circulação nas rádios, enquanto músicas como “Ave Anjos Angeli”, “Musas de Bruxelas” e a faixa-título ajudam a construir o conceito do disco, inspirado em ideias como Homo Ludens e Homo Faber, sempre filtradas pelo olhar particular de Ben Jor.

A faixa-título, “Homo”, impregna o conceito do álbum e reflete o lado mais reflexivo de Ben Jor, sem abrir mão do ritmo. É uma música que mistura filosofia popular, humor e espiritualidade, marcas recorrentes em sua obra. Já “Maria Luiza” apresenta uma atmosfera mais afetiva e melódica, equilibrando romantismo e balanço. 

Enquanto isso, músicas como “Musas de Bruxelas” e “Ubirani Ubiraci” exploram o lado mais lúdico e inventivo do compositor, com letras cheias de imagens e uma base rítmica que dialoga com a Black Music e o Samba-Soul.

Naquele momento, Ben Jor passou a ser promovido como o “rei do pop” ou, como foi dito em uma entrevista na TV Cultura, “rei do refrão”, rótulos que ele sempre encarou com certa distância, lembrando que sua música já tinha essa pulsação muito antes de receber esse nome.

Embora não seja visto hoje como um clássico do porte de “África Brasil” (1976) ou “A Tábua de Esmeralda” (1974), o disco foi bem recebido pelo público (nem tanto pela crítica). Mesmo quando os números não corresponderam às expectativas mais ambiciosas da gravadora, sua carreira seguiu impulsionada por shows sempre lotados, conduzidos com carisma e um repertório que o público canta e dança do começo ao fim.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Homo Sapiens
Intérprete: Jorge Ben Jor
Lançamento: 1995
Gravadora/Distribuidora: Sony
Produtor: Pena Schmidt

Jorge Ben Jor: voz, guitarra, teclados, piano e baixo

Lory César H.P. e Bruno Bona: piano, teclados e arranjos de teclados
J. J. Lucrécio e Skowa: baixo
Eduardo Helbourn e J. Roland: bateria
"Nenén" Guimarães e Ary Dias: percussão
Flavia Kalaf, Adriana Mezzadri e Margareth Rúbio: coral
Sérgio de Souza: metais e arranjos
José Carlos, François, Nahor Oliveira, Walmir Gil e Nailor Azevedo: metais
Samuel Rosa: vocal em "Homo"

1. Ave Anjos Angeli (Jorge Ben Jor)
2. Gostosa (Jorge Ben Jor)
3. Maria Luísa (Jorge Ben Jor)
4. Rabo Preso (Jorge Ben Jor)
5. Gertrudes Bonhausen (Jorge Ben Jor)
6. Homo Sapiens (Jorge Ben Jor)
7. Musas de Bruxelas (Jorge Ben Jor)
8. Little Black Joe's Band (Jorge Ben Jor)
9. Ubirai Ubiraci (Jorge Ben Jor)
10. Café (Jorge Ben Jor)

Por Jorge Almeida

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