Luto no esporte brasileiro: morre Oscar Schmidt, o Mão Santa, lenda do basquete

 

Oscar Schmidt durante sua passagem pelo Corinthians (1995-1997). Foto: Divulgação/Corinthians

Nesta sexta-feira (17), depois de muito tempo, este que vos escreve foi trabalhar presencialmente. Saí de casa às 4h13, encarei transporte público e iniciei a labuta pontualmente às 6h. Até aí, mais tarde, expediente encerrado, tudo certo, dentro da normalidade. Então, a caminho de casa, entre uma integração e outra, resolvo parar para tomar um café, quando olho para a tela e vejo aquela vinheta da Globo: às 16h54, o César Tralli deu a fatídica notícia da morte de Oscar Schmidt. Fiquei “sem chão”, um dos maiores ídolos nacionais, quase unanimidade, partiu. O Brasil está de luto.

Sim, um dos maiores nomes da história do basquete brasileiro e mundial morreu na tarde desta sexta. Oscar Schmidt, o eterno “Mão Santa”, faleceu no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, após uma parada cardiorrespiratória. Ele foi socorrido, mas não resistiu. Ao longo dos últimos 15 anos, já enfrentava um tumor cerebral com a mesma coragem que marcou sua carreira. Deixa a esposa, Maria Cristina, e os filhos Felipe e Stephanie. A família optou por uma despedida reservada.

Nascido em Natal, em 1958, Oscar ingressou no esporte ainda jovem, primeiro no futebol, até se encontrar no basquete, já em Brasília. Aos 13 anos, deu os primeiros passos em um clube e, pouco depois, seguiu para São Paulo, onde rapidamente chamou atenção e iniciou a carreira no Palmeiras. Ainda adolescente, já vestia a camisa da seleção brasileira e, em 1978, conquistou seus primeiros títulos importantes.

Nos anos seguintes, construiu uma trajetória impressionante. Brilhou no Sírio, foi campeão mundial interclubes e disputou sua primeira Olimpíada em 1980. Mas foi na década de 1980 que o mundo passou a enxergar de vez o talento do brasileiro. Em 1982, foi para a Itália, onde atuou por mais de uma década e se transformou em um dos maiores pontuadores da história do campeonato local.

Em 1984, veio propostas para jogar na NBA, preferiu abrir mão da liga para continuar defendendo a seleção brasileira (quer patriotismo maior que isso?), algo que sempre tratou como prioridade. Essa escolha ajudou a construir uma relação ainda mais forte com o público e consolidou sua imagem como símbolo de amor ao país.

Com a camisa do Brasil, disputou cinco Olimpíadas e se tornou o maior pontuador da história dos Jogos, com 1.093 pontos — marca inédita até hoje. Um dos momentos mais marcantes da carreira veio nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, quando liderou a vitória histórica sobre os Estados Unidos, dentro do país rival, por 120 a 115. Pela primeira vez, a seleção ianque perdia em casa e por mais de 100 pontos.

Depois de passar também pela Espanha, voltou ao Brasil em 1995, defendeu as camisas do Corinthians, Bandeirantes e encerrou a carreira no Flamengo, em 2003. Na época, atingiu um feito gigantesco: tornou-se o maior cestinha da história do basquete mundial, ultrapassando Kareem Abdul-Jabbar, chegando aos inacreditáveis 49.973 pontos. Sua marca só foi superada, em 2024, por LeBron James.

Fora das quadras, ainda tentou a carreira como dirigente e seguiu sendo uma figura ativa no esporte. Recebeu homenagens importantes ao longo dos anos, incluindo entradas em halls da fama e o reconhecimento internacional, inclusive de ídolos como Kobe Bryant e Larry Bird.

Nas redes sociais, fãs, amigos, atletas, personalidades, autoridades, clubes (inclusive os que Oscar não atuou) e federações prestaram suas homenagens a Oscar Schmidt.

Aliás, curiosamente, Oscar e seu irmão Tadeu Schmidt são potiguares e a mãe deles é conterrânea dos meus "véios", pois nascera em Parelhas, no Seridó norte-rio-grandense. Exatamente: a mesma cidade de Tânia Maria, atriz coadjuvante que teve papel de destaque em "O Agente Secreto". 

Mais do que números impressionantes — como os 7.693 pontos pela seleção brasileira —, Oscar deixa um legado que vai além das estatísticas. Sua história é marcada por talento, personalidade forte e uma paixão rara pelo jogo. Para muitos, não foi apenas um grande jogador, mas um dos maiores nomes da história do basquete.

Descanse em paz, Oscar Schmidt. Obrigado por tudo. Seu legado é eterno.

Por Jorge Almeida

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