Deep Purple: 25 anos de “Live In Paris 1975”
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| As duas versões da incendiária performance do Deep Purple em Paris em 1975 (à esquerda, o CD lançado em 2001 e à direita, a versão remasterizada que saiu em 2012) |
Neste mês de abril marca o 25° aniversário do álbum duplo “Live In Paris 1975”, registro ao vivo do Deep Purple gravado mais precisamente em Palais des Sports em 7 de abril de 1975 na Cidade-Luz. O material foi lançado originalmente pela Purple Records e a produção ficou a cargo do grupo. Em 2012, o material foi relançado como parte da série “Deep Purple (Overseas) Live Series” (intitulado como “Paris 1975”), com uma nova mixagem e remasterização digital.
Essa apresentação realizada em Paris foi a
última da perna europeia da tour de “Stormbringer” e, coincidentemente, foi a última
apresentação de Ritchie Blackmore no Deep Purple até a reformulação da banda,
em 1984. Depois, como todo mundo deve estar careca de saber, o guitarrista
partiu para montar o seu Rainbow, já que andava insatisfeito com o
direcionamento musical do grupo que ajudou a fundar estava a rumar.
Vale destacar a qualidade sonora do material, que está perfeita,
mesmo perante à longevidade da gravação do áudio original (afinal, quando fora
lançado em 2001, já haviam se passado 26 anos da incendiária apresentação).
Evidentemente que o material da apresentação
foi focado nos dois trabalhos que a MK III – a formação do DP formada por
Ritchie Blackmore (guitarra), Ian Paice (bateria), Jon Lord (teclados), Glenn
Hughes (baixo e voz) e David Coverdale (voz) é conhecida -, ou seja, faixas dos
álbuns “Burn” e “Stormbringer”, ambos
de 1974.
O CD 1 começa muito bem com a incrível “Burn”, seguido de “Stormbringer”, que manteve o pique. Depois, os caras deram uma maneirada no lado B “The Gypsy”, música que, particularmente, gosto muito. O quarto tema é mais uma cacetada: “Lady Double Dealer”. Na sequência, uma das melhores músicas lançadas não só por essa formação, mas da história do Deep Purple: a maravilhosa “Mistreated”, com direito a Blackmore fazendo miséria com a sua Stratocaster. Em seguida, Coverdale e Hughes se revezam nos vocais da clássica “Smoke On The Water” e dá-lhe mais improvisações na versão que ultrapassou os 12 minutos. E o primeiro CD é finalizado com “You Fool No One”, com destaque para a longa introdução feita pelo mago Jon Lord e Ian Paice destruindo o cowbell de sua bateria, bem como Blackmore estraçalhando sua guitarra.
Já o segundo CD inicia com uma versão “quilométrica” de “Space Truckin’”, outro clássico da MK II, mas que dessa vez o quinteto extrapola na parte instrumental registrando mais de 20 minutos de pura musicalidade e entrosamento. Em seguida, os caras tocaram um cover de Don Nix, “Going Down”, que possui “apenas” 5’17” de duração e, para finalizar, mais um clássico executado de forma arrebatadora, a incrível “Highway Star”.
Vale destacar que a edição da obra que saiu em 2012, ainda possui uma entrevista com David Coverdale, Glenn Hughes e Ian Paice, na qual contam um pouco sobre fatos da banda na época, bem como como surgiram algumas das faixas como “Burn” e “Stormbringer“. Além disso, nessa versão do disco, a introdução de “Burn” foi cortada em quase um minuto.
Esse show de Paris foi o último em que o Deep Purple tocou temas como “The Gypsy”, “Lady Double Dealer”, “Mistreated” e “You Fool No One”, embora as suas “bandas-filhas”, como o Rainbow e Whitesnake tenham tocado “Mistreated” em suas apresentações anos depois e David Coverdale, em seus primeiros concertos com o Whitesnake, tocou “Lady Double Dealer” e, anos depois, em seu disco-tributo ao Deep Purple, o “The Purple Album” (2015) tenha colocado alguns clássicos da MKIII citados acima. Lembrando que, durante a época em que Joe Lynn Turner esteve no Deep Purple, entre 1989 e 1992, conhecido como MK V, o grupo tocou “Burn”, aliás, foi com essa line-up que o Purple veio ao Brasil pela primeira vez, em agosto de 1991.
O registro comprova como Blackmore, Coverdale, Hughes, Paice e o saudoso Jon Lord estavam entrosados e afiadíssimos e propiciando aos fãs um show enérgico e destruidor. E, apesar dos excessos de partes instrumentais, que deixaram algumas músicas bem longas, “Live In Paris 1975” é um dos grandes registros ao vivo, dentre vários lançados, do Deep Purple.
A edição brasileira da obra saiu em 2013 e ficou a cargo da Hellion Records, que ficou excelente, em paper sleeve, deixando com um material de qualidade.
Então, fica a critério do ouvinte a sua versão de sua preferência: a de 2001 não traz a entrevista com Coverdale, Hughes e Paice, porém, a versão de 2012, traz isso como conteúdo extra, contudo, como já mencionado, um corte na ‘intro’ de “Burn”. Enfim, independentemente da versão escolhida, o fato é que as duas trazem um material impecável. Vale a aquisição, sem dúvidas.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão 2012) da obra.
Ritchie Blackmore: guitarra
David Coverdale: voz
Glenn Hughes: baixo, voz e backing vocal
Jon Lord: teclados, órgão e sintetizador
Ian Paice: bateria
CD 1:
1. Burn (Blackmore / Coverdale / Lord / Paice)
2. Stormbringer (Blackmore / Coverdale)
3. The Gypsy (Blackmore / Coverdale / Hughes / Lord / Paice)
4. Lady Double Dealer (Blackmore / Coverdale)
5. Mistreated (Blackmore / Coverdale)
6. Smoke On The Water (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
7. You Fool No One (Blackmore / Coverdale / Lord / Paice)
1. Space Truckin’ (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Going Down (Nix)
3. Highway Star (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
Por Jorge Almeida

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