Motörhead: 40 anos de "Orgasmatron"
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| "Orgasmatron", do Motörhead, completa 40 anos de lançamento em 2026. |
Neste domingo (9), o oitavo disco do Motörhead, “Orgasmatron”, chega ao seu 40° aniversário de lançamento. Gravado ao longo de 1986 no Master Rock Studios, em Londres, o álbum foi lançado pela GWR Records e produzido por Bill Laswell e Jason Corsaro. Esse foi o primeiro disco inteiro da banda lançado como quarteto (em “No Remorse”, de 1984, os quatro integrantes tocaram apenas as faixas inéditas da coletânea e no single de “Killed By Death”, também de 1984), além de ter sido o único álbum completo a ter Peter Gill nas baquetas.
Após a saída de 2/3 da formação clássica, em
1982, e a tentativa de inovar, o grupo chegou a lançar uma coletânea dupla – a
citada “No Remorse”, de 1984 – com uma faixa inédita entre um
dos lados, mas, em 1986, o grupo voltou a lançar um disco de estúdio depois de
um hiato de três anos
Depois de deixar a Bronze Records em más
condições, o Motörhead continuou em turnê sem o benefício de um contrato com
uma gravadora, apesar de ser citado como uma influência chave para o subgênero
thrash metal que estava se tornando popular entre os fãs de heavy metal em
meados dos anos 1980.
Depois que o processo em andamento com sua
antiga gravadora foi resolvido em seu favor, o Motörhead e sua gerência criaram
sua própria gravadora GWR (Great Western Road) para lançar sua música.
O álbum “Orgasmatron” foi
produzido pelo compositor e músico independente Bill Laswell, que já havia
produzido atos tão variados quanto Herbie Hancock, Mick Jagger e PIL. O álbum
foi gravado em onze dias no Master Rock Studios em Londres. O novo disco trouxe
o Motörhead de volta aos trilhos após “Another Perfect Day” (1983), que foi aclamado pela
crítica, mas comercialmente malsucedido.
O resultado apresentado pelo produtor não
agradou Lemmy, que disse em sua autobiografia: “No fim das contas, Bill era bom
para conseguir sons, mas ele ferrou com tudo na mixagem. Foi um álbum muito
melhor quando ele o levou para Nova Iorque do que quando ele o trouxe de volta.
Foi terrível. ‘Orgasmatron’ era uma lama“. O guitarrista Phil
Campbell, no documentário do Motörhead, “The Guts and The Glory”
(2005), lamentou ao dizer que “Acho que a produção nos
decepcionou em Orgasmatron. As músicas eram realmente boas. Colocamos muito
esforço nas músicas“. O guitarrista ainda disse que Laswell tentou
fundir “sons do início do Hip-Hop” com a música da banda e que não deu certo.
Inicialmente, a obra se chamaria “Ridin’ With The Driver”, que também dá nome a uma das
faixas, contudo, posteriormente mudaram o nome para “Orgasmatron”,
o que, evidentemente, a troca do título do play veio tardiamente para que fosse
providenciada uma nova imagem para a capa, então, acabou sendo usada mesmo a
imagem do trem, que fora previamente escolhida.
O play começa com “Deaf
Forever“, que apresenta um riff frenético e repetitivo durante as
estrofes, mas é uma Rock And Roll bem vigoroso e um solo bem legal. Em seguida,
o baixo distorcido de Lemmy dá as caras em “Nothing Up My Sleeves“,
que é mais acelerada que a anterior, mantendo a fúria, com batidas rápidas e
riffs certeiros, seria melhor que os caras que tivessem começado o álbum com
essa. Mas, Lemmy pode tudo. O terceiro tema é “Ain’t My Crime“, uma
música veloz e que possui uma pegada mais Punk. Em seguida, aparece “Claw“, que traz o protagonismo de Pete Gill
distribuindo “pancadas” em sua bateria na introdução e, depois, é “pedrada na
orelha” na faixa rápida e com riffs aglutinantes. E o disco encerra o lado A
com “Mean Machine“, que é curta e direta, outra “pedrada”
que é rápida e que, infelizmente, é a mais curta da obra, possui menos de três
minutos.
O lado B, dos tempos do vinil, vinha com “Built For Speed“, logo de cara, que difere um pouco das
faixas anteriores, pois, tem um estilo Hard Rock dos anos 70, o que não
significa que seja ruim, muito pelo contrário, é uma baita música. Depois, a
citada “Ridin’ With The Driver“, mais uma com pegada Punk Rock
e com velocidade bem latente. Aliás, o Motörhead é uma das poucas bandas que têm
know-how de ir para o Punk Rock para o Hard Rock até chegar ao Heavy Metal em
um mesmo disco e manter a qualidade nas três vertentes, não é mesmo? Mas,
seguindo aqui, a penúltima faixa da obra é “Doctor Rock“, que
sem soar redundante por conta do título, apresentar o lado rocker do grupo. E,
para encerrar, o carro-chefe da obra, a sua faixa-título (OK, conheci primeiro
a versão feita pelo Sepultura), mas que aqui é mais arrastada do que o cover
feito pela banda brasileira e o Motörhead chega próximo ao Doom Metal, uma
inovação para a banda na época. E, ao contrário do que muita gente pensa, Lemmy
não escreveu “Orgasmatron” por conta da máquina de indução ao orgasmo
que surgiu no filme futurístico “Sleeper” (1973), de
Woody Allen, mas sim é referente a três coisas que ele, Lemmy, mais odiava na
vida – religião organizada, política e guerra. A música foi regravada em 2000 e
ficou disponível na internet para download intitulada como “Orgasmatron 2000” e, posteriormente, foi inserida no
box-set de cinco CD’s da banda, o “Stone Deaf Forever!”
(2003).
A bela capa da obra traz a assinatura de Joe
Petagno, que fez outras mais 16 capas para o Motörhead. Como fora dito acima, o
título provisório do álbum era “Ridin’ With The Driver”
e mais tarde alterado para “Orgasmatron”, ou
seja, era tarde demais para Joe Petagno mudar a arte da capa e o desenho do
trem foi usado.
Na turnê de “Orgasmatron”, a
banda mais uma vez tentou acompanhar o popular equipamento de iluminação de
bombardeiro que eles usaram por anos em seus shows ao vivo com uma “máquina
Orgasmatron”, mas o suporte – como o suporte de punho de ferro gigante da turnê
de “Iron Fist” – foi um desastre, pois não poderia
colocá-lo na maioria dos locais que a banda ia tocar.
Em 1996, a Castle Communications relançou o
álbum com três faixas bônus (duas ao vivo e uma versão alternativa de “Claw“). Já em 2006, a Sanctuary Records editou uma
versão Deluxe com dois CD’s. Porém, no CD 1, não tem as três faixas bônus, e
sim as nove faixas do lançamento original. Contudo, o CD 2 começa com essas
faixas e, em seguida, mais 11 temas tocados ao vivo pela BBC Radio 1 de uma
apresentação do grupo no Kerrang! Wooargh Weekender, em Caister, na Inglaterra
em 13 de outubro de 1984.
Esse disco pode não ser tão assertivo quanto “Ace Of Spades” (1980), mas figura no rol pela sua
importância no momento pelo qual a banda passava.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist
(versão de 2006) da obra.
Por Jorge Almeida

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