Em país com maioria de não leitores, especialistas propõem novas formas de incentivo à leitura *

 

Foto meramente ilustrativa.

Diante da perda de 6,7 milhões de leitores no Brasil, o Instituto Positivo lança cartilhas a fim de aproximar mais pessoas da literatura

O Brasil ainda enfrenta dificuldades na formação de leitores, como mostra a sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. O levantamento revelou que o país perdeu 6,7 milhões de leitores nos quatro anos anteriores a 2024. Pela primeira vez na série histórica, os não leitores se tornaram maioria: 53% da população brasileira com cinco anos ou mais não havia lido sequer parte de um livro, impresso ou digital, nos três meses anteriores à entrevista.

Ao mesmo tempo, dados recentes indicam maior movimentação no mercado editorial, embora o aumento das compras não represente necessariamente a ampliação do público leitor. A pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), mostrou que 18% da população com 18 anos ou mais adquiriu pelo menos um livro nos 12 meses anteriores ao levantamento. O índice representa avanço de dois pontos percentuais em relação a 2024 e corresponde a cerca de três milhões de novos consumidores.

Como parte de seu projeto de incentivo à leitura, o Instituto Positivo lançou três novas cartilhas da coleção Um Convite à Leitura. Destinados a educadores, famílias, bibliotecários e outros mediadores, os materiais estão disponíveis gratuitamente no site da instituição e apresentam estratégias para aproximar diferentes públicos dos livros.

Para a doutora em Educação e pesquisadora do Instituto Positivo, Maíra Weber, “comprar um livro é um primeiro passo importante, mas o principal desafio é converter esse interesse em hábito. Nesse processo, a mediação de educadores, famílias, bibliotecários e agentes culturais é essencial para aproximar as pessoas da literatura”.

Especialistas apresentam diferentes caminhos para formar leitores
Na cartilha A Mente que Lê: Reflexões Sobre Leitura, Emoções e Vida Contemporânea, o neurologista Leandro Roberto Teles reúne evidências científicas sobre os efeitos desse hábito no cérebro e na vida cotidiana. A publicação mostra como o contato com os livros estimula funções cognitivas, fortalece a memória e a concentração e contribui para a empatia e a saúde mental, além de propor reflexões sobre a ansiedade e a falta de foco na era digital. Teles também é autor de obras como Antes que Eu me Esqueça, O Cérebro Ansioso, Depressão Não é Fraqueza e Os Novos Desafios do Cérebro. 

Já em Ler é Ver Além, Marta Morais da Costa apresenta a experiência literária como um processo que acompanha as diferentes fases da vida. Integrante da Academia Paranaense de Letras, doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a autora ressalta a importância da mediação de professores, familiares, bibliotecários e agentes culturais. A cartilha também propõe estratégias para incentivar o contato com os livros em casa e na escola e mostra como a literatura desenvolve o pensamento crítico, a imaginação, a capacidade de interpretação e a sensibilidade. 

Por fim, Biblioteca Sobre Rodas: Crônicas Reais nas Estradas Literárias do Brasil, de Catia Lindemann, reúne relatos de experiências realizadas em escolas, comunidades vulneráveis, hospitais e unidades prisionais. Bibliotecária e presidente da Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais (CBBP), a autora parte de sua atuação com uma biblioteca itinerante para demonstrar como os livros podem despertar esperança, fortalecer vínculos e criar novas possibilidades. 

Segundo Maíra, as publicações relacionam a literatura a temas como educação, saúde, cultura, inclusão e desenvolvimento humano. “A formação de leitores, além da escola, acontece também na família, na comunidade, nas bibliotecas, nos espaços culturais e onde quer que uma boa história seja compartilhada. Queremos oferecer conteúdos que ampliem repertórios e inspirem diferentes agentes a incorporar a leitura ao cotidiano”, acrescenta. 

Programa fortalece o incentivo à leitura
Com os lançamentos, a coleção “Um Convite à Leitura” passa a reunir seis cartilhas gratuitas. A série já contava com Contação de Histórias: Uma Estratégia para Encantar Leitores, de Cléo Busatto; Ler Muda o Cérebro de Quem Sabe Ler, de Carla Tieppo; e Leitura Compartilhada: Um Caminho para Conquistar Leitores na Escola e em Família, de Flaviana Martins de Lima.

A coleção faz parte do projeto de incentivo à leitura Ler Transforma, que integra o compromisso do Instituto Positivo com a leitura literária, assumida em 2025 como um de seus pilares estratégicos. O projeto disponibiliza conteúdos gratuitos, como as cartilhas da coleção Um Convite à Leitura. Também promove a implantação de Cantos de Leitura, a capacitação de mediadores, ações de voluntariado e atividades em hospitais, comunidades e organizações sociais.

A iniciativa também foi marcada pela inauguração de um espaço permanente na comunidade do Parolin, em Curitiba, estruturado como uma minibiblioteca aberta ao público, e pelo lançamento do videocast Ler Transforma, disponível no YouTube, com conversas entre autores, educadores e mediadores de leitura.

“Criamos esse projeto porque acreditamos que incentivar a leitura amplia horizontes, fortalece o pensamento crítico, estimula a autonomia e abre novas possibilidades de desenvolvimento pessoal e social”, conclui a diretora do Instituto Positivo, Eliziane Gorniak.

Créditos: Central Press

* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

 

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