Mais que hábito, ler é perceber, por Danilo Quartiero Filho*
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| Foto meramente ilustrativa. |
A literatura é uma ferramenta poderosa de desenvolvimento e conexão humana. Essa mensagem é reforçada pelo Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril, que coloca em pauta a valorização da leitura, dos escritores, bem como dos direitos autorais. O mercado editorial brasileiro passa, agora, por um momento bom: temos mais leitores, mais interesse por livros, mais vendas e, especialmente, um crescimento consistente da narrativa ficcional. Mais do que quantitativo, esse movimento revela uma mudança qualitativa na forma como as pessoas se relacionam com a leitura.
Enquanto leitor e escritor, percebo com clareza que
sempre associei o hábito de ler a um processo maior, de construção de percepção
sobre a vida e sobre o mundo. Cada história amplia a minha compreensão sobre
comportamento humano, tomada de decisões e consequências. E ao migrar da
posição de leitor para a de escritor, essa percepção se intensificou.
No desenvolvimento do meu primeiro romance, “Até que
a Morte se Disfarce”, parti justamente da ideia de que nem tudo que parece
natural necessariamente é. O comportamento humano pode nos surpreender. E
a ficção permite explorar esses temas complexos das relações humanas, como
ambição, medo e poder, sem a necessidade de respostas definitivas.
Por isso penso que incentivar novos leitores passa
por tornar a experiência de leitura ainda mais acessível e relevante. E as
narrativas ficcionais ocupam um espaço singular nesse cenário. Diferente de
conteúdos informativos, a ficção não se limita a transmitir conhecimentos
diretos. Ela constrói experiências. Ao acompanhar uma narrativa, o indivíduo
não apenas entende a história, ele a vive, interpreta, questiona.
Cria-se, em cada livro, um espaço onde o leitor pode
refletir por conta própria, sem ser conduzido de forma explícita. E, talvez,
isso explique em parte o crescimento do mercado de ficção: em um ambiente
saturado de opiniões prontas e polarizadas, a ficção devolve ao leitor o papel
de interpretar.
Escrever ficção exige não apenas criatividade,
afinal, mas também coerência interna, estrutura e, principalmente, respeito
pela inteligência do leitor. E ler ficção é mais que prender-se ao
hábito, é colocar-se disposto a refletir, descobrir e aprender.
No nosso mercado, vemos uma tendência de
concentração de leitura de nomes já consolidados, muitas vezes estrangeiros,
mas trago, ainda, uma provocação: é fundamental abrirmos espaço para vozes
contemporâneas, especialmente as nacionais. Autores brasileiros escrevem,
afinal, a partir de um repertório cultural, social e emocional muito mais
próximo, o que, muitas vezes, torna a experiência ainda mais impactante. As
pessoas se identificam com o que leem.
E, nesse contexto, valorizar a literatura nacional
não é apenas uma questão de identidade cultural. É também uma forma de
fortalecer um ecossistema criativo que depende de renovação constante. Novos
autores trazem novas perspectivas, estruturas narrativas diferentes e outras
formas de abordar temas que, embora universais, ganham nuances únicas em cada
texto.
Incentivar a leitura, portanto, não é apenas
incentivar o hábito. É criar proximidade com o leitor e incentivar a capacidade
de pensar com profundidade. E nisso, a ficção, e aqui faço menção honrosa a
todos os colegas autores nacionais, pode ser uma peça-chave.
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* Danilo Quartiero Filho é
economista, empresário, escritor e autor do livro "Até que a Morte se Disfarce".
Agradecimentos:
Bárbara Azalim | LC Agência de Comunicação
** Este conteúdo foi enviado pela assessoria
de imprensa

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