Bigorna estreia no Sesc Vila Mariana e transforma uma história familiar em reflexão sobre pertencimento *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Solo escrito, dirigido e interpretado por Walmick de Holanda mistura autobiografia, terror, humor e cultura pop para investigar como pessoas consideradas diferentes são empurradas para as margens.
Tomando como ponto de partida a história real de um tio mantido
por cerca de três décadas em um quarto gradeado, o solo mistura autobiografia,
terror e cultura pop para investigar diferenças, pertencimento e os corpos
considerados “desviantes”.
Bigorna - um thriller autoficcional, solo escrito,
dirigido e interpretado por Walmick de Holanda, estreia e faz temporada no Sesc
Vila Mariana (Rua Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo) de 4
a 22 de agosto de 2026, com sessões às terças, quartas e quintas, às
20h, e aos sábados, às 18h. Desenvolvido ao longo de anos de investigação
artística e criação autobiográfica, o espetáculo transforma experiências
pessoais em uma reflexão sobre exclusão, identidade e pertencimento. Ao
reunir teatro documental, autoficção, humor, terror e
referências da cultura pop, a montagem investiga como corpos
considerados fora da norma são enquadrados, corrigidos ou afastados da
convivência social.
Em cena, Walmick revisita e reelabora diferentes momentos da
própria vida, entrelaçando lembranças da infância, adolescência e vida adulta
com histórias de outros homens gays encontradas ao longo de sua pesquisa. A
dramaturgia embaralha memória e invenção para construir uma narrativa em que o
vivido ganha contornos ficcionais e a ficção revela verdades pessoais.
A peça nasce de uma pergunta íntima: o que faz alguém ser visto
como um corpo "desviante"? A investigação é atravessada pela própria
trajetória do artista — uma criança afeminada, um adolescente que sofreu
bullying por ser gay e gordo e um adulto que encontrou pertencimento na
comunidade dos Ursos —, estabelecendo conexões entre diferentes formas de
exclusão e de resistência.
Uma história vivida por sua família funciona como disparador dessa
reflexão. Durante aproximadamente três décadas, um tio permaneceu confinado em
um quarto gradeado por apresentar uma condição nunca diagnosticada, sendo
tratado como alguém incapaz de conviver socialmente. Ao aproximar essa
experiência da própria trajetória, o espetáculo investiga como famílias e
sociedades tentam controlar, normatizar ou corrigir aqueles que escapam dos
padrões considerados aceitáveis.
Na infância, sem compreender o que acontecia, Walmick criou
explicações fantásticas para aquele isolamento. Essas imagens, inspiradas pelo
imaginário dos filmes de terror, tornaram-se uma das principais chaves
dramatúrgicas do espetáculo e ajudam a discutir como pessoas consideradas
"diferentes" muitas vezes são tratadas como figuras monstruosas ou
ameaçadoras.
Humor, suspense e referências à cultura pop atravessam toda a
narrativa. Xuxa, Power Rangers, Michael Jackson, Divas pop - (referência
dos anos 80 e 90, filmes, animações e músicas), e o cinema de horror
aparecem como parte do universo afetivo de uma criança que buscava compreender
o mundo por meio da fantasia. Nesse contexto, o Terror além de um gênero
cinematográfico, opera na linguagem do espetáculo a fim de discutir medo,
vergonha, desejo de pertencimento e violência simbólica.
Além das memórias pessoais, a dramaturgia incorpora objetos,
roupas e outras materialidades da infância que funcionam como documentos afetivos,
ampliando a experiência autobiográfica para dialogar com histórias de outras
pessoas LGBTQIA+ e de todos aqueles que, em algum momento da vida, sentiram que
não cabiam nos lugares que lhes foram destinados.
O título também sintetiza esse percurso. A bigorna — ferramenta
sobre a qual o metal é golpeado para ganhar forma — torna-se metáfora da
violência sofrida, mas também da possibilidade de transformar impactos em
criação.
"Percebi que o medo que eu tinha de me transformar no meu tio
era, na verdade, o medo de me tornar o diferente da família, alguém destinado a
viver à margem", afirma Walmick.
Desenvolvido desde 2022, Bigorna nasceu da
pesquisa de mestrado de Walmick de Holanda em Artes na Universidade Federal do
Ceará (UFC), dedicada aos processos de composição dramatúrgica autoficcional. O
autor também participou do Núcleo de Direção da Escola Livre de Teatro de Santo
André, com supervisão do Luiz Fernando Marques Lubi, no processo de criação da
peça. O espetáculo marca sua estreia profissional como dramaturgo e diretor e
reúne teatro, performance, memória e imaginação em uma investigação sobre
identidade, diferença e pertencimento.
