Barão Vermelho: 30 anos de “Álbum”

 

"Álbum", do Barão Vermelho, completa 30 anos de lançamento em 2026.

Nesse mês de junho, o disco “Álbum“, o 11° trabalho de estúdio do Barão Vermelho, completa 30 anos de lançamento. Gravado entre novembro de 1995 e fevereiro de 1996, no estúdio nas Nuvens, no Rio de Janeiro, e no Cia. dos Técnicos Studios. A obra foi lançada pela WEA e produzido pela banda com Ezequiel Neves. O play se destaca por ter sido o primeiro trabalho da banda de covers, melhor, releituras.

O Barão Vermelho adentrou a década de 1990 com seus trabalhos mais “Rock And Roll”, com “Supermercados da Vida” (1992) e “Carne Crua” (1994), com riffs stonianos e as letras sérias encabeçadas por Roberto Frejat. Mas, até que, em 1996, a banda apostou em uma nova sonoridade, misturando funk, samba e MPB, em que eles trazem interpretações de artistas que os influenciaram. Ao contrário do que poderíamos pensar, a opção em lançar um material com regravações de outros nomes da música, não foi por falta de material inédito, mas sim de experimentarem algo novo e o resultado disso foi “Álbum“, com versões que vão desde o ídolo roqueiro Raul Seixas ao sambista Bezerra da Silva, tudo com arranjos mais suingados e mais voltado para o R&B do que o “rock stoniano”. No lançamento original de 1996 da obra, havia uma faixa interativa com entrevistas e jam sessions.

A obra começa com “Só Pra Variar“, de Raulzito, com Frejat cantando de forma falada na anárquica faixa, acompanhado de um ótimo instrumental, vale conferir o ótimo solo de guitarra que, na primeira vez que ouvi, pensei tratar-se de “Abacateiro“, de Gilberto Gil, e a grande performance do saudoso Peninha na percussão. O tema seguinte é “Malandragem Dá Um Tempo“, clássico samba de Bezerra da Silva, com uma levada roqueira em que Frejat faz alusão a um cigarro “diferente”. O terceiro tema é o hit ‘jovemguardiano’ “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo“, sucesso de Eduardo Araújo que o Barão deixou com um groove bem agradável e que fez bastante sucesso na época, boa parte dele por conta da presença da versão ‘baronesca’ da música em um comercial da Rider. Já em “Só As Mães São Felizes“, é uma composição do próprio Frejat com Cazuza, que saiu originalmente no álbum solo de Caju – “Exagerado” (1985). Enquanto Cazuza fez uma interpretação mais “ácida”, conforme a letra, contudo, Roberto Frejat deixou o vocal bem grave e a roupagem do Barão ficou mais atual (para os anos 1990, claro), mas que, segundo Frejat, essa versão é a que seria a original. E o disco chega ao meio com “Vale Quanto Pesa“, de Luiz Melodia, que ganha uma boa versão em samba-rock em homenagem ao falecido cantor, com boas doses de guitarra e de percussão.

A segunda parte da obra vem com “Perdidos na Selva“, clássicão da Gang 90, que o Barão Vermelho já tocava na turnê de “Na Calada da Noite” (1990), mas que ficou mais rock na ótima “new wave” composta por Júlio Barroso e Guilherme Arantes. Em seguida, a releitura de “Amor, Meu Grande Amor“, de Ângela Rô Rô, uma bonita balada bem interpretada por Frejat que, inclusive, sugeriu regravá-la. Aliás, a admiração pela cantora o motivou, junto com Cazuza, a compor “Malandragem” que, antes de estourar com Cássia Eller, fora feita originalmente para Ângela que, na época, infelizmente, recusou a cantá-la. Depois, outro tema da Jovem Guarda, “Não Há Dinheiro Que Pague“, de Renato Barros, que ficou imortalizada com Roberto Carlos, contudo, aqui, o Barão fez deu uma “repaginada” que ficou mais moderna e bem legal. A penúltima música é a minha favorita da obra: “Jardins da Babilônia“, de Rita Lee (que assinou juntamente com Lee Marcucci), que tem um solo de guitarra no meio que lembra algo relacionado a circo, mas que, de todas as faixas, é a que mais se parece com a original. Ótima versão, diga-se de passagem. E, para encerrar, “Um Índio“, de Caetano Veloso, que ficou muito bem arranjada, deixando-a bem atual e, inclusive, Roberto era contra a inclusão dessa música no disco por achá-la difícil de cantar, mas (ainda bem) acabou entrando. Além disso, a obra tem uma faixa oculta, na realidade, uma brincadeira de estúdio, intitulada “Um, Dois, Três, Quatro…“.

Esse trabalho que permitiu ao grupo novas sonoridades para experimentar culminou em um belo disco e uma grande forma de homenagear seus ídolos e inspirações. É um disco bem divertido e agradável de ouvir. Fica a dica.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Obra: Álbum
Intérprete: Barão Vermelho
Lançamento: junho de 1996
Gravadora/Distribuidora: WEA
Produtores: Barão Vermelho e Ezequiel Neves

Roberto Frejat: voz, guitarra base, violão e bandolim
Guto Goffi: bateria e programação
Maurício Barros: teclados, clavinete, órgão Hammond e piano Rhodes
Fernando Magalhães: guitarra solo e backing vocal
Rodrigo Santos: baixo, gongo e backing vocal
Peninha: percussão, trombone e backing vocal em “Malandragem Dá Um Tempo

Andrézinho e Zeca Jagger: backing vocals
Zé Carlos Bigorna: sax tenor
Henrique Band: trompete em “Não Há Dinheiro Que Pague
Sérginho: trombone
Bidinho e Paulinho: flugelhorn em “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo” e “Não Há Dinheiro Que Pague

1. Só Pra Variar (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
2. Malandragem Dá Um Tempo (Adelzoniton / Popular P. / Moacyr Bombeiro)
3. Vem Quente Que Eu Estou Fervendo (Carlos Imperial / Eduardo Araújo)
4. Só As Mães São Felizes (Roberto Frejat / Cazuza)
5. Vale Quanto Pesa (Luiz Melodia)
6. Perdidos na Selva (Júlio Barroso / Guilherme Arantes)
7. Amor, Meu Grande Amor (Ana Terra / Ângela Rô Rô)
8. Não Há Dinheiro Que Pague (Renato Barros)
9. Jardins da Babilônia (Lee Marcucci / Rita Lee)
10. Um Índio (Caetano Veloso)
11. Um, Dois, Três, Quatro… (faixa oculta) (Ezequiel Neves / Barão Vermelho)

Por Jorge Almeida

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