Barão Vermelho: 40 anos de “Declare Guerra!”
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| “Declare Guerra!”: o primeiro disco do Barão Vermelho sem Cazuza, que completa 40 anos em 2026. |
Neste ano, o quarto disco de estúdio do Barão Vermelho, “Declare Guerra!”, completa 40 anos de lançamento. Gravado e mixado entre fevereiro e março de 1986, o álbum foi produzido pela banda juntamente com Ezequiel Neves e lançado pela Som Livre. O registro ficou marcado como o primeiro do grupo sem Cazuza.
Depois
de uma apresentação épica na primeira edição do Rock In Rio e com três bons
discos no currículo, o Barão Vermelho estava consagrado no Brasil. Mas, pouco
tempo depois, veio a “bomba”: Cazuza decide deixar a banda e partir para a
carreira solo. A saída de Caju, no começo, foi um tanto quanto conturbada,
causando até uma ruptura na amizade entre os principais letristas do Barão,
Cazuza e Frejat, mas que se reconciliariam anos depois, perto da morte do
cantor, em 1990.
Sem
o seu principal compositor que, inclusive, levou duas composições que fariam
parte de seu ‘debut’ solo, como “Exagerado” e “Só As Mães São Felizes”, coube então a Roberto
Frejat a assumir os vocais, além das guitarras. Então, ainda como quarteto, o
Barão Vermelho, que estava prestes a iniciar as gravações do novo disco,
atrasou um pouco a conclusão do primeiro trabalho sem Cazuza. Assim, os caras
tiveram a colaboração de letristas externos do grupo, como Arnaldo Antunes, dos
Titãs, e Renato Russo, da Legião Urbana, além de Júlio Barroso e Antônio
Cícero.
O
play apresenta pelo menos três temas que tem a participação de Cazuza nas
letras: “Um Dia na Vida”,
que abre a obra e que fora tocada previamente no Rock In Rio, além de “Maioridade” e “Que o Deus Venha”,
baseada em um texto de Clarice Lispector, boas músicas, mas nada de
extraordinário.
A
obra ainda contém as divertidas “Desabrigado” e “Não Quero Seu Perdão”, além de “Bumerangue Blues”,
que tem boa parte um texto de Renato Russo. Outra faixa que chama atenção é “Linda e Burra”,
mas não pela letra em si que, pelo título em si, já chama atenção e, hoje em
dia, seria motivo de “cancelamento”, mas pelo fato dela ter sido cantada pelo
tecladista Maurício Barros.
Mas,
os destaques mesmo ficam por conta dos carros-chefes da obra: as clássicas “Torre de Babel”,
com seu andamento cadenciado, e a ‘baronesca’ “Declare Guerra”, um grito de sobrevivência do
Barão Vermelho.
As
demais faixas são razoáveis, que não trazem nada de extraordinário.
Contudo,
vale deixar claro que “Declare
Guerra!” não é um disco ruim, apenas está no patamar abaixo em
relação aos três primeiros trabalhos. Além disso, outro fator desfavorável à
obra foi a pouca divulgação do álbum, talvez, por má vontade da gravadora, além
de problemas na prensagem, o que colaborou na baixa vendagem do disco e que, em
seguida, permitiu que o Barão Vermelho trocasse a Som Livre pela WEA.
Sim,
“Declare Guerra!” é
um bom registro, mas que foi bastante prejudicado pela gravadora e, ainda bem,
que o Barão Vermelho, apesar dos percalços, conseguiu se manter firme e seguiu
em frente.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por
Jorge Almeida

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