Arnaldo Antunes: 25 anos de “Paradeiro”
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| "Paradeiro", de Arnaldo Antunes, completa 25 anos de lançamento em 2026. |
Em 2026, o quinto disco de estúdio de Arnaldo Antunes, “Paradeiro”, completa 25 anos de seu lançamento. O álbum foi gravado no estúdio Ilha dos Sapos, em Salvador, e foi co-produzido por Carlinhos Brown e Alê Siqueira e lançado pela BMG Ariola.
Depois
do lançamento de “Um
Som” (1998), Arnaldo Antunes passou o biênio de 1999 e
2000, além de promover a turnê desse álbum, esteve envolvido em outros
projetos, como a criação da trilha sonora original do espetáculo do Grupo
Corpo, “O Corpo” (2000) e
também teve algumas de suas músicas inseridas na trilha sonora do filme “Bicho das Sete Cabeças”
(2000), além de ter participado na música “Amor, I Love You”, de Marisa Monte.
Em
seguida, o cantor realizou sessões de gravações com Edgard Scandurra, Paulo
Tatit, entre outros músicos, como Juninho Costa, Roninho Scott e, claro, o
próprio Carlinhos Brown. Além disso, “Paradeiro” tem participação especialíssima de Marisa
Monte.
O
disco começa muito bem com o rock “Atenção“, que mais parece um anti-manifesto em que
Arnaldo parece proteger a trivialidade da vida. O play apresenta outras faixas
que merecem destaques: como “Essa
Mulher“, um samba-reggae cuja letra faz uma ácida subordinação
masculina e recomendo que confiram o ótimo videoclipe. Outro tema interessante
da obra é justamente a faixa-título, um pop bem abrilhantado pela presença de
Marisa Monte, que parece ter retribuído Arnaldo por conta do sucesso de “Amor, I Love You”
(Arnaldo declama Eça de Queiroz na música).
A
obra ainda contém mais destaques, como o “Blues sofrido” de “Se Tudo Pode Acontecer“;
a percussiva “Na
Massa“, feita em parceria com Davi Moraes e que parece coisas
típicas de Carlinhos Brown; o maravilhoso arranjo de “Luzes”, de Paulo Leminski; os versos críticos de “Cidade” remonta
aos tempos de Titãs; e uma ótima interpretação na releitura de “Exagerado“, de
Cazuza, e que, diferentemente da música original, o pop-rock deu lugar a uma
bossa triste que tem o protagonismo do vozeirão grave de Antunes e no melhor
estilo “voz e violão”.
Aliás,
essa ida de Marisa Monte a Salvador para participar das gravações do álbum,
apesar de ter sido rápida, foi bem proveitoso para o trio, que passaram uma
semana tocando e compondo intensamente e o resultado disso culminou no
lançamento do primeiro disco dos “Tribalistas”,
em 2002.
A
obra é ideal para quem gosta de pop e de letras bem inteligentes, onde Arnaldo
mescla a sua poesia concreta com abordagens mais acessíveis. Mas é um trabalho
mais percussivo, afinal, o material foi gravado na Bahia e teve como produtor
Carlinhos Brown, não poderia ser diferente. É um bom disco, mas o cantor ainda
possui trabalhos melhores, em minha modesta opinião.
Curiosamente,
esse é um dos poucos trabalhos de Arnaldo Antunes que não traz nenhuma parceria
com seus ex-companheiros de Titãs.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Arnaldo
Antunes: voz
Por
Jorge Almeida

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