Alice Cooper: 25 anos de “Dragontown”
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| "Dragontown", de Alice Cooper, completa 25 anos de lançamento em 2026. |
Nesta sexta-feira (18), o 15° álbum de estúdio da
carreira solo de Alice Cooper, “Dragontown“,
completa 25 anos. Produzido por Alice Cooper e Bob Marlette, o material saiu
pela Spitfire Records e, assim como o disco anterior, “Brutal Planet” (2000), mantém um estilo de metal mais
pesado. Porém, seu desempenho nas paradas não foi dos melhores, apenas o 197°
lugar da Billboard 200.
Depois do Grunge, o cenário no rock mundial foi dominado pelas
bandas de Nu Metal e toda aquela modernidade do Rock Industrial, bandas como
Linkin’ Park, Blink 182 e Limp Bizkit ganhavam cada vez mais espaço da
molecada. Então, Alice Cooper tentou se adaptar com a nova tendência: primeiro
com “Brutal Planet”
(2000), que é um bom disco, mas não teve o devido reconhecimento. Depois, com “Dragontown”, tentou
incluir em seu som mais elementos industriais, mas o resultado não foi como o
esperado, talvez uma parte disso deve ser atribuída por conta da falta de um
single para divulgar o trabalho.
Mas, como estamos a falar de
Alice Cooper, o álbum apresenta os indefectíveis drives da voz de Titia, que
fica cada vez mais apropriada para interpretar seus (sombrios) temas e as
ótimas guitarras. Mas a obsessão em buscar a modernidade sonora, em algumas faixas,
soa como banda de adolescentes.
O disco abre “Triggerman“, que fala sobre um serial killer, que não
tinha qualquer critério de escolher sua vítima para fazer aquilo que sabe
fazer: matar. Traz um refrão cativante e um rápido solo de guitarra. Mas, a
música peca por conta de a voz de Alice Cooper estar “acobertada” pela massa
sonora. Já em “Deeper“, abre-se com teclados
soando de forma misteriosa, depois aparecem os graves pesados e afinados. A
interpretação de Alice, assim como os backing vocal e o ritmo lento deixam
aquela atmosfera arrepiante. A faixa três é a que dá nome à obra: “Dragontown“, que começa com a guitarra tocando
lentamente, com o vocalista parece querer nos mostrar que estamos apenas no
início de uma viagem horripilante. E, à medida que a guitarra base avança,
chega o refrão cativante. Contudo, o protagonismo aqui é do solo de Ryan Roxie.
Posteriormente, em “Sex, Death And Money“, temos uma
linha de baixo bem vigorosa de Greg Smith e um riff forte no refrão. Alice
Cooper aborda com maestria aquilo que obscurece a alma humana e sua medida
ambiciosa em busca pelo dinheiro, seja em busca de poder ou pelo sexo e, até
podendo chegar ao mistério que envolve morte, enfim, uma abordagem bem
perturbadora. Enquanto isso, em “Fantasy Man“, Alice Cooper
faz uma ode ao machismo e contra todo tipo de frescura. Entre essas coisas
“frescurentas” citados pelo personagem está: não beber chá, não mandar flores,
não passear em galerias, odeia ópera, entre outras coisas. É uma faixa
divertida, com um som nítido da guitarra-base e um refrão carregado de energia
e harmonias vocais idem. Só o solo de guitarra achei insuficiente, pois foram
breves segundos. E o disco chega à metade com “Somewhere In The Jungle“,
que tem na ‘intro’ um pesado riff de guitarra. A música vai ganhando força à
medida em que a guitarra forte vai conduzindo-a até chegar no refrão e, aqui,
temos um Alice Cooper apresentando seu lado de cidadão, preocupado e
questionando os temas sociais.
A segunda parte da obra começa
com “Desgraceland“, que tem um groove que avança lentamente
no decorrer do primeiro verso até um riff de baixo pesado. A música é uma
homenagem (tardia) de Alice Cooper a Elvis Presley, mas aqui ele faz uma
abordagem irônica à mansão de Graceland, onde o Rei do Rock morreu aos 42 anos
e que ficou marcada por conta de o local ser lembrado em virtude de o cantor
entregar-se à dependência de medicamentos. Já em “Sister Sarah“, Alice
deixa claro que, por traz da alma bondosa, generosa e da empatia de “Irmã
Sarah” para os desfavorecidos, existe uma faceta desconhecida. Com um o
andamento mais lento, a música ainda traz harmonias vocais femininas que foram
feitas por Calico, filha mais velha do cantor, mas o refrão não traz muita
inspiração, o que é uma pena. E o álbum apresenta uma balada: “Every Woman Has A Name“, que fala sobre uma senhora que
relembra a juventude através de fotografias do passado. O instrumental é
basicamente um violão e a voz calma de Alice Cooper. Já o Hard Rock se faz
presente em “I Just Wanna Be God“, que parece ter sido um outtake
que sobrou de “Brutal Planet“. A guitarra base faz
muito bem o seu papel até o refrão contundente, mas simplório. Em seguida, em “It’s Much Too Late“, Alice Cooper fala de um cara bom,
que teve uma vida boa, um boa praça, mas que, mesmo assim, estava a caminho do
inferno, pois, ele entrega ao dizer que “a estrada para o inferno está cheia de
caras legais e com boas intenções”, mas que já é tarde demais para se dar conta
de seu erro de avaliação. E, encerrando o tracklist original, “The Sentinel“, um personagem que sofre com seus dilemas
morais, sem estar vinculado a uma religião específica. É uma faixa Hard Rock
bem direto, com guitarra pesada que contribui enormemente na música.
Em 2002, houve uma reedição
limitada a 7.500 cópias do disco, que trouxe um CD bônus com quatro faixas: “Can’t Sleep, Clowns Will Eat Me”, presente na versão
japonesa de “Brutal Planet”, uma versão remixada da própria “Brutal Planet” e dois temas ao vivo: “Go To Hell” e “Ballad Of Dwight Fry”.
O disco tem suas
inconsistências, as melhores músicas, particularmente, acredito que está na
primeira parte do álbum, pois, no restante soa um pouco repetitivo, pelo menos
na parte instrumental, mas liricamente Alice Cooper manteve-se impecável. Não é
um dos meus discos favoritos, mas em vista a tantas coisas que foram lançadas
na época, vale sim o investimento.
A seguir, a ficha técnica e o
tracklist da obra.
Por Jorge Almeida

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