Mesmo com sucesso na Copa 2026, mercados preditivos perdem no jogo da regulação brasileira; entenda *

 

Foto meramente ilustrativa.

Plataformas como Kalshi e Polymarket no centro do debate regulatório internacional depois do evento esportivo mais esperado do ano

O crescimento dos mercados preditivos durante a Copa do Mundo de 2026 colocou plataformas como Kalshi e Polymarket no centro do debate regulatório internacional. Nos Estados Unidos, essas empresas ganharam espaço ao oferecer contratos vinculados aos resultados de partidas e outros eventos futuros, aproximando-se do universo das apostas esportivas. No Brasil, porém, o movimento segue na direção oposta: enquanto o mercado americano ainda discute os limites dessa modalidade, a regulamentação brasileira já estabeleceu barreiras para impedir sua expansão sobre eventos esportivos e outros acontecimentos públicos.

“Os mercados de previsão surgiram como uma experiência sofisticada de inteligência coletiva. A proposta era simples: em vez de consultar especialistas, permitir que as pessoas negociassem contratos sobre eventos futuros, fazendo com que os preços refletissem a probabilidade de determinado acontecimento. O problema é que o crescimento dessas plataformas fez com que elas deixassem de ser apenas instrumentos ligados à pesquisa, política ou economia e passassem a disputar consumidores diretamente com as casas de apostas”, explica Carlos Akira Sato, co-founder da Syscapital e especialista em Mercados Regulados.

Segundo ele, a Copa de 2026 tornou essa convergência ainda mais evidente. “Plataformas como Kalshi e Polymarket alcançaram uma dimensão comercial relevante durante o torneio. Os chamados ‘combos’, que reúnem diferentes resultados em uma única operação, reproduzem economicamente a lógica das apostas múltiplas. A tecnologia pode ser diferente, o contrato pode ser chamado de derivativo ou event contract, mas, quando o usuário escolhe o vencedor de uma partida, coloca dinheiro em risco e recebe um pagamento condicionado ao resultado esportivo, a experiência econômica se aproxima muito daquela oferecida por uma bet”.

Para o especialista, é justamente nesse ponto que os caminhos regulatórios de Estados Unidos e Brasil começam a se distanciar. “Nos Estados Unidos, o debate ainda está aberto. A discussão gira em torno de qual autoridade deve regular esses produtos e onde termina um derivativo financeiro e começa uma aposta esportiva. Ou seja, os americanos ainda estão discutindo as fronteiras regulatórias e, de certa forma, abrindo espaço para que esse mercado encontre um enquadramento jurídico”.

Já no Brasil, a estratégia foi diferente. “A Resolução CMN nº 5.298, de abril de 2026, caminhou no sentido contrário. Em vez de esperar a expansão desse mercado para depois discutir competências regulatórias, o regulador definiu previamente limites expressos para o uso de eventos esportivos, políticos, sociais, culturais e de entretenimento como ativos subjacentes de derivativos. Enquanto os Estados Unidos ainda discutem até onde esses produtos podem ir, o Brasil já começou a fechar essa porta”, alerta Akira.

Na avaliação dele, o sucesso comercial registrado durante a Copa do Mundo deve manter o tema em evidência nos próximos anos, mas a tendência é que os modelos regulatórios sigam trajetórias distintas. “A Copa mostrou que existe demanda por esses produtos e que eles já competem diretamente com as bets. O desafio regulatório agora será definir se essa inovação financeira terá espaço para crescer ou se continuará sujeita a limites mais rígidos. Hoje, o cenário mostra dois movimentos opostos: os Estados Unidos discutindo como acomodar esse mercado e o Brasil estabelecendo restrições para evitar essa convergência”, conclui.

Fonte:
Carlos Akira Sato - Co-Founder da Syscapital, Conselheiro da Zuvia Digital Assets e especialista em Mercados Regulados, Inovação, Tokenização de Ativos, Educação Financeira, Governança e Inovação. Vice-Presidente de Relações Institucionais da PAGOS (Associação de Gestão de Meios de Pagamentos Eletrônicos).

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Créditos: Natasha Guerrize | M2 Comunicação

* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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