Red Hot Chili Peppers: 15 anos de “I’m With You”
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| "I'm With You", do Red Hot Chili Peppers, que completa 15 anos de lançamento em 2026. |
Após um hiato de cinco
anos sem lançar material desde “Stadium
Arcadium”, a banda californiana voltou aos estúdios em um novo capítulo de
sua história: uma nova formação, por conta da segunda saída do guitarrista John
Frusciante, que foi substituído por Josh Klinghoffer, um músico chegado de
Frusciante e que já conhecia a banda por ter participado da turnê do disco
anterior.
Sem um dos integrantes
mais amado pelos fãs, a expectativa era enorme a respeito do novo álbum, pois
pairava a dúvida se o novo material soaria como uma influência de Frusciante,
seja da forma de tocar, riffs e capacidade de criar melodias que corroboraram
com a sonoridade da banda, mas o que se viu foi justamente ao contrário: a
ausência do estilo Frusciante praticamente em todas as faixas, mas manteve os
elementos do Funk Rock que seguem o grupo desde o início, porém, acrescido de
referências de Disco, Pós-Punk, Afrobeat, música latina e eletrônica e Rock
Alternativo. E, em “I’m With You”, os
vocais de Anthony Kiedis são soberanos nas faixas, uma vez que, em determinadas
faixas, ele dividia os vocais com mais frequência com John Frusciante, enquanto
Chad Smith manteve a sua precisão rítmica de sempre e o baixo de Flea ganhou
ainda mais destaque.
O play começa com “Monarchy Of Roses”, que logo de cara
traz uma sonoridade diferente daquela que muitos esperariam dos Chili Peppers,
misturando rock e disco em uma construção moderna e dançante, com arranjos mais
próximos do pop. Esse atributo fica evidente ao longo do disco. “Factory Of Faith”, a faixa seguinte, é
um dos melhores exemplos. Grudenta e frenética, a faixa recupera o Funk Rock que
sempre foi uma das características da banda e prontamente se sobressai pelo
baixo de Flea. É uma música que não são necessárias grandes demonstrações
instrumentais para funcionar: sua eficácia está no ‘groove’ e na interação
entre baixo, bateria e vocal. Já o terceiro tema, “Brendan’s Death Song”, parece traduzir de maneira emocional a situação
que a banda passava na época. Com arranjo melancólico e poderoso, a música
apresenta uma interpretação mais sentimental e contida de Kiedis, ao mesmo
tempo, é em canções dessa estirpe que a ausência de John Frusciante é mais
perceptível. A guitarra e os backing vocals que poderiam ampliar a dimensão
emocional da composição simplesmente não estão ali.
Posteriormente, em “Ethiopia”, o grande destaque está, mais
uma vez, no baixo de Flea, porém, desta vez, seguido por uma escolha rítmica
incomum: a utilização de um riff em compasso 7/8. É um dos momentos em que a
obra consegue realmente surpreender. Já em “Annie Wants A Baby” é abordado sobre desejo, perda, maternidade,
mortalidade e esperança, tendo o nascimento como símbolo de continuidade diante
da morte. Melodicamente, destaca-se pelo vocal contido e quase confessional de
Anthony Kiedis, pela guitarra de Josh Klinghoffer, que funciona como uma
segunda voz, e pelo baixo melódico de Flea. Já “Look Around” mantém o mesmo padrão das duas primeiras faixas, pois aproxima
a nova formação de uma sonoridade mais familiar. A música é direta, contagiante
e resguarda a energia característica do grupo. Ao lado de “Factory Of Faith”, mostra que a saída de Frusciante não significava
essencialmente o abandono do funk rock. E o álbum chega à metade com aquela que
foi o seu primeiro single: “The
Adventures Of Rain Dance Maggie”, nela, o grupo aplica uma fórmula mais
pop. A faixa tem energia, ritmo e um refrão grudento, mas não possui o mesmo
impacto instrumental de alguns dos grandes singles da banda. Ainda assim, concebe
bem a finalidade de apresentar o novo Red Hot Chili Peppers de maneira
acessível, sem partir completamente com o passado.
