Jorge Ben: 50 anos de “África Brasil”

"África Brasil", de Jorge Ben, completa 50 anos de lançamento em 2026.

Hoje, 23 de abril, é dia de São Jorge. Aproveitando a ocasião da data, nada mais justo que falar a respeito de um dos trabalhos de um famoso devoto do Santo Guerreiro: Jorge Ben Jor, que lançou o antológico “África Brasil”, que completa 50 anos de lançamento neste ano. Produzido por Marco Mazzola, a obra saiu pela Philips e relançado pela Polysom, o disco se tornou um clássico absoluto da carreira de Jorge Ben (que na época não tinha o “Jor” em sua assinatura).

O álbum é um daqueles discos que marcam uma virada clara na carreira de um artista. Aqui, ele deixa de vez o violão e assume a guitarra elétrica como protagonista, trazendo um som mais pesado, mais ‘grooveado’, muito influenciado pelo funk e pelo soul norte-americano, mas mantendo a essência brasileira. É a solidificação de uma mistura que ele já vinha construindo há anos — o encontro entre a música afro-brasileira e a música negra dos Estados Unidos, base do que viria a ser chamado de Samba-Rock.

A obra foi muito bem recebida na época e continua sendo venerado, aparecendo em listas importantes da Rolling Stone entre os grandes discos da música brasileira e mundial. E não é por acaso: ele soa moderno até hoje. O álbum é tão colossal que até Max Cavalera fez questão de regravar faixa de abertura do disco com o Soulfly.

Por falar no cover, logo de cara, “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)” já corrobora o poder do disco. Com um groove irresistível e uma celebração ao futebol, tema que atravessa o disco. Em seguida, “Hermes Trismegisto Escreveu” e “O Filósofo” abordam para um lado mais místico e reflexivo, algo que Jorge já vinha tratando em trabalhos anteriores, como no mitológico “A Tábua de Esmeralda” (1974).

No contexto social, faixas como “Meus Filhos, Meu Tesouro” e “O Plebeu” trazem um retrato mais direto acerca da desigualdade e realidade brasileira, sem perder o balanço. A releitura de “Taj Mahal” entra como um dos grandes destaques — uma faixa grandiosa, quase hipnótica, que virou um dos clássicos da sua carreira.

Enquanto isso, em “Xica da Silva”, tem um lado mais suave e elegante, com influência evidente da Soul Music, enquanto “Cavaleiro do Cavalo Imaculado” e “A História de Jorge” mergulham nas referências religiosas afro-brasileiras, conectando São Jorge ao orixá Ogum.

Perto do final, “Camisa 10 da Gávea” é uma celebração direta ao futebol, ao Flamengo e, claro, a Zico (na música, é referido como “galinho de Quintino”, apelido do craque rubro-negro), com aquele clima popular e festivo que Jorge domina como poucos. E o disco se encerra com “África Brasil (Zumbi)”, uma das faixas mais fortes, tanto musicalmente quanto simbolicamente, exaltando Zumbi dos Palmares e a resistência negra.

No fim das contas, África Brasil é isso: um disco direto, pujante e muito bem assentado. Ao reunir música, identidade, religião, futebol e história em um som coeso e cheio de personalidade, o play foi um dos pontos mais altos da obra de Jorge Ben Jor. Um clássico atemporal e indefectível. É aquele disco que “não dá para pular uma faixa”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.


Álbum: África Brasil 
Intérprete: Jorge Ben
Lançamento: 1976
Gravadora/Distribuidora: Philips / Polysom (relançamento em LP)
Produtor: Marco Mazzola

Jorge Ben: voz, guitarra e arranjos de base

Banda Admiral Jorge V:
Dadi Carvalho: baixo
Gustavo Schroeter: bateria
Joãozinho Pereira: percussão
João Roberto Vandaluz: piano

Pedrinho e Wilson das Neves: bateria e timbales
Luna: surdo
Neném: cuíca
José Roberto Bertrami: teclados e arranjos de orquestra 
Djalma Corrêa, Hermes e Ariovaldo: percussão
Oberdan Magalhães e Márcio Montarroyos: metais
Marco Mazzola: arranjos vocais

1. Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) (Jorge Ben)
2. Hermes Trismegisto Escreveu (Jorge Ben) 
3. O Filósofo (Jorge Ben)
4. Meus Filhos, Meus Tesouro (Jorge Ben) 
5. O Plebeu (Jorge Ben)
6. Taj Mahal (Jorge Ben)
7. Xica da Silva (Jorge Ben)
8. A História de Jorge (Jorge Ben)
9. Camisa 10 da Gávea (Jorge Ben)
10. Cavaleiro do Cavalo Imaculado (Jorge Ben)
11. África Brasil (Zumbi) (Jorge Ben)

Salve Ogum, Salve Jorge.

Por Jorge Almeida 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Renegado lança MargeNow *

Laion Bot: Com foco em melhor praticidade, Fortaleza lança canal de atendimento por Inteligência Artificial *

11ª Feira Diversa une cultura, empregabilidade e representatividade LGBTQIA+ em São Paulo *