Patrocínio é cada vez mais sobre pertencimento e menos sobre visibilidade, por Adauto Gudin*

 

Foto meramente ilustrativa.

A primeira corrida oficial do Iron Maiden no mundo, marcada para 10 de outubro de 2026, em São Paulo, é exemplo de uma transformação em curso no mercado de patrocínios. A Run For Your Lives integra as comemorações dos 50 anos da banda e, segundo informações divulgadas após a abertura das inscrições, mais de 50% das vagas haviam sido vendidas no dia seguinte. Esse dado vale mais do que simples audiência. Ele demonstra mobilização. São fãs dispostos não apenas a acompanhar a banda, mas a comprar uma inscrição, sair de casa e participar de uma experiência ligada a uma relação construída durante décadas. É por isso que acredito que o patrocínio será cada vez mais sobre pertencimento e menos sobre visibilidade. Alcance, impressões, visualizações e mídia espontânea continuam importantes, mas não explicam sozinhos o valor de uma propriedade. Mostram contato, mas não necessariamente relação ou participação.

Patrocínio é uma disciplina ligada à experiência. Sua força está na possibilidade de uma marca participar de forma legítima de uma paixão ou de um ambiente que já conecta pessoas. Essa evolução também deve mudar a forma como as empresas estruturam seus investimentos. Concentrar grande parte da verba em poucas propriedades significa também concentrar risco. Um projeto pode entregar audiência e, ainda assim, não gerar os resultados estratégicos esperados. Uma inteligência de patrocínio mais desenvolvida tende a trabalhar com portfólios diversificados, distribuindo investimentos entre diferentes propriedades, territórios e comunidades. Isso não significa abandonar grandes projetos, mas deixar de usar apenas o tamanho como critério de relevância.

Nesse ambiente, o gestor de patrocínios passa a atuar cada vez mais como um curador de propriedades. Sua função é entender objetivos, públicos e territórios para selecionar projetos com maior aderência à estratégia da empresa, apoiado por dados. Do outro lado, os detentores de direitos também precisam evoluir. Não basta apresentar uma boa ideia, estimativa de público e promessas de exposição. É preciso conhecer a própria comunidade e oferecer dados sobre perfil, comportamento, interesses, recorrência e capacidade de mobilização.

Quanto melhor a inteligência de dados de uma propriedade, mais condições ela terá de demonstrar valor e ajudar o patrocinador a decidir. Artistas, atletas, clubes e organizações com comunidades fortes passam a carregar um potencial de patrocínio cada vez maior. A corrida do Iron Maiden materializa esse movimento. A comunidade já existia; a nova propriedade nasceu a partir dela. Talvez esteja aí uma das principais diferenças entre simplesmente ter audiência e construir uma propriedade relevante de patrocínio. Visibilidade tem valor. Mas pertencimento, participação, dados e relacionamento são ativos cada vez mais importantes para o futuro do setor.

*Adauto Campos é presidente da Associação Patrocínio Brasil (APBR).

Agradecimentos: Ana Penteado | Amazonas Comunicação

** Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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