A Capulanas Cia de Arte Negra encerra temporada de No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração no Teatro de Arena Eugênio Kusnet *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Trabalho que celebra os 20 anos do grupo é inspirado na cosmologia iorubá-nagô, que leva para a cena a história de Capulanas, uma mulher negra que gesta um espetáculo dentro do próprio ventre.
A encenação incorpora ventres de madeira criados pelo artista beninense Barthélémy Hountchonou, aproximando a cena de tradições ancestrais do universo iorubá.
A
Capulanas Cia de Arte Negra finaliza temporada gratuita de seu novo
espetáculo No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração, no
Teatro de Arena Eugênio Kusnet, entre os dias 5 e 9 de agosto (de
quarta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h). Inspirado na cosmologia
iorubá-nagô e nas experiências de mulheres negras, a peça inicia as
comemorações dos 20 anos do grupo e transforma o ventre feminino em território
de memória, ancestralidade e criação.
A
circulação integra o projeto A Casa, o Terreiro e o Teatro,
contemplado pela 44ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a
Cidade de São Paulo e concebido para dialogar com diferentes territórios de
encontro, criação e ancestralidade.
Com
direção de Olaegbé, que assina a dramaturgia ao lado das demais
integrantes do grupo, a peça acompanha a trajetória de Capulanas, uma mulher
negra que gesta um espetáculo dentro do próprio ventre. Orientada por Milagros,
uma sensível médica afro-cubana, ela inicia uma busca pelos fragmentos de uma
história coletiva de mulheres extraordinárias que ensaiaram, dia após dia, o
nascimento de uma nova festa. Entre consultas médicas, memórias familiares e
encontros com ancestrais, a obra costura temas como maternidade, violência
obstétrica, apagamento histórico e resistência cultural.
A
jornada é atravessada por personagens, entidades e figuras ancestrais que
colaboram para esse nascimento coletivo, entre elas Tia Ma Monserrat, Maria
Júlia Figueiredo, Maria Júlia da Conceição, Eleiê, Exu, Oshum, Oyá e Osá.
Concebida
a partir da relação entre casa, terreiro e teatro, a circulação dialoga
diretamente com as características de cada espaço. Na Goma Capulanas,
sede da companhia, a encenação assume a atmosfera de uma casa antiga de
mulheres negras. No Ilê Axê Dará Omo Ofá Bebê, a obra encontra o
terreiro como território de ancestralidade, acolhimento e fortalecimento
comunitário. Já no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, a arquitetura
circular aproxima atrizes e espectadores, destacando a dimensão cênica e
coletiva do encontro.
Um
dos elementos centrais da encenação nasce do encontro entre a Capulanas Cia de
Arte Negra e o artista beninense Barthélémy Hountchonou, reconhecido por seu
trabalho na escultura de máscaras. Para a montagem, ele criou ventres de
madeira vestidos pelas atrizes Adriana Paixão, Flávia Rosa, Débora Marçal, Sol
Tereza e Beatriz Oliveira, transformando o corpo gestante em imagem cênica que
conecta ancestralidade, criação e potência feminina.
Em
atuação desde 2007, a Capulanas Cia de Arte Negra desenvolve uma pesquisa que
coloca as experiências de mulheres negras periféricas no centro da criação
artística. Em No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração, a
companhia aprofunda investigações presentes em sua trajetória, aproximando
espiritualidade, memória, saúde e ancestralidade afro-diaspórica.
“Escolhemos
bailar para o odu Osá Meji para lembrar às mulheres negras da importância do
cuidado com a própria saúde, especialmente em relação às doenças ligadas ao
ventre, ao útero, às pernas e às partes sanguíneas do corpo. Durante a
pesquisa, percebemos a necessidade de incentivar essa comunidade a realizar
exames e, ao mesmo tempo, fortalecer sua conexão com a ancestralidade”, comenta
a diretora Olaegbé.
A
figura de Milagros simboliza justamente a aproximação entre esses universos.
“Ela é uma doutora do SUS e, ao mesmo tempo, um grande pássaro destinado a
cuidar daquela barriga. Ao realizar esse parto, Capulanas entra em contato com
mulheres que enfrentaram situações como a violência obstétrica ou o diagnóstico
precoce da retirada do útero”, acrescenta.
A
montagem também dialoga com o Gẹ̀lẹ̀dẹ̀, dança ritual do povo iorubá presente
na Nigéria, no Benin e no Togo, dedicada à celebração das mães ancestrais. Nessa
tradição, dançar como as ancestrais dançam é também um gesto de cura,
permanência e celebração da vida.
Essa
dimensão ancestral atravessa ainda o figurino, concebido por Débora Marçal, que
utiliza as roupas como dispositivos dramatúrgicos. As atrizes vestem sucessivas
camadas de saiotes confeccionados com capulanas — tecido estampado amplamente
utilizado em países africanos — evocando as grandes mães e estabelecendo
conexões simbólicas com diferentes linhagens femininas.
Na
trilha sonora, executada por Mauricio Badé, Renato Ihu, Rubi Assunção e Maicou
Yuri, referências do Candomblé e da Santeria dialogam com guitarras, samplers e
sonoridades contemporâneas, ampliando o encontro entre tradição e presente que
atravessa toda a encenação.
