The Rolling Stones: 35 anos de “Flashpoint”
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| "Flashpoint", dos Rolling Stones, completa 35 anos de lançamento em 2026. |
Nesta quinta-feira, 2 de abril, véspera do feriado de Sexta-feira da Paixão, marca o 35° aniversário de “Flashpoint”, o quinto disco ao vivo dos ‘dinossauros’ Rolling Stones. Gravado entre novembro de 1989 e janeiro de 1991, durante a mega-turnê “Steel Wheels/Urban Jungle Tour”, ou seja, duas turnês em um ano só. Produzido por Chris Kimsey e pelos The Glimmer Twins, o registro saiu pela Rolling Stones Records e Sony. Para os fãs, é um trabalho emblemático porque marca a saída do “único baixista oficial” da banda, Bill Wyman. O material ainda apresenta duas faixas de estúdio inéditas.
Depois de terem passado boa parte dos anos 1980 brigados, mais especificamente Mick Jagger e Keith Richards, os Rolling Stones voltaram com tudo em 1989 quando lançaram “Steel Wheels”, que teve boas vendagens e que ajudou para que a banda ousasse em suas turnês, ao implantar palcos grandiosos, apresentações longas, com mais de duas horas de duração, com grandes nomes do rock para fazer abertura de seus shows, participações especiais de ‘medalhões’ da música, como Axl Rose ‘duetando’ com Jagger ou Eric Clapton tocando junto com Keith Richards e Ron Wood. O resultado disso: bilheteria cheia e faturamento milionário.
E “Flashpoint” é o primeiro registro ao vivo da banda nessa nova fase e também o primeiro do grupo desde 1982, quando lançaram “Still Life”. Então, com exposição massiva na mídia, os Stones caíram na estrada e, durante as apresentações realizadas pela América do Norte, Europa e Japão, foram gravadas algumas faixas dos 115 shows das duas turnês que culminaram com o lançamento do álbum.
Com o contrato com a Sony Music encerrado após “Flashpoint”, a banda assinou um acordo com a Virgin Records ainda em 1991, menos Bill Wyman. Depois de 30 anos com o grupo, o baixista decidiu que era hora de se aposentar e investir em outros projetos. A vontade de Wyman de sair havia iniciado ainda durante a “Steel Wheels Tour” e só demorou para concretizar porque os demais membros insistiam constantemente para ele repensar sobre o assunto, então, Bill Wyman prosseguiu como um stone até janeiro de 1993. E, desde então, até hoje, o grupo não preencheu a vaga deixada por ele com um integrante permanente, mas colocou Darryl Jones no lugar de Wyman como músico contratado.
O álbum começa com uma ‘intro’ de um trecho percussivo de “Continental Drift”, de “Steel Wheels”, depois Jagger e companhia presenteiam os fãs com uma overdose de clássicos stonianos mesclados com temas mais recentes: “Start Me Up”, “Sad Sad Sad”, novidade na época, “Miss You”, “Rock And A Hard Place”, que ainda não era clássico, “Ruby Tuesday”, “You Can’t Always Get What You Want“, com Mick Jagger fazendo um dueto com o público, “Factory Girl”, uma esquecida faixa de “Beggar’s Banquet” (1968) e o play chega à metade com “Can’t Be Seen”, cantada por Richards.
Em seguida, Eric Clapton dá as caras e toca em “Little Red Rooster”, um Blues de Willie Dixon e que, além do show à parte do trio Clapton, Richards e Ron Wood, os tecladistas – Matt Clifford e Chuck Leavell – abrilhantam a performance. Na sequência, vem a melhor parte do repertório: “Paint It Black“, “Sympathy For The Devil“, “Brown Sugar“, “Jumpin’ Jack Flash” e, claro, a obrigatória “(I Can’t Get No) Satisfaction“, em uma versão que passou de seis minutos.
Em relação às músicas de estúdio inéditas: “Highwire”, que foi lançada como single, traz uma letra que Mick Jagger foi motivado a escrever em virtude da Guerra do Golfo; e, “Sex Drive”, que encerra o registro, é uma forma qualificada que o vocalista encontrou para expressar sua admiração por James Brown.
Outras faixas que faziam parte do setlist da banda na época e que não entraram em “Flashpoint” foram lançadas como lados B’s de singles, como “2000 Light Years From Home“, que foi lado B de “Highwire“, ou “Gimme Shelter”, que saiu em 1993 como um single para caridade, por exemplo.
O play chegou ao sexto lugar das paradas britânicas, enquanto ficou em 16° na Billboard 200, porém, recebeu certificados de Ouro na Áustria, Canadá, Alemanha, Nova Zelândia, Suíça e, claro, Reino Unido e Estados Unidos. Na Holanda receberam platina.
Aliás, por questão de espaço, a versão em LP de “Flashpoint” não trazia “Rock And A Hard Place” e “Can’t Be Seen“. Além disso, o álbum foi remasterizado e reeditado pela Virgin Rcords em 1998 e novamente em 2010 pela Universal Music.
De fato, “Flashpoint” não é o melhor álbum ao vivo dos Rolling Stones, tanto que há diversas críticas desfavoráveis ao play, porém, não é um registro que merece ser ignorado, pois, o repertório é muito bom e, querendo ou não, ele captou justamente o começo da onda dos mega-espetáculos dos shows dos Rolling Stones. Vale sim a aquisição.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

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