George Harrison: 45 anos de “Somewhere In England”
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| As duas versões da capa de “Somewhere In England”, de George Harrison, álbum que completa 45 anos em 2026. |
No último dia 1° de junho, o nono álbum de estúdio da carreira solo de George Harrison, “Somewhere In England”, completa 45 anos de lançamento. No caso, a versão britânica da obra, uma vez que a edição norte-americana saíra quatro dias depois. Gravado esporadicamente entre março a novembro de 1980 e concluído em fevereiro de 1981, no estúdio Friar Park, Henley-on-Thames, em Oxfordshire, na Inglaterra, o material saiu pela Dark Horse/Warner Bros. e co-produzido pelo próprio Harrison em parceria com Ray Cooper.
A
produção do disco foi longa, pois durante o processo de criação surgiram
conflitos entre a Warner Bros. e o músico, uma vez que os executivos da
gravadora rejeitaram boa parte do material do álbum, pois, para eles, o disco
soava “muito descontraído” e não era atrativamente comercial. Então, George
Harrison concordou e retrabalhar o disco e gravou um novo material.
Então, Harrison voltou a trabalhar o disco em novembro, em seu
estúdio. Nesse período, seu ex-companheiro de Beatles, Ringo Starr, aparecia de
vez em quando para George produzisse algumas músicas para ele. Juntos, os dois
gravaram “Wrack My Brain”
e “All These Years Ago”
(que ficou inacabada), ambas para George Harrison e o cover de “You Belong To Me”
para o disco de Ringo, “Stop
And Smell The Roses” (1981).
E,
como o mundo inteiro sabe, John Lennon fora assassinado em 8 de dezembro de
1980 por Mark Chapman em frente ao edifício Dakota, em Nova York. Arrasado pela
morte de Lennon, George optou em utilizar a gravação inacabada de “All These Years Ago”,
modificou a letra, a partir da reflexão que tivera por conta da morte Lennon e,
então, ele aproveitou a bateria pré-gravada por Ringo, e convidou o casal Paul
e Linda McCartney, além de Denny Laine (companheiro do casal McCartney no
Wings) para gravar os vocais de apoio no começo de 1981.
Junto
com “All These Years Ago“,
mais três canções foram adicionadas ao álbum: “Blood From A Clone” (uma crítica aos executivos da
Warner Bros. que rejeitaram seu álbum original), “Teardrops” e “That Which I Have Lost“. Para abrir espaço para as
novas canções, Harrison decidiu lançar quatro faixas da formação original: “Tears Of The World“,
“Sat Singing“, “Lay His Head” e
“Flying Hour“.
O
disco possui bons temas, como a pop “Blood From The Clone”, que abre a obra. Em
seguida, o play apresenta “Unconsciousness
Rules”, um rock bem interessante e com um bom trabalho de
backing vocals. A faixa três é a bela “Life Itself“, em que Harrison explicita todo o seu
misticismo espiritual. O quarto tema é o carro-chefe da obra, a já citada
clássica “All These Years Ago”,
que fora escrita originalmente para Ringo, mas que acabou não sendo utilizada
pelo ex-baterista dos Beatles devido ao seu tom ser muito alto para Starr
cantar. A música foi refeita como uma forma de Harrison homenagear Lennon. Ela
saiu como single, atingindo o 13° lugar dos charts britânicos e o segundo lugar
das paradas norte-americanas. Sem dúvidas, a melhor música do disco. Fã do
compositor Hoagy Carmichael, George homenageou o ídolo ao regravar “Baltimore Oriole”,
canção do compositor norte-americano de 1942, e que encerra o lado A do disco.
O lado B começa com “Teardrops“, que tem bem o estilo da década de 1980
e um apego extremamente comercial, justamente do jeito que a Warner pediu. Para
atender a essa exigência, George Harrison a compôs durante suas férias no Havaí
em outubro de 1980. O misticismo do músico volta em “That Which I Have Lost“, com um estilo country
agradável de ouvir. Em seguida, o play apresenta “Writing’s On The Wall“, outra faixa que aborda
questões espirituais e filosóficas em suas composições. E, apesar de Harrison
cantar sobre a natureza transitória da vida e o valor em reconhecer um
propósito espiritual, ela não foi composta a respeito da morte de Lennon, o que
levou muitos ouvintes a pensar que fosse por conta disso, contudo, o músico a
gravou antes mesmo do assassinato de John. O título da música foi tirado do
livro bíblico de Daniel (Dn. 5:7). A penúltima faixa é outro cover de
Carmichael: “Hong
Kong Blues“, que é um pop que não compromete no conjunto da
obra. E, na sequência, “Save
The World“, faixa que finaliza o tracklist do lançamento original
do álbum, transmite a desaprovação de George Harrison pelas questões ecológicas
e maquinações políticas que ameaçavam o mundo no início dos anos 1980,
justamente no ano em que o músico tornou-se membro do Greenpeace. Ou seja, a
música foi a primeira investida de Harrison de fazer canções focadas na
ecologia.
Em
2004, “Somewhere In England”
foi remasterizado e relançado com a mixagem original de “Uncosciousness Rules”,
uma versão demo acústica de “Save
The World” e com a capa que foi vetada pela gravadora. E na
edição do iTunes Music Store ainda contém “Flying Hour” como faixa bônus, porém, não é a
versão original que fora rejeitado para entrar no LP original, mas sim no CD
single que acompanhou o raríssimo livro “Songs By George Harrison”, de 1988. Ela foi feita em
parceria entre George Harrison e Mick Halphs, guitarrista do Bad Company.
Outro ponto importante a destacar do disco que não pode ser
ignorado é a sua capa. A arte da capa original trazia Harrison, de perfil,
contra um mapa da Grã-Bretanha, porém, foi vetada pela Warner Bros. Então, para
a nova capa, foi feita uma sessão de fotos na Tate Gallery, em Londres, que foi
reenviada e aceita pela gravadora.
Apesar
de os críticos, mais uma vez, torcerem o nariz para George Harrison, “Somewhere In England”
vendeu bem, especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Contudo, esse
registro é um álbum mediano na discografia do guitarrista. Mas, vale sim ser
apreciado.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
George Harrison: voz, backing vocal, guitarras, violões, teclados, sintetizadores e gubgubbi (instrumento de cordas de percussão indiano)
Por Jorge Almeida

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