"Um filme de Medo" e "Sagrado" vencem 31ª edição do É Tudo Verdade *
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| Foto meramente ilustrativa. |
“Sonhos de Apagão” e “Os Arcos Dourados de Olinda” foram premiados entre os curtas; quatro vencedores têm exibições extras no dia 19 em São Paulo no Rio de Janeiro
O É
Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários anunciou neste
sábado (18) os vencedores de sua 31ª edição – os filmes das competições
principais recebem o Troféu É Tudo Verdade, criado por Carlito Carvalhosa, e se
tornam elegíveis para consideração para o Oscar. Desde 2018, o É Tudo
Verdade é reconhecido como um “Qualifying Festival” pela Academia de
Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
O
grande vencedor da Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens
foi Um Filme de Medo (Espanha/Portugal), do diretor brasileiro
sediado na Espanha Sergio Oksman, que se hospedou com o filho de doze anos em
um hotel em Lisboa parecido com aquele abandonado do clássico O
Iluminado, de Stanley Kubrick. O filme recebe um prêmio de R$ 12.000.
JUSTIFICATIVA
DO JÚRI
Em um filme de terror, não há monstros, apenas a distância entre dois
mundos, pai e filho. O pai tem medo de herdar os fantasmas do passado, e o
filho caminha leve, quase sem sombra.
As
articulações entre família e política propostas pela estreante Jihan em Meu
Pai e Gaddafi receberam do júri uma menção honrosa.
JUSTIFICATIVA
DO JÚRI
A
partir da busca da filha por seu pai, somos conduzidos a conhecer as tramas de
poder em um país atravessado pelo conflito.
Entre
os curtas internacionais, o premiado foi Sonhos de Apagão, de
Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso e Andrea Settembrini, sobre os blecautes
em Cuba. O filme recebe ainda R$ 6.000.
JUSTIFICATIVA
DO JÚRI
Uma
sociedade agredida através do tempo e como viver com infindáveis boicotes. A
ausência de energia elétrica na ilha se transforma em um recurso expressivo e
cinematográfico.
Na
mesma categoria, o júri concedeu menção honrosa ao francês Se Não
Gosta, Não Olhe, da diretora estreante Margaux Fournier.
JUSTIFICATIVA
DO JÚRI
Na
areia, sob o céu aberto, mulheres aposentadas e irreverentes se encontram com
frequência, transbordando amor pela vida. Falam sem filtro — sinceras, diretas,
vivas. Um cinema da intimidade onde o corpo é político.
O
júri da competição internacional deste ano foi composto pela produtora, realizadora
e diretora de fotografia Heloisa Passos (Eneida, 2022), pelo
documentarista e produtor Ricardo Casas (El Padre de Gardel, 2014) e
pela cineasta Vivian Ostrovsky, homenageada pela retrospectiva desta edição do É
Tudo Verdade.
A
paulistana Alice Riff venceu a Competição Brasileira de Longas ou
Médias-Metragens com Sagrado, que mergulha na rotina de professores
e funcionários de uma escola pública em Diadema, na Grande São Paulo. O filme
recebe ainda um prêmio de R$ 20.000.
JUSTIFICATIVA
DO JÚRI
“Por
afirmar, com rara precisão, um cinema em que a política se inscreve na forma,
no gesto e nas relações do cotidiano. Sem recorrer a artifícios, o filme
sustenta, do título ao último plano, uma direção segura, rigorosa e
profundamente consciente de seus meios. Ao escolher uma estratégia narrativa
fundada na escuta, na observação e no respeito radical aos seus personagens,
constrói uma experiência em que o invisível se torna presença sensível. A
partir de um material de arquivo que prescinde de explicação, o filme se
organiza em espiral até alcançar um plano-sequência final de grande potência,
conduzido pelas vozes das crianças. Nesse gesto, simples apenas na aparência, o
filme se afirma como uma obra de rara integridade, em que elaboração estética e
potência política são indissociáveis. E afirma, com delicadeza e rigor, um
cinema onde invenção, poesia e luta se tornam indissociáveis.”
Apopcalipse Segundo Baby, o retrato de Baby do Brasil
dirigido por Rafael Saar, recebeu a menção honrosa na mesma categoria.
JUSTIFICATIVA
DO JÚRI
“Por
articular, de forma visceral e autêntica, a personalidade da protagonista e sua
persona performática, incorporando à própria forma do filme sua força, energia
e pulsação. Ao evocar a memória da música popular brasileira, o filme constrói
um retrato fiel e vibrante, que preserva a originalidade da personagem e revela
um trabalho rigoroso de pesquisa e elaboração. No uso dos materiais de arquivo,
evidencia-se o rigor, o cuidado e o profundo respeito do realizador.”
