Queen: 40 anos de “A Kind Of Magic”

 

"A Kind Of Magic", do Queen, completa 40 anos de lançamento em 2026.

No último dia 2 de junho, o álbum “A Kind Of Magic”, do Queen, completou 40 anos de lançamento. Gravado entre setembro de 1985 e abril de 1986 em estúdios da Alemanha, Suíça e Inglaterra, o disco foi co-produzido por Queen, Reinhold Mack e David Richards, e lançado pela EMI/Parlophone, no Reino Unido; e pela Capitol e Hollywood, nos Estados Unidos.


Após a histórica apresentação na primeira edição do Rock In Rio e a consagração no Live Aid, ambos em 1985, o grupo necessitava demonstrar que essas apresentações históricas não haviam sido apenas momentos esporádicos. Os caras rebateram em 1986 com “A Kind Of Magic”, um disco que dosou bem o peso roqueiro das veias do quarteto com a sofisticação pop sintetizado da época e o clima cinematográfico oriundo da trilha sonora do filme “Highlander”. Mais do que um trabalho associado ao filme, trata-se de um álbum que reposicionou o Queen no top e comprovou que Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon ainda tinham poder de fogo.


A heterogeneidade sempre foi um dos principais atributos do Queen, e aqui ela surge de jeito peculiar e inspirada. "One Vision" abre o álbum com energia contagiante, riffs marcantes e um refrão construído para os grandes concertos, conjeturando o ânimo vivido pela banda depois do Live Aid. Na sequência, "A Kind Of Magic" corrobora a capacidade de Roger Taylor como compositor. Transformada por Freddie Mercury em um excelente hino pop-rock, a faixa se tornou um dos maiores sucessos do quarteto.


O disco diminui o ritmo com "One Year Of Love", uma balada jeitosa escrita por John Deacon. A falta da guitarra de Brian May, substituída pelo saxofone de Steve Gregory, dá à música uma atmosfera aprimorada que se encaixa impecavelmente com a interpretação sentimental de Mercury. Já "Pain Is So Close To Pleasure" submerge sem medo na Soul Music e no pop oitentista, mostrando que o Queen se mantinha preparado a experimentar sem afetar sua identidade.


Em "Friends Will Be Friends", a banda aposta na singeleza. Piano, guitarras discretas e um refrão poderoso transformam a música em um daqueles hinos emotivos que se tornaram marca registrada do grupo, funcionando tão bem nos alto-falantes quanto diante de milhares de pessoas em um estádio.


O ponto mais alto do álbum, porém, chega com "Who Wants To Live Forever". Inspirada por “Highlander”, a composição de Brian May (que canta a parte inicial da música) é uma das grandes baladas da carreira do Queen. A combinação entre a National Philharmonic Orchestra, os arranjos refinados e a interpretação magistral de Freddie Mercury resultam em uma canção que transcende o próprio filme e permanece entre as obras mais emocionantes da banda.


Na reta final, "Gimme the Prize (Kurgan's Theme)" devolve o peso ao repertório com guitarras enérgicas e uma performance vocal intensa de Mercury, enquanto "Don't Lose Your Head" aproveita os sintetizadores e na estética eletrônica característica da década de 1980. O encerramento não poderia ser mais pomposo: "Princes Of The Universe", que reúne Hard Rock, mudanças de andamento e harmonias vocais características do Queen em uma faixa explosiva, que compendia toda a imponência do álbum e se tornou inseparável da imagem de Highlander.


Mesmo nas faixas menos conhecidas, “A Kind Of Magic” seguiu com um padrão superior de composição e produção. O álbum impetra atrelar distintos estilos sem ecoar fragmentado, mérito da maturidade artística da banda e da produção.


Com mais de seis milhões de cópias vendidas e uma bem-sucedida Magic Tour, o disco consolidou a recuperação do grupo após um período de turbulências. Acabaria também entrando para a história como o último álbum de estúdio promovido em uma turnê com Freddie Mercury.


Quase quatro décadas depois, “A Kind Of Magic” segue como um dos trabalhos mais completos da fase final do Queen. Talvez não tenha o impacto revolucionário de “A Night At The Opera” (1975) nem o peso histórico de “News Of The World” (1977), mas reúne alguns dos maiores clássicos da banda e ratifica um quarteto que, mesmo próximo do fim de sua trajetória nos palcos, ainda era capaz de soar criativo, ambicioso e absolutamente grandioso.

 

Álbum: A Kind Of Magic

Intérprete: Queen

Lançamento: 2 de junho de 1986

Gravadora/Distribuidora: EMI, Parlophone (UK) e Capitol, Hollywood (EUA)

Produtores: Queen, Reinhold Mack e David Richards

 

Freddie Mercury: vocal, piano e teclados em “A Kind Of Magic”, “Friends Will Be Friends” e “Princes Of The Universe

John Deacon: baixo e teclados em “One Year Of Love” e “Pain Is So Close To Pleasure”, guitarra rítmica em “Pain Is So Close To Pleasure” e “Don't Lose Your Head

Roger Taylor: bateria, coro, bateria eletrônica em “One Vision”, teclados em “A Kind Of Magic” e “Don't Lose Your Head

Brian May: guitarra solo, coros, teclados em “One Vision” e “Who Wants To Live Forever

 

Spike Edney: teclados

Joan Armatrading: refrãos em “Don't Lose Your Head

Steve Gregory: saxofone alto em “One Year Of Love

Lynton Naiff: arranjos e condução da sessão de cordas em “One Year Of Love

National Philharmonic Orchestra: arranjos por Michael Kamen e May e condução de Kamen em “Who Wants To Live Forever

 

1. One Vision (Taylor / Mercury / May / Deacon)

2. A Kind Of Magic (Taylor)

3. One Year Of Love (Deacon)

4. Pain So close To Pleasure (Mercury / Deacon)

5. Friends Will Be Friends (Mercury / Deacon)

6. Who Wants To Live Forever (May)

7. Gimme The Prize (Kurgan's Theme) (May)

8. Don't Lose Your Head (Taylor)

9. Princes Of The Universe (Mercury)


Por Jorge Almeida

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Obrigado, Messi!

Psicodramas insurgentes *

Artigo: Salve, Jorge!