Entenda a diferença de valores e premiações para atletas do tênis e do futebol *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Principais atletas das modalidades recebem valores muito diferentes, apesar de patrocínios parecidos
A Copa do Mundo é a principal vitrine do futebol. É na maior competição do esporte mais popular do planeta que os melhores jogadores atuam e buscam se destacar, afinal, eles estão sendo observados pelo mundo inteiro no torneio. Com isso, as receitas de publicidade para os atletas são enormes, visto também a periodicidade em que a Copa acontece: de quatro em quatro anos.
É
na Copa do Mundo que as principais marcas esportivas abusam de suas
publicidades. A Adidas, por exemplo, comemorou o fato de que duas seleções
patrocinadas por ela, Espanha e Argentina, conseguiram chegar à decisão. Além
disso, seu principal futebolista, Lionel Messi também jogou a final, o que
aumentou ainda mais a visibilidade da empresa.
Este fenômeno de publicidade na Copa do Mundo ocorre de forma semelhante nos Grand Slams do tênis, como Roland Garros e Wimbledon. Apesar do processo e até as empresas serem parecidas, os valores no tênis são nitidamente menores. Mas, por que esta diferença grande nas cifras milionárias para cada esportista?
Para Danielle Vilhena, diretora de projetos e operações de marcas esportivas da End to End, a audiência de cada esporte reforça a disparidade financeira nas premiações.
“A audiência continua sendo um dos principais fatores para explicar a diferença de receitas entre as modalidades, mas ela não conta toda a história. O futebol entrega uma escala e um alcance praticamente incomparáveis. Já o tênis reúne características próprias que atraem marcas com objetivos específicos de posicionamento, especialmente aquelas que buscam associação a atributos como performance, disciplina, longevidade e estilo de vida. Cada modalidade gera valor de uma forma diferente, e entender essas características é fundamental para que atletas, patrocinadores e parceiros construam estratégias mais eficientes”, destaca Danielle.
O mesmo ponto de vista é compartilhado por Moises Assayag, especialista em finanças dentro do futebol.
"Os contratos acompanham a capacidade do
esporte de gerar receitas e capturar valor. O futebol é um esporte global e que
reúne um ecossistema econômico mais amplo e mais robusto, com múltiplos eventos
(bem mais do que no tênis), com maior exposição geral e em mídia, volumosas
receitas recorrentes e ativos altamente valorizados, o que eleva o valor
comercial dos seus principais atletas e, consequentemente, dos acordos firmados
com patrocinadores", analisa Moises Assayag, sócio-diretor da Channel
Associados.
Em suma, os principais jogadores de futebol recebem mais, pois o esporte é o mais popular do mundo, com mais audiência e mais engajamento. Para efeito de comparação, Kylian Mbappé foi artilheiro da Copa do Mundo e é patrocinado pela Nike. Estima-se que o francês receba aproximadamente R$ 140 milhões a R$ 200 milhões por ano da empresa norte-americana. Por sua vez, tenista número 1 do mundo, Jannik Sinner também é vestido pela “Swoosh”, mas recebe um valor muito inferior ao de Mbappé: cerca de R$ 76,6 milhões anuais.
Na concorrente Adidas não é diferente. Principal expoente da marca alemã no circuito da ATP, Alexander Zverev recebe de cerca de R$ 25,5 milhões anuais da empresa de vestimentas esportivas. Entretanto, no futebol, este valor quadruplica com Lionel Messi, tido por muitos como o maior da história do esporte. O argentino, vice-campeão da Copa do Mundo de 2026, recebe aproximadamente R$ 112 milhões por ano.
A diferença nas cifras está diretamente ligada com a popularidade de cada esporte. O futebol é o esporte mais assistido do mundo, com uma base estimada de 4 bilhões de fãs, enquanto o tênis atrai cerca de 1 bilhão de seguidores. Para se ter uma ideia do tamanho da audiência, a final da Copa do Mundo de 2026 teria sido vista por aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas. Este número supera o total somado aos maiores eventos de tênis, como os torneios de Grand Slam.