Sinopse:
A autoficção de um gay gordo, nascido em uma sexta-feira 13 de lua
cheia, tecida por lembranças da infância e adolescência que ganham tons de
filme de terror. Mesclando elementos de horror, humor, cultura pop e
memória, BIGORNA é um thriller poético sobre a estranha
desconexão que pode existir entre ser, estar e pertencer.
Ficha Técnica:
Atuação, Direção e Dramaturgia: Walmick de
Holanda
Supervisão Artística: Luiz Fernando Marques Lubi
Orientação Teórica e Provocação Artística: Francis Wilker
Desenho de Luz e operação: Felipe Tchaça
Assistente de Direção: Danilo Martim
Preparador Corporal: Hélio Toste
Figurino: Larissa Torres
Cenário: Walmick de Holanda
Técnico e Operador de som e vídeo: Danilo
Martim
Equipe de Libras: Coragem Criativa - Camiss Delfino, André Bruno
e Caê Coragem
Audiodescritor: Dylan Garbini
Apoio da audiodescrição: Paula Felix
Cenotécnico: Renato Simões
Costureira: Celma Mota e Silvana de Carvalho
Projeto Gráfico: Walmick de Holanda
Fotos de divulgação (para projeto gráfico): Julio Arakack
Registros fotográficos e em vídeo do espetáculo: Cacá
Bernardes - Bruta Flor
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação
Produção: Corpo Rastreado – Gabs Ambròzia
Agradecimentos: Ailton Guedes, Alessandro Marba, Alex Calmon,
Ana Célia Torres, Ana Nehan, Andrei Bessa, Binho Cidral, Bruno Frika, Camila
Cohen, CAPES, Carine Cedraschi, Casa Farofa, Cia do Pássaro, Corpo Rastreado,
Cristiane Paoli-Quito, Daniel Martins, Dawton Abranches, Duda Machado, Eduardo
Bruno, Eduardo Fraga, Elisa Porto, Evandro Cavalcante, Fabricio Licursi,
Farofa, Felipe Haiut, Felipe Sales, Festival MixBrasil, Flávia Xaxá Melman,
Gabi Gonçalves, Henrique Fontes, Ícaro Machado, Jacqueline Peixoto, Jo-A-Mi,
Jorge Ferreira, Julia Corrêa, Khazar Masoumi, Larissa Carneiro, Leo Bahia,
Letícia Rodrigues, Lilian Regina, Lucas Amoedo, Lucas Sancho, Luiz Felipe
Bianchini, Luiza Romão, Marisa Bezerra, Michele Maia, Mitchel Diniz, Núcleo de
Direção da Escola Livre de Teatro de Santo André, Pedro Guimarães, PPGArtes
ICA/UFC, Rafael Fialho, Raquel Parras, Raissa Starepravo, Roma Oliveira, Raoni
Reis, Renato Turnes, Ricardo Tabosa, Sesc Vila Mariana, Simone Évanz, Tico
Dias, Vicente Concilio, Vinicius Flauaus, Waldírio Castro, Walmick Campos, Zé
Luiz. Dedicado à memória de Tio Bosco.
Serviço:
Bigorna - um thriller autoficcional
Temporada: 04 a 22 de agosto de 2026.
Dias e horários: Às terças, quartas e quintas, às 20h.
Aos sábados, às 18h.
Atenção: Sessões extras nas sextas-feiras, dias 14/08, às 22h; e
21/08, às 15h.
Sessões com recursos de acessibilidade: dias 08 e 15 de agosto.
Local: Sesc Vila Mariana
Rua Pelotas, 141, Vila Mariana - Metrô Ana Rosa
Estacionamento: 125 vagas - R$ 8,00 a primeira hora + R$
3,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens,
serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 17 a primeira hora +
R$ 4,00 a hora adicional (outros).
Paraciclo: 16 vagas - gratuito (obs.: é necessário a utilização de
travas de seguranças).
Informações: (11) 5080-3000
Ingressos: R$50 (inteira) / R$25 (meia) / R$15
(credencial plena).
Venda: Online no site do Sesc SP ou no aplicativo Credencial Sesc
SP, e nas bilheterias das unidades a partir de 28/07.
Classificação indicativa: 14 anos.
Duração: 70 min.
Créditos: Dani Valério | Canal Aberto
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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