O
trabalho do grupo nasce da relação entre corpo, memória e território. Suas
criações são construídas a partir das heranças ancestrais, das experiências
vividas nas periferias urbanas e das múltiplas formas de resistência presentes
no cotidiano. Em 2010, com Pé no Quintal, a companhia aprofundou a
investigação sobre os territórios periféricos e suas dinâmicas culturais. Dois
anos depois, ampliou essa pesquisa por meio do intercâmbio internacional Pé
no Quintal de Moçambique, realizado em parceria com artistas africanos, e
da criação de Sangoma – saúde às mulheres negras, espetáculo que se
tornou referência ao abordar a saúde da mulher negra em diálogo com saberes
ancestrais e contemporâneos.
Ao
longo de sua trajetória, a Capulanas consolidou uma prática artística que
compreende o teatro como produção de conhecimento. Suas obras funcionam como
espaços de reflexão crítica sobre as estruturas raciais, de gênero e de classe
que atravessam a sociedade brasileira.
A
pesquisa desenvolvida pelo coletivo tem como eixo as espiritualidades
afro-diaspóricas, os processos de cura, o prazer e os imaginários
afrofuturistas, entendidos como dimensões interligadas de uma mesma
investigação sobre o corpo negro feminino. Nesse percurso, o corpo é concebido
como arquivo vivo, território de disputa e espaço de elaboração de futuros
possíveis. Em 2014, com Sã da Cura ao Gozo, a companhia aprofundou
as reflexões sobre cura e espiritualidade. Em 2016, com Ialodês –
Trilogia da Mulher Negra: uma ficção afrofuturista, reafirmou a
centralidade das mulheres negras como protagonistas da cena e do porvir.
Em
2012, a criação do Goma Capulanas marcou uma nova etapa da
trajetória do grupo. Instalado no Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, o
espaço consolidou-se como um polo de criação, formação e difusão cultural,
ampliando a atuação da companhia para além da produção de espetáculos e
fortalecendo sua presença no território.
FICHA TÉCNICARealização: Capulanas Cia de Arte Negra
Direção: Olaegbé
Dramaturgia: Olaegbé e Capulanas cia de
Arte Negra
Elenco: Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia
Rosa, Sol Tereza e Beatriz Oliveira
Direção de Arte: Débora Marçal
Cenografia: Studio Trânsito Ara - Débora
Marçal e Olaegbé
Figurino: Studio Trânsito Ara - Débora Marçal
Criação de Máscaras: Barthélémy
Hountchonou
Design de Luz: Dede Ferreira
Direção Musical: Mauricio Badé
Visagismo: Capulanas Cia de Arte Negra
Produção Administrativa: Fernanda
Conceição
Produção Artística: Nicoly Soares – É
tudo nosso Prod. e Olaegbé
Assistente de Produção: Larissa Góis e
Kátia Patriota
Preparação Corporal: Carol Rocha Ewaci
Direção de Movimento: Verônica Santos
Preparação e Pesquisa Corporal: Deuses
que dançam e Wellington Ngunga
Corpo-Voz Estudo de texto: William
Simplício
Preparação
de canto: Adriana
Moreira
Execução e criação musical conjunta: Mauricio
Badé, Renato Ihu, Rubi Assunção e Maicou Yuri
Operação de Luz: Dede Ferreira
Assistente de produção de figurino: Katia
Patriota
Visagista: Claudia Andrade
Costureiras: Katia Patriota e Claudia
Andrade
Cenotécnica: Kátia Patriota
Designer
gráfico: Filipe Celestino
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Comunicação
Tradução e Interpretação em Libras: Mirian
Caxilé – Assessoria em Acessibilidade
Direção: Olaegbé
Dramaturgia: Olaegbé e Capulanas cia de Arte Negra
Elenco: Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa, Sol Tereza e Beatriz Oliveira
Direção de Arte: Débora Marçal
Cenografia: Studio Trânsito Ara - Débora Marçal e Olaegbé
Figurino: Studio Trânsito Ara - Débora Marçal
Criação de Máscaras: Barthélémy Hountchonou
Design de Luz: Dede Ferreira
Direção Musical: Mauricio Badé
Visagismo: Capulanas Cia de Arte Negra
Produção Administrativa: Fernanda Conceição
Produção Artística: Nicoly Soares – É tudo nosso Prod. e Olaegbé
Assistente de Produção: Larissa Góis e Kátia Patriota
Preparação Corporal: Carol Rocha Ewaci
Direção de Movimento: Verônica Santos
Preparação e Pesquisa Corporal: Deuses que dançam e Wellington Ngunga
Corpo-Voz Estudo de texto: William Simplício
Preparação de canto: Adriana Moreira
Execução e criação musical conjunta: Mauricio Badé, Renato Ihu, Rubi Assunção e Maicou Yuri
Operação de Luz: Dede Ferreira
Assistente de produção de figurino: Katia Patriota
Visagista: Claudia Andrade
Costureiras: Katia Patriota e Claudia Andrade
Cenotécnica: Kátia Patriota
Designer gráfico: Filipe Celestino
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação
Tradução e Interpretação em Libras: Mirian Caxilé – Assessoria em Acessibilidade
Créditos: Daniele Valério | Canal
Aberto
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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