A segunda parte da obra,
começa com a influência latina surgindo forte em “Did I Let You Know”. Os trompetes dão à música um clima ensolarado
e particular, afastando-a do padrão mais previsível do Funk Rock. A faixa
também teve uma recepção especialmente positiva no Brasil e chegou a ser
lançada como single no país. A faixa nove é “Goodbye
Hooray”, que fala de uma despedida com tom irônico, desafiador e
libertador, associada à superação de uma relação ou situação desgastante.
Musicalmente, ela dosa agressividade e groove, tratando a melodia de forma
predominantemente rítmica. Na sequência, o piano
também ganha protagonismo em “Happiness
Loves Company”, acrescentando uma dinâmica diferente à composição. A
escolha robustece uma tendência atual em todo o álbum: em vez de fazer da
guitarra o único centro melódico, a nova formação abre espaço para teclados,
percussões e diferentes texturas. Já em “Police
Station”, apresenta velocidade e do funk característicos do grupo, a música
é contemplativa, melódica e introspectiva. É como se o quarteto diminuísse o
ritmo para olhar para a própria história. Depois, talvez, um momento mais
revelador da disposição do grupo para experimentações esteja em “Even You, Brutus?”. Piano, mudanças
harmônicas e uma atmosfera distante do balanço frenético habitual fazem da
música uma das experiências mais interessantes do disco. Há nela uma
aproximação com a tradição da Motown, mas filtrada pela personalidade dos Chili
Peppers.
Na reta final de “I’m With You”, ainda tem “Meet Me At The Corner”, que continua
esse caminho mais suave. É uma composição marcada pelo caráter melódico e por
uma atmosfera mais íntima. E, para encerrar, “Dance, Dance, Dance” retoma elementos latinos e oferece uma
conclusão leve para um álbum construído sobre mudanças.
Quanto à performance de
Josh Klinghoffer, ele teve todo o mérito por não querer tentar soar como John
Frusciante. Embora tenha atuado de forma mais discreta, ele contribuiu para uma
nova sonoridade para a banda, sem aqueles riffs e solos memoráveis que John trazia,
mas ele atuou com mais texturas, intervenções melódicas e arranjos, o que funcionou
bem em boa parte do trabalho, mas em outros momentos, ficou aquela sensação de “falta
algo”.
Quanto à obra, não chega a
ser um “Blood Sugar Sex Magik” ou “Californication”, mas é um trabalho honesto,
que culminou com excelentes canções e que comprova que havia fonte criativa e
inspiradora sem Frusciante. Para escutar o play com frescor, a melhor forma é
ouvir sem comparar com outros álbuns do RHCP, afinal, trata-se de um trabalho
de recomeço.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Álbum: I'm
With You
Intérprete: Red
Hot Chili Peppers
Lançamento: 26
de agosto de 2011
Gravadora/Distribuidora:
Warner Bros.
Produtor: Rick
Rubin
Anthony
Kiedis: voz
Flea:
baixo, piano e backing vocal
Chad
Smith: bateria
Josh
Klinghoffer: guitarra, backing vocal, teclados, sintetizador e
baixo de seis cordas em "Happiness
Loves Company"
Mauro
Refosco: percussão (exceto em "Brendan's
Death Song", "Goodbye
Hooray" e "Meet Me At The Corner")
Lenny
Castro: percussão em "Brendan's
Death Song", "Goodbye
Hooray" e "Meet Me At The
Corner" e percussão adicional em "Monarchy Of Roses", "Factory
Of Faith”, "Ethiopia",
"Even You Brutus?" e "Dance, Dance, Dance"
Greg
Kurstin: piano em "Goodbye
Hooray", "Police Station"
e "Even You Brutus?"
Money
Mark: órgão Hammond B-3 em "Look
Around"
Mike
Bulger: trompete em "Did I Let
You Know"
1. Monarchy Of Roses (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
2. Factory Of Faith (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
3. Brendan's Death Song (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
4. Ethiopia (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
5. Annie Wants A Baby (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
6. Look Around (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
7. The Adventures Of Rain
Dance Maggie (Kiedis / Flea / Smith /
Klimghoffer)
8. Did I Let You Know (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
9. Goodbye Hooray (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
10. Happiness Loves
Company (Kiedis / Flea / Smith /
Klimghoffer)
11. Police Station (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
12. Even You Brutus? (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
13. Meet Me At The Corner (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
14. Dance, Dance, Dance (Kiedis / Flea / Smith / Klimghoffer)
Por Jorge Almeida

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