Deep Purple: 25 anos de “Space Vol 1 & 2 / Live In Aachen”
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| "Space Vol. 1 & 2", do Deep Purple, que completa 25 anos de lançamento em 2026. |
Neste mês de julho, o álbum “Space Vol 1 & 2/Live In Aachen”, do Deep Purple, completa 25 anos de lançamento. O material resgatou um show realizado pela banda em 7 de julho de 1970, durante um festival no Aachen Reittersadion, na Alemanha. O disco saiu pela Purple Records/Sonic Zoom.
Durante
muitos anos, esse registro circulou como ‘bootleg’ e, embora tivesse recebido
um árduo trabalho de remasterização, continuou com sua qualidade muito
limitada. Mesmo assim, o play tem seu valor histórico porque documentou as
primeiras apresentações da formação clássica do Deep Purple – MK II: Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice
-, época em que o grupo iniciava o seu processo de consolidação sonora que
tornaria em uma das maiores bandas de Hard/Heavy.
Naquele
período, o setlist do Deep Purple era limitado. Afinal, o icônico “In Rock”
(1970) havia sido lançado há pouco tempo e, muitos dos clássicos desse disco,
hoje, são indispensáveis e que, na época, não fazia parte das apresentações.
Por conta disso, o quinteto investia em um método que sempre fez parte de suas
performances: as longas improvisações, além de ter mantido alguns temas da
formação anterior.
O
começo com "Wring That Neck"
já deixa isso aberto. A música se decompõe em uma ampla jam de quase 18
minutos, com espaço para todos os músicos brilharem. Jon Lord e Ritchie
Blackmore protagonizam os melhores momentos, mas a improvisação acaba se espaçando
além do indispensável, tornando a execução árdua.
Em
seguida, o Deep Purple apresenta uma versão instrumental de "Paint It Black", dos Rolling
Stones. A interpretação funciona mais como uma desculpa para solos do que como
uma releitura da canção. O Hammond de Jon Lord produz personalidade ao tema,
enquanto Ian Paice ostenta o protagonismo em um extenso solo de bateria. Apesar
de demonstrar a habilidade técnica dos músicos, a faixa pouco agrega ao original
e dificilmente figura entre os momentos mais inspirados do grupo.
O
maior desafio do álbum é "Mandrake
Root", que passa dos 30 minutos. A primeira metade mantém certa
estrutura e traz aberturas interessantes, especialmente nos improvisos de Jon
Lord, cujo Hammond domina a gravação. Há períodos que até antecipam ideias
musicais empreendidas posteriormente pela banda. Na segunda metade, porém, a
apresentação mergulha em uma sequência de experimentações, feedbacks e ruídos
que refletem o espírito psicodélico da época, mas exigem bastante calma do
ouvinte.
O
encerramento com "Black Night"
devolve a objetividade ao show. É a faixa mais conhecida e acessível do
repertório, trazendo a energia característica do Deep Purple. Mesmo com a
limitação da gravação e vocais pouco definidos, a música acaba sendo o ponto
alto do disco.
Além
do interesse musical, esse disco também tem valor histórico. Além do Deep
Purple, o festival reuniu nomes importantes da época, como Pink Floyd, Free,
Traffic e Tyrannosaurus Rex, e há relatos de que o Deep Purple conquistou o
público com uma apresentação intensa e eletrizante. Essa energia ainda pode ser
percebida na gravação, apesar das falhas técnicas.
Por fim, “Live In Aachen” é um registro importante da evolução do Deep Purple, mas está bem distante de ser a melhor porta de entrada para quem deseja conhecer a força da banda ao vivo. O áudio irregular e o excesso de improvisações fazem dele um lançamento voltado principalmente para colecionadores e fãs mais obcecados. Para quem procura uma experiência mais completa, registros como “In Concert”, gravado para a BBC, continuam sendo opções muito mais representativas do talento do grupo em seu auge.
A seguir, a ficha técnica
e o tracklist do álbum.
Álbum: Space Vol 1
& 2 / Live In Aachen
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: julho de
2001
Gravadora/Distribuidora:
Purple Records/Sonic Zoom
Ian
Gillan: voz e congas
Ritchie
Blackmore: guitarra
Jon
Lord: órgão Hammond
Ian
Paice: bateria
Roger
Glover: baixo
1. Wring That Neck (Paice / Lord / Simper / Blackmore)
2. Black Night (Blackmore / Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. Paint It Black (Jagger / Richards)
4. Mandrake Root (Blackmore / Evans / Lord)
Por
Jorge Almeida

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