Raul Seixas: 35 anos de “Eu Raul Seixas”
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| O raríssimo álbum "Eu, Raul Seixas", completa 35 anos de lançamento em 2026. |
Aproveitando que neste domingo (28), se estivesse vivo, Raul Seixas completaria 81 anos de vida, vamos destacar os 35 anos de “Eu, Raul Seixas”, álbum que completa 35 anos de lançamento neste ano. O póstumo disco de Raul Seixas, na realidade, foi gravado ao vivo em 13 de fevereiro de 1982, em Santos (SP), durante uma apresentação do cantor no Festival de Música, na Praia do Gonzaga. Produzido por Cláudio Luiz Pereira, o registro foi lançado pela Phillips/Polygram.
Na época em que foi gravado essa apresentação,
Raul Seixas passava por um momento difícil em sua carreira. Pois, o cantor
acabara de rescindir o contrato com a CBS (atual Sony Music), que havia lançado
o excelente “Abre-te Sésamo” (1980) por se recusar a fazer uma
homenagem a Lady Di, como proposto pela gravadora.
Como isso não bastante, os problemas de saúde
do cantor já eram nítidos, principalmente devido à bebida, e ele havia se
tornado pai recentemente, sua filha Vivian, fruto de seu relacionamento com
Kika Seixas havia nascido em 1981. Outro fator negativo contra Raul estava
relacionado à sua falta de profissionalismo em honrar alguns compromissos, o
que estava “queimando” a sua imagem no meio business. Inclusive, meses depois
dessa apresentação em Santos, em outro show, dessa vez em Caieiras (SP), um
Raul Seixas embriagado quase foi linchado pelo público que acreditava tratar-se
de um impostor, pois, o músico não portava nenhum documento que comprovasse sua
identidade.
Mas, voltando ao show, em termos de
repertório, esse foi um dos melhores registros de Raulzito feito na década de 1980.
Nele, o cantor abriu o show com a icônica “Rock do Diabo”,
seguido do “novo clássico” (na época) “Aluga-se”. Depois,
em “Como Vovó Já Dizia”, Raul Seixas, para variar,
improvisava em cima da letra. O quarto tema é a ótima “Abre-te Sésamo” e dá-lhe mais improviso. No restante,
uma avalanche de clássicos: “O Trem das 7”, “Metamorfose Ambulante”, que deixa nítido que Raulzito
estava a aparentar que estava “perturbado pela aspiração de etílicos”, “Maluco Beleza”, “As Aventuras de Raul Seixas na
Cidade de Thor”, com direito a execução de um trecho instrumental de
“Garota de Ipanema”, “Prelúdio”, que foi a
única música que Raul não improvisou na letra (também pudera, né? A música só
tem quatro versos!), “Al Capone” e a obrigatória “Sociedade Alternativa”.
Apesar do momento ruim no meio do show
business, Raul Seixas estava com a popularidade em alta. Uma prova disso foi
justamente nessa apresentação, que dizem que havia mais de 350 mil pessoas,
embora a prefeitura e o Governo do Estado estimaram de que haviam 150 mil
expectadores.
Bom, vale esclarecer que as músicas
mencionadas acima fazem parte do LP/CD que foi lançado à época, em 1991, mas, o
registro não contém o show na íntegra. Uma vez que, entre “O Trem das 7” e “Metamorfose Ambulante”,
Raul Seixas e banda fizeram releituras de três clássicos do rock: “Blue Suede Shoes”, “Ready Teddy” e “Roll Over Beethoven”. Além disso, o play não contém a
‘intro’ da apresentação, que era um trecho instrumental de “Let Me Sing, Let Me Sing”, igualmente à versão do álbum
“Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock” (1973) e o “Manifesto da Sociedade Alternativa”, com direito ao
cantor falar que não pode tocar “Rock das ‘Aranha’”.
Ok, o fato de não conter as releituras das músicas internacionais é até
compreensível, pois, talvez a gravadora tenha se poupado em ter de lidar com os
direitos autorais.
Aliás, vale destacar que praticamente em todas
as músicas Raul Seixas improvisou nas letras, talvez por conta do esquecimento
das mesmas, talvez motivado pelo alto consumo de álcool, mas, como ele mesmo
dissera em “Abre-te Sésamo”: “a música é minha, eu canto como
eu quero, eu invento…“. Tá falado, Raul.
Inclusive, “Eu Raul Seixas” foi
lançado pela Polygram atendendo a um dos fã-clubes de Raul Seixas e também para
aproveitar o aumento das vendas dos discos de Raul após a sua morte. Apesar de
ter sido lançado de forma oficial, a qualidade da gravação é péssima, mas para
os raulseixistas, esse álbum tem um valor inestimável, pois, é um item de
colecionador, uma vez que “Eu Raul Seixas” teve
uma tiragem limitada.
O play, que saiu em LP e CD, pode ser
encontrado nos sites de vendas online, do tipo Mercado Livre, por exemplo, com
preços que variam de R$ 179,00 a R$ 1.980,00 (clica no preço para ver que não é mentira!).
Mas, para quem não pagar essa bagatela ou se o
leitor não é um raulseixista, mas tem curiosidade a respeito dessa
apresentação, no YouTube tem o vídeo da apresentação desse show na
íntegra, gravado pela TV Cultura e com boa qualidade, tanto de imagem quanto de
áudio.
Em suma, “Eu Raul Seixas” só é
válido pela sua importância histórica e documental e ideal para colecionadores
e aficionados, pois, já foram lançados outros álbuns (póstumos) do cantor, como
“Raul Vivo” (1993), “Se O Rádio Não Toca…”
(1994) e o box “25 Anos Sem o Maluco Beleza – Toca Raul!” (2014),
que tem seis CD’s (sendo dois de shows que, até então, inéditos) e um DVD.
Sinceramente, Raul Seixas deve ser o artista
póstumo que mais teve álbuns vendidos e relançados, então, a gravadora
responsável pelo lançamento desse play bem que poderia se reunir com os
responsáveis pelos direitos do cantor para relançar esse precioso objeto, não é
mesmo?
A seguir, a ficha técnica e o tracklist
(versão do lançamento oficial) da obra.
Raul Seixas: voz e
guitarra
Por Jorge Almeida

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