O
título de estreia do pernambucano Douglas Henrique, Os Arcos Dourados
de Olinda, sobre o embate em torno da instalação de uma unidade da rede
McDonald’s, foi escolhido o melhor curta-metragem brasileiro, com um prêmio de
R$ 6.000.
JUSTIFICATIVA
DO JÚRI
“Pela
irreverência e pelo humor na construção de uma narrativa lúdica que surpreende
ao reinventar o uso do material de arquivo. Ao transfigurá-lo com liberdade e
invenção, o filme constrói uma crítica ao imperialismo ao mesmo tempo afiada e
desarmada, que assume sem receio o popular, o clichê e as contradições da
própria identidade.”
Ainda
nessa categoria, o júri concedeu menção honrosa a dois filmes: Filme-Copacabana,
da também estreante Sofia Leão, e Divino: Sua Alma, Sua Lente,
dirigido por Clea Torres e Gilson Costta.
JUSTIFICATIVA
DO JÚRI
Filme-Copacabana
“Pela ousadia da proposta e pelo uso inventivo do som como eixo de
montagem, articulando afetos e corpos na construção de um retrato sensível de
um território múltiplo.”
O júri da competição brasileira foi composto pela documentarista e montadora Carol Benjamin (Fico te Devendo uma Carta Sobre o Brasil, 2019), pelo diretor Eryk Rocha (Rocha que Voa, 2002) e pela pesquisadora e cineasta Helena Tassara.
“O
júri brasileiro destaca a força e a vitalidade dos filmes em competição na
seleção de 2026, tanto nos longas quanto nos curtas. O conjunto das obras
desenha um panorama pulsante do documentário brasileiro contemporâneo, em que
formas e narrativas se reinventam com rigor, liberdade e risco. São filmes atravessados
por gestos autorais contundentes, que afirmam, na pluralidade de perspectivas,
a potência criadora de um cinema em permanente transformação. Desse campo de
tensões emerge um cinema múltiplo, indisciplinado e profundamente comprometido
com seu tempo”, eles escreveram ao revelar os premiados.
A 31ª
edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários conta
com o patrocínio do Itaú, a parceria do Sesc-SP e o apoio cultural da Spcine,
Galo da Manhã, Fundação Itaú e Itaú Cultural. A realização está a cargo do
Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, e Governo
do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria
Criativas.
O É
Tudo Verdade 2026 apresentou 75 filmes de 25 países, exibidos em
sessões gratuitas em quatro salas em São Paulo e em três salas no Rio de
Janeiro. Uma programação exclusiva em streaming no Itaú Cultural
Play exibe, entre 20 de abril e 5 de maio, 10 destaques entre os
curtas-metragens desta 31ª edição.
A
retrospectiva de 2026 foi dedicada aos 80 anos da cineasta Vivian Ostrovsky
(nascida em Nova York, criada no Rio de Janeiro e formada em Paris). Com
curadoria da também cineasta e pesquisadora Fernanda Pessoa, foram apresentados
14 filmes, percorrendo quatro décadas de produção e com imagens captadas em
mais de dez países. A mostra inclui ainda um filme inédito sobre Vivian
dirigido por Fernanda.
O
festival prestou ainda homenagem a cinco documentaristas: Jean-Claude
Bernardet, com a exibição de Sobre Anos 60 (2000), Luiz Ferraz
e Rubens Crispim Jr., com Em Nome do Jogo (2025), Silvio
Da-Rin, com Missão 115 (2018), e Silvio Tendler,
com Os Anos JK – Uma Trajetória Política (1980).
Premiação paralela
Na
cerimônia também foram anunciados os vencedores dos prêmios paralelos:
SERVIÇO
31º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários
Exibição dos filmes premiados:
São Paulo
DOMINGO, 19 de abril
16h
Sonhos de Apagão | Blackout Dreams | Sueña Ahora
Dir. Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso, Andrea Settembrini
Cuba, Itália; 20’; 2025
Dir. Sergio Oksman
Espanha, Portugal; 72'; 2025
18h
Os Arcos Dourados de Olinda | Olinda’s Golden Arches
Dir.
Douglas Henrique
Brasil;
24’; 2025
Sagrado | Sacred
Dir.
Alice Riff
Brasil;
90'; 2026
Sala Grande Otelo - 208 lugares
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino
Rio de Janeiro
DOMINGO, 19 de abril
15h
Sonhos de Apagão | Blackout Dreams | Sueña Ahora
Dir. Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso, Andrea Settembrini
Cuba, Itália; 20’; 2025
Dir. Sergio Oksman
Espanha, Portugal; 72'; 2025
17h30
Os Arcos Dourados de Olinda | Olinda’s Golden Arches
Dir.
Douglas Henrique
Brasil;
24’; 2025
Sagrado | Sacred
Dir.
Alice Riff
Brasil;
90'; 2026
Créditos: Patrícia Rabello
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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