Artista coloca o próprio pai em cena como drag para falar sobre homofobia e afeto familiar *
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| Foto meramente ilustrativa. |
O que acontece quando um filho gay, que cresceu em
uma fazenda no interior tentando corresponder às expectativas de masculinidade
impostas pela família e pela comunidade, convida o próprio pai, um homem do
campo, de origem humilde e valores conservadores, a experimentar o universo
drag? É a partir dessa pergunta que o artista brasileiro Danilo
Zocatelli Cesco constrói “Querido Pai”, série fotográfica
que investiga masculinidade, memória, afeto e identidade queer a partir da
relação entre pai e filho.
A exposição será apresentada na Galeria O
Jardim, em São Paulo, reunindo imagens que transformam uma
história íntima de distanciamento, medo e necessidade de aceitação em uma
experiência de encontro, amor e reconciliação. Atualmente, o artista vive em
Londres, onde concluiu seu mestrado em fotografia pelo Royal College of Art, e
retorna ao Brasil para a noite de abertura, que acontece no dia 12 de setembro,
com curadoria de Renato Negrão.
Juventude
queer no ambiente rural brasileiro
Zocatelli nasceu em 1989 e cresceu em Marialva,
Paraná, num contexto rural brasileiro. Durante a infância e a juventude, a
masculinidade ao seu redor era também uma espécie de código de pertencimento
que envolvia jogar futebol, trabalhar na terra, dirigir tratores, frequentar a
igreja e participar das atividades da comunidade. Eram experiências que
deveriam aproximá-lo do universo masculino ao qual ele sentia que não
pertencia.
Mais tarde, ao se reconhecer como queer e encontrar
pertencimento na comunidade drag, surgiu a possibilidade de utilizar justamente
essa linguagem como uma ponte entre os dois.
Em vez de pedir ao pai que compreendesse sua
identidade por meio de uma conversa, Danilo propôs que ele entrasse fisicamente
em seu universo. Diante da câmera, aplicou maquiagem em seu rosto e colocou
nele uma grande peruca, criando uma figura drag a partir daquele homem que
representava, em sua memória, parte das estruturas de masculinidade das quais
ele próprio havia tentado escapar.
“Não se trata de uma tentativa de transformar meu
pai em outra pessoa, porque eu aprendi a amá-lo e entendê-lo como ele é. Eu só
quiz mostrar a ele como pertenço ao mundo e como me sinto”, conta Danilo.
Uma
carta de amor a um pai e uma resposta à homofobia
No centro do projeto está a carta escrita por Danilo
ao pai. Os trechos da correspondência foram transformados nos títulos das
fotografias, fazendo com que cada imagem funcione como parte de uma narrativa
maior.
A carta recupera lembranças difíceis da infância,
incluindo o medo de decepcionar o pai e a experiência de crescer ouvindo uma
palavra usada de forma pejorativa para designar homens gays. Mas também recupera
um momento decisivo, quando Danilo tinha 17 anos e, depois de sua mãe contar ao
pai que ele havia se assumido gay, ouviu dele, pela primeira vez, que era
amado.
Da
intimidade familiar para o circuito internacional
Embora profundamente pessoal, “Querido Pai”
expandiu-se para além da história familiar de Danilo, conquistando presença no
circuito internacional da fotografia contemporânea. A série foi apresentada em
espaços e festivais de destaque, como os Rencontres d’Arles, na França; a
Saatchi Gallery e o Institute of Contemporary Arts (ICA), em Londres; além da
Embaixada do México em Londres, da Embaixada Britânica em São Francisco e do
PhotoBrussels Festival, na Bélgica.
O projeto foi selecionado para o New Contemporaries,
iniciativa anual que, há mais de 70 anos, destaca artistas emergentes no Reino
Unido. Em 2025, foi também selecionado para o Dior Photography and Visual Arts
Award for Young Talents, apresentado na Luma, em Arles, e posteriormente na
Suíça, reforçando sua inserção no cenário internacional da fotografia
contemporânea.
Uma
abertura que coloca corpos dissidentes em cena
A abertura da exposição terá ainda apresentações
de PAVUNAGATOPRETO e Anuby Messias,
duas artistas queers escolhidas a partir de uma convocatória pública da galeria
e que ampliam o diálogo proposto pela exposição para além da experiência
individual de Danilo.
Anuby Messias é multiartista, cantora, cineasta e
performer. Mulher trans, negra e criada na periferia de Guarulhos, desenvolve
trabalhos que atravessam audiovisual, música, performance, transgeneridade e
negritude. Sua produção inclui projetos como “Ira — A Travesti na Escravidão”,
que estabelece uma reflexão sobre identidade negra e trans a partir da história
de Xica Manicongo, reconhecida como a primeira travesti do Brasil.
A participação de PAVUNAGATOPRETO completa a
programação da noite, aproximando a exposição de uma cena contemporânea de
performance que utiliza o corpo como território de expressão, provocação e
resistência.
Serviço
Exposição:
Querido Pai, de Danilo Zocatelli
Curador: Renato
Negrão
Local: O
Jardim, galeria de arte
Endereço: Rua Ilansa, 185, Mooca - São Paulo/ SP
Abertura: 12
de setembro de 2026
Horário: 15h
- 20h
Período
de visitação: 12/09 a 17/10
Abertura
com performances de Anuby Messias e PAVUNAGATOPRETO
Sobre
o artista
Danilo Zocatelli Cesco (1989) é artista brasileiro
radicado em Londres. Sua prática investiga identidade, memória e experiências
humanas por meio de storytelling, livros de artista, fotografia sem câmera,
vídeo, som e escultura. Seus trabalhos atravessam temas como enfermidade,
sistema prisional, crimes de ódio, resiliência queer e reconexões familiares. É
mestre em fotografia pelo Royal College of Art (2024) e teve trabalhos
apresentados em instituições e exposições no Reino Unido, França, Estados
Unidos e outros países.
Site: www.danilozocatelli.com
Sobre
O Jardim, galeria de arte
Fundado por Malu Mesquita e Renato Negrão,
O Jardim, galeria de arte é um centro cultural dedicado à fotografia contemporânea,
localizado na Mooca, em São Paulo, e que reúne galeria, escola, biblioteca,
laboratório analógico e editora, criando um ambiente de encontro, formação e
desenvolvimento de projetos em torno da imagem.
Primeira galeria especializada em fotografia da
região, O Jardim trabalha para aproximar artistas, público e território,
realizando exposições, cursos, oficinas, publicações e projetos em parceria com
instituições do Brasil e do exterior. Sua proposta é valorizar a fotografia
como linguagem artística, ferramenta de memória e forma de diálogo e
transformação social, estimulando a conexão entre diferentes pessoas,
territórios e narrativas.
Site: ojardim185.com
Instagram: @ojardim185
Créditos: Antonio Montano | Vetor.Am
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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