Deep Purple: 30 anos de “MK III: The Final Concerts” ou “Archive Alive”

 

"MK III: The Final Concerts" ou "Archive Alive", do Deep Purple, completa 30 anos de lançamento em 2026.

No último dia 5 de agosto, o álbum duplo ao vivo “MK III: The Final Concerts”, do Deep Purple, completou 30 anos de lançamento. Contudo, em alguns mercados, o lançamento ocorreu em 16 de agosto do mesmo ano e também intitulado “Archive Alive”. O material traz um compilado de duas apresentações que a banda fez em abril de 1975 em Paris e em Graz (na Áustria). O play saiu pela Connoisseur Collection (como “Mk III: The Final Concerts”) e pela Navarre (como “Archive Alive”).

Na época, o Deep Purple promovia a turnê europeia de “Stormbringer” e, sem os demais integrantes e fãs soubessem, eram as últimas apresentações da formação conhecida como MK III – Blackmore, Coverdale, Hughes, Lord e Paice -, pois, Ritchie Blackmore articulava “por baixo dos panos” a sua saída do grupo e formar o que viria a ser o seu Rainbow.

No entanto, o clima entre eles já não era dos melhores, tanto que o staff, talvez por precaução, resolveu gravar aquelas apresentações como uma espécie de “registro de segurança”, caso o grupo chegasse ao fim. As apresentações aconteceram no Eishalle Liebenau, em Graz, na Áustria, em 3 de abril de 1975 e, quatro dias depois, no Palais des Sports, em Paris.

O CD duplo começa de forma excepcional com “Burn”, que nunca fica ruim e, claro, com o desempenho absurdo de toda a banda, especialmente Hughes na sua parte vocal. Outro petardo que merece atenção é “Lady Double Dealer”, pois, o quinteto tem um desempenho forte e um inspiradíssimo Jon Lord (essa versão é melhor do que a do “Made In Europe”). Enquanto isso, “The Gyspsy” traz mais peso e soa mais atraente ao vivo do que a versão de estúdio.

Mas, sem dúvidas, o ponto alto do play é “Mistreated”, a interpretação de Blackmore é intensa, emotiva e cheia de originalidade, mesmo com alguns pequenos deslizes, que acabam contribuindo para a sensação de espontaneidade da apresentação. David Coverdale também apresenta uma performance vocal marcante, despontando a força que já demonstrava nos shows ao vivo. 

E, antes de iniciarem a obrigatória “Smoke On The Water”, os caras fizeram uma breve jam de “Lazy”, mas curiosamente, o eterno hino da banda, aqui, é tocado em um ritmo excessivamente rápido e perde parte da energia característica da composição. As versões de “You Fool No One” (que aparecem tanto no CD 1 quanto no CD 2) mostram outro lado da banda. A faixa possui longas improvisações e momentos atraentes, mas o interminável solo de bateria de Ian Paice, que reproduziu trechos de “The Mule” no primeiro CD, pode tornar a audição cansativa. A versão alternativa gravada em Graz é particularmente curiosa, pois não apresenta o tradicional solo de bateria anunciado por Coverdale, que foi limado na edição do play. Durante a introdução dessa música, Blackmore ainda inclui riffs de “Still I'm Sad” e “Man On The Silver Mountain”, que futuramente estariam presentes no atemporal “Ritchie Blackmore’s Rainbow” (1975).

Nas músicas mais antigas do Deep Purple, porém, o resultado é menos convincente. “Space Truckin'” possui boas improvisações, incluindo uma breve referência a “Child in Time”, mas apresenta alguns problemas sonoros e vocais. “Highway Star” aparece de forma arrebatadora, mas o gogó de Coverdale não estava tão inspirado quanto aos demais, mas que não compromete a performance. 

Em suma, “MK III: The Final Concerts” é um documento importante da última fase da formação MK III e apresenta uma banda talentosa, mas já marcada por certa tensão interna. Apesar de alguns problemas técnicos, vocais e de edição, o álbum possui momentos de grande qualidade. Para quem deseja conhecer o Deep Purple dessa formação em seu ambiente mais natural — o palco —, o álbum proporciona um registro valioso e, em alguns momentos, mais persuasivo do que “Made In Europe”.

Aliás, quem tiver disposição e grana, pode adquirir na íntegra os dois concertos que foram lançados de forma separada – “Live In Paris 1975” (2001) e “Graz 1975” (2014).

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: MK III: The Final Concerts / Archive Alive
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 5 de agosto de 1996
Gravadora/Distribuidora:  Connoisseur Collection / Navarre
Produtor: Deep Purple

Ritchie Blackmore: guitarra
Jon Lord: órgão Hammond
Ian Paice: bateria
David Coverdale: voz
Glenn Hughes: baixo, voz e backing vocal

CD 1: 
1. Burn (Blackmore / Coverdale / Lord / Paice)

2. Stormbringer (Blackmore / Coverdale)

3. Gypsy (Blackmore / Coverdale / Hughes / Lord / Paice)

4. Lady Double Dealer (Blackmore / Coverdale)

5. Mistreated (Blackmore / Coverdale)

6. Smoke On The Water (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)

7. You Fool No One (Blackmore / Coverdale / Lord / Paice)

CD 2:  
1. Space Truckin' (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)

2. Going Down/Highway Star (Nix) (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)  

Faixas Bônus:   

3. Mistreated (Blackmore / Coverdale

4. You Fool No One (Blackmore / Coverdale / Lord / Paice) 

Por Jorge Almeida

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