Motörhead: 20 anos de “Kiss Of Death”

 

"Kiss Of Death", do Motörhead, completa 20 anos de lançamento em 2026.

O 18º disco de estúdio do Motörhead, “Kiss Of Death“, completa 20 anos neste sábado, 29 de agosto. Gravado ao longo de 2006 no Paramount Studios e no NRG, ambos em Hollywood, e também no Maple Studios, ambos na Califórnia, o disco foi lançado pela SPV/Steamhammer e também saiu pela Sanctuary. A produção ficou a cargo de Cameron Webb, que também assinou a produção do disco anterior dos caras.


Depois de terem lançado o ótimo “Inferno” (2004), considerado por muitos como o melhor álbum do Motörhead pós-fase clássica (aquela com Lemmy, Eddie “Fast” Clarke e Phil “Philty Animal” Taylor), a formação vigente da banda na época, ou seja, Lemmy Kilmister (claro), Phil Campbell e Mikkey Dee manteve a pegada do trabalho anterior e, se vacilar, até mais pesado e apresenta as clássicas tijoladas na orelha que vagueiam sem dó e nem piedade, indo do Hard Rock, Heavy Metal, Punk e até Blues, enfim, toda aquela fórmula que fazia (e ainda faz, pois o legado é eterno) que Lemmy e seus comparsas fossem respeitados por todos nas mais variadas vertentes do Rock.


Musicalmente, “Kiss Of Death” mantém o padrão Motörhead de sonoridade: o vocal inconfundível e o Rickenbacker sujo e distorcido de Lemmy Kilmister e as performances competentes e impecáveis de Campbell nas guitarras e Mikkey Dee nas baquetas sempre galgado com as temáticas típica do grupo: sexo, virilidade masculina e diversão.


Bom, como o Motörhead (assim como o AC/DC e os Ramones) praticamente fizeram um “disco só” (ainda bem), se é que me entende, se fizermos um faixa-a-faixa aqui pode até soar um tanto quanto repetitivo e, reconhecer algo diferente em relação aos trabalhos anteriores, seria uma prazerosa “perda de tempo”. Mas algumas faixas em particular chamam atenção por conta de seus convidados especiais ou, ligeiramente, tem um ou outro diferencial. São várias faixas excelentes, mas destaco algumas, como “God Was Never On Your Side“, uma balada que tem a presença do guitarrista CC DeVille, do Poison, por exemplo, além do backing vocal adicional de Zoltán “Zoli” Téglás, que teve uma breve passagem pelo Pennywise; o Blues pesado de “Under The Gun” (como esse título tem se tornado comum em canções, particularmente de cabeça já me recorde de duas homônimas, uma do Kiss e outra do Deep Purple), mas aqui a faixa tem a participação de Mike Ibanez (sim, o baixista que tocou com Ozzy Osbourne) e, claro, a música tem dois baixos. E também os rockões indefectíveis como em “One Night Stand“, “Devil I Know” e “Christine“, que seria a garota interessante que Lemmy encontrou por suas andanças? Será que é a mesma “Christine Sixteen“, que Gene Simmons assediara 29 anos antes em “Love Gun” (1977)? Já pensou? Se for, pelo que a música diz, ela tornou-se uma milf bem interessante e ainda Lemmy faz crossover ao mencionar o seu “ás de espada” – não preciso dizer do que se trata, né? Enquanto isso, a sacana “Be My Baby” é um claro convite para a champola para “submergir a ave palmípede”, ou seja, uma linguagem bem inapropriada para essa geração “que não paga boletos” e que problematiza tudo.


O álbum foi lançado com duas faixas bônus, porém, cada uma em versões separadas: enquanto a edição da Sanctuary traz uma versão atualizada de “R.A.M.O.N.E.S.“, regravada com Mikke Dee na bateria, a edição em digipack da SPV apresenta uma versão de “Whiplash“, do Metallica. Fico a imaginar como Lars Ulrich e James Hetfield devem ter ficado ao ver o seu ídolo gravar uma música sua.


Sim, “Kiss Of Death” pode não ser tão seminal como “Overkill” (1979) ou um “hors-concours” como “Ace Of Spades” (1980), mas é um trabalho de respeito de uma banda de estilo único, que nunca se aderiu aos modismos e sempre manteve o peso e honesta consigo mesma e com seus fãs. Só vale lamentarmos que, fisicamente, o Motörhead se foi junto com Lemmy Kilmister no fatídico 28 de dezembro de 2015.


A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.


Álbum: Kiss Of Death
Intérprete: Motörhead
Lançamento: 29 de agosto de 2006
Gravadora/Distribuidora: SPV/Stemhammer / Sanctuary
Produtor: Cameron Webb


Lemmy Kilmister: voz e baixo
Phil Campbell: guitarra
Mikkey Dee: bateria


CC DeVille: solo de guitarra em “God Was Never On Your Side
Mike Inez: baixo adicional em “Under The Gun
Zoltán “Zoli” Téglás: backing vocal adicional em “God Was Never On Your Side

1. Sucker (Kilmister / Campbell / Dee)
2. One Night Stand (Kilmister / Campbell / Dee)
3. Devil I Know (Kilmister / Campbell / Dee)
4. Trigger (Kilmister / Campbell / Dee)
5. Under The Gun (Kilmister / Campbell / Dee)
6. God Was Never On Your Side (Kilmister / Campbell / Dee)
7. Living In The Past (Kilmister / Campbell / Dee)
8. Christine (Kilmister / Campbell / Dee)
9. Sword Of Glory (Kilmister / Campbell / Dee)
10. Be My Baby (Kilmister / Campbell / Dee)
11. Kingdom Of The Worm (Kilmister / Campbell / Dee)
12. Going Down (Kilmister / Campbell / Dee / Todd Campbell)
Faixa Bônus (versão Sanctuary):
13. R.A.M.O.N.E.S. (versão 2006) (Kilmister / Cambpell / Würzel / Taylor)
Faixa Bônus (versão SPV/Steamhammer):
13. Whiplash (Hetfield / Ulrich)

Por Jorge Almeida 

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