"Respostas prontas funcionam apenas para tornar o humano cheio de preconceitos", afirma escritor *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Na entrevista abaixo, Fernando Cunha, autor de "O Dilema do Basilisco", convida a avaliar as atitudes da humanidade em um mundo cada vez mais rápido e materialista
Em um mundo que parece ter normalizado a competição,
a rapidez, o sofrimento e a ansiedade, Fernando Cunha provoca
as pessoas a pararem e refletirem sobre os caminhos que estão sendo trilhados
pela sociedade. Autor de O Dilema do Basilisco, uma obra filosófica que
parte da pergunta “por que a humanidade não deve ser extinta?”, ele busca
romper com a visão individualista do mundo para mostrar como alcançar objetivos
materiais sozinho não tem significado.
No enredo, um
personagem não identificado é
“Respostas prontas não funcionam com o ser humano,
apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da
certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso
flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem
ele é pelo espelho do protagonista”, explica ele.
Confira abaixo a entrevista completa:
1.
A ideia de colocar a humanidade diante de uma inteligência artificial que
decide seu destino parte de um dilema filosófico bastante conhecido. Como o
Basilisco de Roko se insere no seu romance?
Fernando Cunha: O Basilisco
de Roko representa uma inteligência artificial soberana que controla
todos os recursos e teoricamente poderia retaliar aqueles que não contribuíram
para sua formação. Apesar do aspecto maligno e destrutivo sugerido pelo
experimento mental, o Basilisco é apresentado no prólogo como uma entidade que
pergunta e observa, sem interferência, com o potencial de julgar toda a
humanidade num piscar de olhos. Nesse contexto, a ideia do Basilisco se junta
ao seu conceito original de ser um monstro mitológico cujo olhar petrifica o
alvo. O protagonista se apresenta para responder à pergunta diante da
inteligência onipotente e onisciente.
2.
O livro parte de uma pergunta profunda: "Por que a humanidade não
deve ser extinta?". Na sua perspectiva, qual a importância de pensar
sobre esse tema no mundo em que vivemos?
F.C.: A pergunta sobre a possibilidade de
extinção é provocadora porque no dia a dia não temos o costume de avaliar como
as nossas atitudes impactam a vida dos outros. Somos pressionados por um mundo
rápido e materialista a pensar que somos especiais frente aos outros, e isso
nos gera ambição, ansiedade e sofrimento. A pergunta tem um condão de machucar
a visão individualista perpetuada nos dias de hoje pela necessidade de
enriquecimento rápido e realizações sociais comparativas, substituindo-a pouco
a pouco por uma visão mais integradora, reconhecendo que um “eu” sozinho que se
destaca não significa nada.
3. O
protagonista não tem nome. Existe um significado para essa
F.C.: A falta de identidade do protagonista é
um dos pilares da obra. O fato de ele não ter identidade faz com que o leitor
queira preenchê-la por conta própria. Ora o leitor se sente no papel dele, ora
no papel do ouvinte Basilisco. Uma importante lição dessa escolha do autor é
que o apego à identidade também é uma possível fonte de sofrimento.
4. O
contato com o budismo também ocupa um lugar importante na sua trajetória. Como
essa filosofia atravessa a construção do romance?
F.C.: A sabedoria budista talvez seja o
principal pano de fundo de O Dilema do Basilisco. O livro é sobre alguém que
precisa responder uma pergunta diante do absoluto incompreensível. É exatamente
isso que fazemos quando nos enveredamos para áreas como filosofia,
espiritualidade e autoconhecimento. O protagonista pode representar cada um na
sua jornada de evolução. Cada um tem seu próprio Basilisco para olhar nos olhos
e dar a resposta que ele espera. Quando a resposta esgota todo o sofrimento,
abre-se espaço para luz e felicidade. No fundo, o livro é um processo de
iluminação (nirvana).
5.
Em vários momentos, ciência e espiritualidade dialogam na
narrativa. De que maneira esses campos se complementam?
F.C.: Ciência e espiritualidade são maneiras
diferentes de se buscar a verdade. Mas no livro, para encontrar a verdade é
preciso destruir (ou pelo menos provocar) as verdades pessoais convencionais.
Os capítulos provocam as certezas que formamos ao longo da vida e das
experiências humanas. Dessa forma, a mente rejuvenesce para uma mente infantil,
ávida por descobertas. A mente curiosa pode remover os obstáculos dos nossos
preconceitos para conseguir enxergar a verdade-última, aquela que realmente dá
o sentido de todas as coisas.
6.
Em vez de oferecer respostas definitivas, a obra apresenta perguntas. O
que você espera provocar no leitor ao final da leitura?
F.C.: A ideia de não trazer respostas é a
grandiosidade da obra. Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas
funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da
certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso
flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem
ele é pelo espelho do protagonista. O objetivo é provocar no leitor uma quebra
de identidade, de apego e de agarramento ao “em si”, para que ele nasça
novamente num caminho de compaixão e sabedoria.
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Sobre
o autor: Fernando Cunha é bacharel em Química e Engenharia
de Produção e mestre em Engenharia Mecânica. Seu primeiro livro foi Metrologia e
Incerteza em sua Essência, uma referência técnica na área de
metrologia para laboratórios de ensaio e calibração. Porém, após um profundo
contato com práticas budistas, despertou interesse na filosofia e nos dilemas
humanos, com atenção especial à literatura budista. Em O Dilema do
Basilisco, o autor convida o leitor a atravessar uma espiral de
autoconhecimento e transformação, em que razão e intuição se encontram para
lançar novas luzes sobre o sentido da existência humana.
Instagram: @fernando.cunha.
Site: https://www.
Créditos: Maria Clara Menezes | LC Agência de Comunicação
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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