Somos ainda o País do futebol?

 

A Seleção Brasileira chegará ao tabu de 28 anos sem títulos de Copa do Mundo após ser eliminada pela Noruega. Foto: Reprodução/IA

Infelizmente, assim como foi em 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e, agora, em 2026, o Brasil adiou mais uma vez o “sonho do hexa” ao ser derrotado pela Noruega por 2 a 1, neste domingo (5), pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo FIFA 2026, em partida disputada no MetLife Stadium em East Rutherford, Nova Jersey. Os gols dos Vikings foram marcados por Haaland, enquanto Neymar, de pênalti, descontou para a seleção canarinho, antes disso, Bruno Guimarães havia desperdiçado outra penalidade parando no goleiro norueguês. Diante de tantos fracassos na busca da “sexta estrela”, uma pergunta que paira no ar é: o Brasil ainda é o País do futebol?

Particularmente, acredito que esse status sucumbiu a partir do famigerado “7 a 1” em 2014: a goleada aplicada pelos alemães, em meu ponto de vista, praticamente desmistificou essa frase, praticamente escancarou para o mundo toda a fragilidade do futebol brasileiro, cuja realidade estava escondida nas cinco estrelas no brasão da CBF.

Em relação a era Carlo Ancelotti, vários motivos poderíamos elencar sobre o insucesso no mundial vigente. Falta de planejamento, problemas extra campo na CBF ao longo dos últimos anos, a safra de jogadores que não é das melhores, a falta de identificação e do comprometimento de parte dos atletas, falta de um sistema de jogo padrão, todo o “oba-oba” midiático para cima dos jogadores, que, convenhamos, têm o ego maior do que a bola que jogam, atletas que estão mais preocupados com suas redes sociais do que representar o País, enfim, motivos são vários.

Mas isso não vem de hoje. Afinal, desde 2010, qual foi outro jogador que o torcedor acreditou que poderia ser um novo baluarte do futebol brasileiro sem ser o Neymar? Nessa última década e meia, a nossa pátria de chuteiras viveu da “Neymardependência", enquanto outros países evoluíram nos mais variados aspectos do futebol. Parece que o Brasil se acomodou no status de ser o “único pentacampeão” e que isso basta. Desde 2006, a Seleção Brasileira foi eliminada por europeus, sendo dois campeões mundiais (França em 2006 e Alemanha em 2014), mas o mais preocupante é que países com futebol emergentes estão também tirando uma “casquinha” daquela que foi a camisa mais pesada do futebol mundial: Holanda, em 2010; Bélgica, em 2018; Croácia, em 2022; e, dessa vez, a Noruega, que não disputava uma Copa do Mundo há 28 anos e, quando participou da última vez, derrotou o Brasil por 2 a 1, na França.

Desde 1990 que o Brasil não ficava nas oitavas-de-final de uma Copa do Mundo. A sensação que passa é que, cada vez mais, os jogadores parecem menos compromissados com a camisa da Seleção Brasileira. Um exemplo nítido disso, aconteceu na penalidade desperdiçada por Bruno Guimarães. Numa competição altamente competitiva, como é a Copa do Mundo, esse era o tipo de lance que deveria ficar a cargo do craque principal da equipe, no caso do Brasil, Vinícius Jr. Nas outras seleções favoritas ao título, os protagonistas fazem questão de assumir a bronca. Na Argentina, Messi não hesitaria em fazer a cobrança, assim como Cristiano Ronaldo com Portugal, Mbappé com a França ou Harry Kane com a Inglaterra.

Mas uma coisa precisa ser dita também. O Brasil é prejudicado com o calendário das competições por seleções. Pois, fora da Copa, só tem a Copa América, Eliminatórias e os amistosos, porém, dificilmente é possível marcar jogos contra seleções de ponta da Europa porque elas quando não estão jogando as Eliminatórias Europeias, estão disputando a Eurocopa ou a Liga das Nações da UEFA, impossibilitando agenda nas “datas-FIFA”. Então, resta ao Brasil jogar contra selecionados de países de médio e pequeno porte no futebol.

No jogo de hoje, Carlo Ancelotti teve sua parcela de responsabilidade também, assim como os jogadores, mas, já que a CBF renovou seu contrato antes mesmo do início dessa Copa, ele terá mais tempo para montar um novo ciclo e começando a desfazer a “era Neymar” desde já: além do jogador do Santos, alguns nomes também já poderiam encerrar seu ciclo na Seleção, como Alisson, Marquinhos e Casimiro. Para 2030, é a vez de dar passagem para nomes como Endrick, Estevão, Breno Bidon, Rayan, Rodrygo, entre outros jovens talentos que pedem passagem.

Daqui até lá, a CBF também tem muita coisa para arrumar a casa também, inclusive, planejamento, algo que faltou no período de 2022 a 2026, com trocas de técnicos ao longo das Eliminatórias, o que dificultou na implantação de uma filosofia de trabalho, os problemas na própria instituição e por aí vai.

Enquanto isso, como prêmio de consolação, o status de “único pentacampeão” está garantido por mais quatro anos graças à eliminação da Alemanha para o já também eliminado Paraguai e a não-classificação da Itália para a sua terceira Copa do Mundo.

Por fim, resta-nos “secar” os hermanos (respeitar o Messi sim, mas torcer para a Argentina jamais), ver Mbappé bater recordes, Haaland fazer história e, quem sabe, ver a última “dança” de Cristiano Ronaldo terminar no topo do mundo.

Por Jorge Almeida

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