Entretanto, o tênis vive um momento de crescimento histórico na audiência brasileira e mundial. O aumento do interesse pelo esporte no Brasil está diretamente impulsionado pelo surgimento de novos personagens, como João Fonseca e Guto Miguel. Além disso, na TV por assinatura e streaming, a ESPN registrou recordes históricos de audiência, chegando a quintuplicar sua receita comercial. Consequentemente, a tendência é que as premiações aos tenistas também aumentem ao longo dos próximos anos.
Em meio às campanhas históricas em Roland Garros neste ano, João Fonseca protagonizou um salto impressionante nas redes sociais ao ganhar mais de 312 mil seguidores em apenas um dia, após a vitória sobre Novak Djokovic, nas quartas de final. Em 30 dias, foram mais de 735 mil novos fãs. Por sua vez, Guto Miguel praticamente dobrou sua base no mesmo período, saltando de 83 mil para 160 mil seguidores.
“Estamos acompanhando um crescimento muito
consistente do tênis, impulsionado por resultados expressivos dentro das
quadras e pelo surgimento de jovens talentos que aproximam o esporte do grande
público. Esse aumento da audiência fortalece o interesse de patrocinadores e
investidores, tornando o ambiente mais favorável para a expansão das
competições e para a valorização financeira dos atletas. Ainda existe uma
distância em relação ao futebol, mas o tênis vive um momento de consolidação
que abre perspectivas muito positivas para o futuro da modalidade”, afirma
Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis.
A diferença entre as modalidades também aparece nas premiações oferecidas pelas principais competições. Enquanto a Copa do Mundo movimenta bilhões de dólares e distribui valores recordes entre seleções, o tênis concentra suas maiores premiações nos Grand Slams. Em modalidades em expansão, como o beach tennis, o crescimento das premiações também é um indicativo da profissionalização do esporte. O Sand Series São Paulo, que aconteceu em julho, por exemplo, distribuiu US$75 mil (cerca de R$ 410 mil) em premiação total e concedeu 700 pontos no ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF) aos campeões.
"A premiação é um reflexo direto da maturidade econômica de cada modalidade. Esportes com uma cadeia comercial consolidada conseguem atrair mais patrocinadores, vender mais direitos de transmissão e gerar maior receita para reinvestir nos atletas. No beach tennis, por exemplo, vemos esse ciclo começar a acontecer. Competições internacionais como o Sand Series já oferecem premiações relevantes e atraem os principais jogadores do mundo, mostrando que o crescimento da modalidade também passa pela valorização financeira dos atletas", afirma Anderson Rubinatto, CEO da Goolaço, empresa que faz a organização do Sand Series São Paulo, Copa do Mundo de Beach Tennis e Brasil Ladies Cup.
Ademais, é importante observar o alcance das principais competições de cada esporte. A Copa do Mundo vai muito além do próprio futebol, e é o que explica Veridiano Pinheiro, Diretor Executivo da FutPro Expo.
A disputa pela premiação milionária da Copa do Mundo consolida o futebol de seleções como o produto de entretenimento mais valioso do planeta. Cifras dessa magnitude não são apenas um prêmio de torneio, elas ditam os rumos de todo o mercado de patrocínios, direitos de transmissão e investimentos em infraestrutura esportiva global para os anos seguintes. Quando o topo da pirâmide financeira atinge esse patamar, todo o ecossistema do esporte se valoriza, exigindo que os grandes espetáculos entreguem um nível de excelência técnica e comercial proporcional a esses milhões em jogo", garante Veridiano Pinheiro, Diretor Executivo da FutPro Expo, evento anual que reúne os principais gestores do futebol brasileiro.
Em um cenário cada vez mais competitivo, a diferença
nas cifras entre futebol e tênis reflete, sobretudo, o tamanho da audiência, a
força comercial e a capacidade de cada modalidade de atrair investimentos.
Embora o futebol siga ocupando um patamar praticamente inalcançável em termos
de visibilidade e retorno financeiro, o crescimento do tênis, impulsionado por
novos talentos, aumento da audiência e maior interesse de patrocinadores,
indica que a modalidade vive um ciclo de valorização. Ainda assim, enquanto a
Copa do Mundo permanecer como o maior espetáculo esportivo do planeta, os
principais jogadores de futebol continuarão concentrando os contratos
publicitários mais milionários do esporte mundial.
Créditos: João Pedro Cardoso | Press FC
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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