ZZ Top: 45 anos de “El Loco”
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| "El Loco", do ZZ Top, que completa 45 anos de lançamento em 2026. |
Nesta segunda-feira, 20 de julho, o sétimo disco de estúdio do ZZ Top, “El Loco”, completa 45 anos de lançamento. Gravado ao longo de 1981, o álbum foi lançado pela Warner Bros. e produzido por Bill Ham. O play foi o primeiro trabalho do trio a fazer uso de sintetizadores, mesmo que de leve.
O guitarrista/cantor Billy Gibbons disse que a gravação deste álbum foi que, pela primeira vez, os três membros da banda ficaram isolados um do outro no estúdio, ao invés de gravar simultaneamente na mesma sala. Ele também prenunciou a direção dirigida por sintetizador do ZZ Top no final da década, com as primeiras experimentações no sintetizador de apoio em certas faixas.
O
álbum começa muito bem com “Tube
Snake Boogie“, que foi um dos singles da obra e atingiu o
quarto lugar da Billboard Mainstream Rock, que é uma faixa tipicamente ZZ Top,
mas que traz maravilhosos improvisos de Gibbons e distorções do baixo de Dusty
Hill. O grupo sérvio de Hard Rock Cactus Jack fez uma versão dessa música no
seu álbum de covers, “DisCover”
(2002), bem interessante. O segundo tema é “I Wanna Drive You Home“, que nos brinda com uma
guitarra suave e incrivelmente triste e um vocal solitário. Em seguida, em “Ten Foot Pole“,
que contém um ótimo funky cadenciado e um vocal agradabilíssimo. A faixa quatro
é a balada “Leila“,
que contém influências Country e Western, e que tem como destaque a
participação de Mark Erlewine na guitarra de aço (steel guitar), embora algumas
pessoas achem a música insossa. O play chega à metade com “Don’t Tease Me“,
uma faixa mediana que não agrega muito à obra.
O
outro lado da “bolacha” vem com “It’s So Hard“, uma balada meia-boca altamente
dispensável. Há quem goste, mas sinceramente, não é uma das minhas favoritas do
conjunto. Depois, em “Pearl
Necklace“, que tem letra de duplo sentido que faz referência a
um ato sexual, como, digamos, algo do tipo “submergir a ave palmípede”
(popularmente conhecido como “afogar o ganso”, contudo, o termo empregado na
música significa “colar de pérola”). É uma faixa divertida de ouvir, a não ser
para quem é do “politicamente correto”, uma vez que podem taxar os caras como
machistas ou sexistas. Posteriormente, em “Groovy Little Hippie Pad“, feita sobre camadas de sintetizadores,
talvez, tenha sido feita inspirada no DEVO. A penúltima música é “Heaven, Hell Or Houston“,
que foge dos padrões do ZZ Top (ainda bem que é a menor música do disco, com
cerca de 2’30” de duração). E, para encerrar, “Party On The Patio“, um rockabilly bem executado
que é impossível escutar totalmente estático, com destaque para o baixão de
Dusty Hill na base enquanto Billy Gibbons traz um solo inspirado e Frank Beard
“maltrata” o cowbell.
Em
1987, boa parte do catálogo do ZZ Top foi remixado para o lançamento em CD,
porém, “El Loco” não
recebeu o mesmo tratamento e a mixagem original da obra está disponível em CD
até hoje.
E,
apesar de terem cometido alguns deslizes em algumas faixas, “El Loco” é um bom
registro do ZZ Top, pois foi lançado em um momento de transição do grupo,
quando deixou um pouco de lado as referências do Southern Rock e encarou os
experimentos dos sintetizadores tão presentes na década de 1980 que estava
ainda a começar.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Mark Erlewine: steel guitar em “Leila“
Por Jorge Almeida

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