Judas Priest: 25 anos de “Demolition”
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| "Demolition", do Judas Priest, completa 25 anos de lançamento em 2026. |
Nesta quinta-feira, 16 de julho, o álbum “Demolition”, o 14° disco de estúdio do Judas Priest, completou 25 anos de lançamento. A obra foi o último trabalho de estúdio do vocalista Tim “Ripper” Owens com os Metal Gods. O material foi gravado entre 1999 e 2001 no Silvermere Studios, em Surrey, na Inglaterra, lançado pela SPV e produzido por Glenn Tipton.
Depois da receptividade mediana para “Jugulator” (1997), os Metal Gods fizeram de tudo para analisar o que deu errado em relação ao trabalho anterior e, para alegrar os fãs, se comprometeram a fazer um som mais próximo ao material mais antigo do Judas, especialmente na década de 1980, contudo, com uma “saraivada” de riffs no estilo do disco anterior com adições de elementos do Nu-Metal, como samples, guitarras afiadas e batidas de estilo industrial.
Mas, o tiro saiu pela culatra, pois a recepção foi muito pior em relação a “Jugulator”, apesar de ter um bom desempenho nas paradas alemãs, com o 16° lugar, o álbum figurou discretamente no 165° posto da Billboard 200.
Owens
afirmou que Demolition foi seu álbum favorito que ele fez com o grupo, alegando
que tinha “melhores vocais e mais melodia” do que “Jugulator”. Em 2018, o ex-vocalista prometeu regravar
este álbum e seu predecessor, pois ele sente que sua era da banda foi
“apagada”. Embora Rob Halford disse ao The SDR Show que pode ser que um dia ele
cantasse alguma coisa dos dois discos nos shows. Além disso, Richie Faulkner, o
substituto de K. K. Downing na banda, disse que a faixa “Hell Is Home” é
uma de suas favoritas da “era Ripper” na banda.
O
disco é daqueles para quem está acostumado com Rob Halford pode soar um tanto
estranho nas primeiras audições, mas é daqueles típicos casos que a gente
aprende a gostar a cada audição. O play tem boas músicas, como “Machine Man”,
que abre a obra e que caberia facilmente na obra-prima “Painkiller”
(1990). A modernidade se faz presente na faixa seguinte, “On On One”, que
é forte. A terceira música é “Hell
Is Home”, que brinda o ouvinte com o seu clima melancólico.
Posteriormente, “Jekyll
And Hide” começa com uma ‘pedrada’, seguido de riffs pesados e
um vocal destruidor de Ripper. No final, o vocalista dá uns urros que lembram
vagamente Rob Halford.
A
obra ainda contém boas baladas, como “Close To You” e “Lost And Found”. Já “Devil Digger”, a faixa 6, mantém a atmosfera do
disco anterior. Não tem como não falar de Judas Priest sem falar das guitarras
duplas, né? Elas estão presentes na ótima e contagiante “Bloodsucker”,
que começa com sussurros e, mais à frente, culmina em um riff sensacional
capitaneado por K.K. Downing e Glenn Tipton. Enquanto isso, “In Between”
possui uma série de mudanças de tempo e é uma faixa bem New Metal.
Posteriormente, “Feed
On Me” é uma música que, embora tenha bastante peso na ‘intro’,
a presença de teclados e efeitos é bem abusiva e o vocal de Tim lembra um pouco
Ronnie James Dio nos primeiros versos.
Na
reta final da obra, “Subterfuge”
que merece atenção pela letra questionadora e as notas altas atingidas por
Owens. Depois, aparece a já citada balada “Lost And Found”, que é um pouco fraca em relação
às demais faixas. Enquanto isso, em “Cyberface”, que teve a primeira colaboração do
baterista Scott Travis como compositor, mas é fraca e meio decepcionante os
efeitos na mudança de voz eletrônica. E o tracklist original termina com “Metal Messiah”,
que começa com Tim cantando quase falando, como se fosse RAP, mas o refrão da
música é sensacional: “He’s
the man! Armageddon! Walking through fire! Metal Messiah!” (algo
como, “Aqui está o homem! Armagedon!
Andando no fogo! Messias do Metal”). Nos baseando nesse
refrão, será que esse Messias do Metal é o que aparece na capa de “Redeemer Of Souls”
(2014)?
Bom,
vale destacar que “Demolition”
teve a participação especialíssima de Don Airey (tecladista do Deep Purple) e
que o álbum foi o primeiro disco dos caras a apresentar o selo “Parental
Advisory” na capa por conta das canções “Machine Man” e “Metal Messiah”, que contém palavrões.
E,
para variar, a versão japonesa da obra veio acrescida da faixa “What’s My Name“,
enquanto a edição lançada em digipak veio com dois bônus: as regravações de “Rapid Fire” e
de “The Green Manalishi“,
cover de Fleetwood Mac que o grupo lançou originalmente em “Killing
Machine” (1979). Enquanto a edição australiana da obra
vem com as três faixas citadas como bônus.
O álbum é excelente, mas claro que é injusto compará-lo com os demais discos da banda, mas traz o velho Priest de sempre, mas com uma nova “roupagem”, mas é uma aula de Heavy Metal. Afinal, Ian Hill fez um trabalho firme no baixo, Scott Travis é um dos maiores bateristas do gênero, K. K. Downing e Glenn Tipton mantiveram as guitarras afiadas como sempre, enquanto Tim “Ripper” Owens atestou ter sido a melhor escolha para o lugar de Rob Halford. E privilegiado é o fã do Judas Priest que tem o Metal God nos vocais e teve a presença do “Messias do Metal” em sua line-up. O último trabalho de Owens na banda foi com o álbum ao vivo “Live In London” (2003), gravado justamente durante a turnê de “Demolition”.
É
uma obra que pode ser apreciada sim, sem purismo.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist (da versão australiana) da obra.
Don
Airey: teclados
Por
Jorge Almeida

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