Exposição “Boca do Sertão” no MAC-USP
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| A obra "Corpos-dor-mente" (2025), de Irineu Nje'a Terena, em exposição no MAC-USP. Foto: Jorge Almeida |
O Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC USP) exibe a exposição “Boca do Sertão”, primeira exposição individual do artista indígena e pesquisador Irineu Nje’a Terena até o próximo dia 28 de junho. A mostra reúne cerca de dez obras - entre cerâmicas, pinturas, desenhos, instalações, documentários, videoperformances e animações - para tratar a história dos povos originários do interior paulista, caracterizada por métodos de violência, deslocamentos forçados e extinção cultural.
Nascido na Aldeia Kopenoti, na Terra Indígena Araribá, e atualmente residente em Bauru, Irineu amplia uma produção que profere arte, pesquisa e memória. Sua produção visa robustecer a presença indígena contemporânea, ao mesmo tempo em que revisita casos pouco tratados da história regional.
O título da exposição faz referência à expressão “boca do sertão”, de acordo com a tradição vinculada às áreas de demarcação entre os centros urbanos e os territórios indígenas. A partir desse conceito, a exposição permite um pensamento sobre os impulsos da expansão territorial no interior paulista, especialmente durante a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, iniciada no começo do século XX. Nesse contexto, povos Kaingang foram retirados de suas terras e reunidos em aldeamentos como Icatu, Braúna e Vanuíre, onde suas comunidades seguem lutando até hoje.
Com curadoria do próprio artista e acompanhamento curatorial de Fernanda Pitta, a mostra contém uma narrativa estabelecida a partir de aspecto indígena, apreciando a autorrepresentação e o protagonismo dos povos originários. Antes de chegar ao MAC USP, a exposição, realizada com apoio do ProAC, passou por Bauru, Araraquara e Birigui.
A exposição reforça o compromisso do museu com o aumento de vozes e narrativas historicamente silenciadas, oferecendo ao público um olhar crítico sobre o passado e o presente dos povos indígenas no Brasil.
Entre os destaques estão
obras como “Oti-Xavante” (2025), de cerâmica cozida; “Corpos-dor-mente” (foto),
de 2025, composta por madeira de dormentes, tecido em tear; e o vídeo de 28 min
intitulado “Corpo-Memória” (2026).
SERVIÇO:
Exposição: Boca do Sertão
Onde: Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP) – Av.
Pedro Álvares Cabral, 1301 - Ibirapuera
Quando: até 28/06/2026; de terça a domingo, das 10h às 21h
Quanto: entrada gratuita
Por Jorge
Almeida

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