Ratos de Porão: 40 anos de “Descanse em Paz”
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| "Descanse em Paz", do Ratos de Porão, completa 40 anos de lançamento em 2026. |
Neste mês de julho, o segundo disco de estúdio do Ratos de Porão, “Descanse em Paz“, completa 40 anos. Produzido por Luiz Carlos Calanca, o álbum foi lançado pelo selo Baratos Afins e foi um divisor de águas na carreira da banda.
Depois de lançarem o ‘debut’ “Crucificados Pelo Sistema” (1984), as coisas dentro da banda não estavam muito amistosas entre os músicos do grupo, por conta de um estilo que começou a dividir a banda, o Crossover, uma mistura de Metal com o Hardcore. Então, em 1985, João Gordo e Mingau deixaram a banda, então, Jão retomou o Ratos como um trio, cabendo a ele o posto de vocal e guitarra, assim como a volta de Betinho na bateria e com Jabá no baixo. Com essa formação, lançaram o ‘split’ ao vivo com o Cólera chamado “Ao Vivo na Lira Paulistana” (1985).
No entanto, Gordo voltou à banda e trouxe consigo as influências do Heavy Metal e o Crossover de grupos como D.R.I., Discharge e English Dogs, além da amizade que nutriu com o pessoal do Sepultura. Além disso, o Ratos trouxe Spaghetti para assumir as baquetas e, com essa nova formação, lançaram “Descanse em Paz“.
A
produção do álbum é ligeiramente melhor em relação ao primeiro disco, mas
abaixo do considerado ideal, pois a ‘tosquice’ da gravação é nítida, com os
instrumentos sujos e crus, em que um passa por cima do outro e, em certos momentos,
é quase impossível identificar o instrumento e quase imperceptível entender as
letras vociferadas por João Gordo. Ou seja, a produção, com uma notável
chiadeira, parecia no melhor estilo “punk”, ou seja, no clássico “do it
yourself”, mas o Crossover “flertante” com o Metal não agradou os fãs mais
“raiz” da banda, chegando a taxá-los de “traidores do movimento”. Por outro
lado, o play despertou a atenção dos headbangers para com o grupo.
Quanto
às músicas, o play apresenta uma “saraivada” de letras críticas na pegada do
“contra tudo e contra todos” a respeito de sociedade, protesto, religião e
anarquia, enfim, todos os ingredientes temáticos presentes na maioria das
bandas punk pelo mundo afora e vale reforçar também uma evolução dos caras,
tecnicamente e liricamente falando.
Musicalmente,
“Descanse em Paz” contém verdadeiros hinos que se tornaram obrigatórios do
grupo até hoje, tais como “Cérebros
Atômicos“, “Paranoia
Nuclear“, “Juventude
Perdida” e “Velhus
Decréptus“, que causam um verdadeiro caos sonoro. Mas, uma das
minhas favoritas é “Aviso
Final“, com a sua memorável ‘intro’ de baixo feita
brilhantemente por Jabá e, depois, aparece a ‘pedrada’ para não deixar ninguém
parado.
E
não tem como não deixar de falar da capa do álbum, que chama bastante atenção
por sua morbidez, horripilante e politicamente incorreta (praticamente
impensável nos dias de hoje), em que traz a foto de uma mulher que fora
espancada até a morte. A imagem foi extraída de um jornal do Rio de Janeiro,
sensacionalista, uma espécie de Notícia Populares, versão carioca. Aliás,
recentemente, o vocalista João Gordo postou em seu Instagram a reprodução dessa
capa, mas com o presidente Jair Bolsonaro como se ele estivesse em um caixão (a
imagem fez uma montagem com o rosto do então deputado federal Bolsonaro
dormindo durante uma votação no Congresso). Mas, por conta das denúncias, o
cantor sofreu “ban” na rede social em questão.
No
entanto, mesmo ainda não tendo uma produção ideal, “Descanse em Paz” deixa nítido que os caras evoluíram
na parte técnica e lírica, mostrando uma sonoridade brutal e que retratou a
transição de um grupo que procurava ainda uma identidade sonora. Um clássico
nacional.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por
Jorge Almeida

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