Grupo Pavilhão da Magnólia (CE) estreia dois espetáculos no Sesc Avenida Paulista *
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| Foto meramente ilustrativa. |
A Força da Água, vencedor do Prêmio Shell de Teatro 2025 na categoria Destaque Nacional, e Há Uma Festa Sem Começo Que Não Termina Com o Fim refletem sobre um projeto de país e são apresentados em abril e maio.
Com mais de 20 anos de atuação na cidade de
Fortaleza (CE), o premiado grupo Pavilhão da Magnólia desembarca em São Paulo para estrear dois
espetáculos no Sesc Avenida Paulista (Av. Paulista, 119 - Bela Vista): A Força da Água (de 30 de abril a 3 de maio), com texto e direção de Henrique Fontes, e o site specific Há Uma Festa Sem Começo Que Não Termina Com o Fim (dias 5 a 7 de maio), escrito e dirigido por Francis Wilker.
Como parte da programação formativa da temporada no Sesc Avenida Paulista, o grupo realiza a oficina “Trânsitos e fronteiras: encenação, dramaturgia e dramaturgismo”, no dia 10 de maio (domingo, das 11h às 18h), com condução de Francis Wilker e Thereza Rocha. A atividade propõe um percurso conceitual e prático sobre as relações — por vezes complementares, por vezes tensionadas — entre encenação, dramaturgia e dramaturgismo nas artes performativas, investigando como cada poética estabelece seus próprios acordos ético-políticos. Doutor em Artes pela ECA-USP, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante do coletivo Teatro do Concreto (DF), Francis Wilker atua como diretor, pesquisador e curador interessado nos cruzamentos interdisciplinares da cena. Já Thereza Rocha, pesquisadora de dança e artes da cena, é docente e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Artes do Instituto de Cultura e Arte da UFC, onde desenvolve investigações sobre escrita de processo e dramaturgismo contemporâneo.
A
Força da Água - Espetáculo vencedor do Prêmio Shell na categoria Destaque Nacional
em 2025, a peça propõe um mergulho crítico e poético na história da seca no
Ceará. Para tanto, aborda desde as promessas imperiais de Dom Pedro, os campos
de concentração para a construção dos açudes, até os tempos atuais, marcados
pela desigualdade no acesso à água potável.
Criado
a partir de documentos e relatos, o espetáculo explora a história da seca e o
impacto da escassez de água na vida dos sertanejos nordestinos. A narrativa
propõe um olhar sobre o sofrimento e a resistência das populações afetadas pela
seca no Ceará, confrontando o público com perguntas inquietantes: até quando o
discurso da seca será tratado como uma mera fatalidade? Como romperemos com as
cercas da indiferença e da falta de acesso à água potável?
A pesquisa que deu origem à obra começou em 2018, chamada
“Dramaturgias da Água e da Seca”, no Laboratório de Criação em Teatro da Escola
Porto Iracema das Artes. Inicialmente, a temática se aproximava da obra “O
Quinze” (1930), de Rachel de Queiroz (1910-2003), que trata da grande seca de
1915, vivida também pela autora. Depois dessa etapa, surge a necessidade de
levantar outros materiais para compreender politicamente a escassez de água no
estado.
Com
linguagem documental e humor ácido, o espetáculo lança luz sobre episódios
apagados da história brasileira, conectando passado e presente ao revelar os
interesses por trás da chamada “indústria da seca”. Em cena, relatos e
documentos históricos revelam os mecanismos que perpetuam a negação do direito
à água de qualidade.
No
palco, o espetáculo é metalinguístico. “Estamos em cena como atores tentando
montar uma peça. E, em um determinado momento, fico frustrada por achar que
nosso esforço não vale a pena, já que nem nosso direito à água está
assegurado”, diz Silvianne Lima, atriz e coordenadora de produção.
Há Uma Festa Sem Começo Que Não Termina Com o Fim - Realizado de forma itinerante, a montagem tem o formato de site specific. O trabalho foi criado durante o distanciamento social na pandemia de Covid-19 e propõe uma volta ao passado para redesenhar o futuro.
A
obra mistura teatro documental e celebração, convidando o público a um rito
coletivo de teatro e festa. Em cena, os atores percorrem memórias, espaços e
tempos como páginas de um livro vivo, transformando o espaço cênico em um
território de afeto e reconstrução. “Em nossas inúmeras conversas online, o
diretor e dramaturgo Francis Wilker propôs que nos lembrássemos dos nossos
começos, já que parecia impossível pensar em novos projetos”, conta Lima.
Nesse
processo, os quatro artistas em cena compartilham com os espectadores fatos
relacionados ao início das suas vidas nas artes cênicas, bem como questões
referentes às descobertas sobre as suas ancestralidades negras e indígenas.
Os
relatos evocam o cenário político do país. E, a cada apresentação em um lugar
novo, o grupo acrescenta dados à respeito daquele espaço específico, tornando a
dramaturgia viva. A música também é executada ao vivo.
A
criação flerta com o documental e a palestra-performance, em que os atores
atualizam traços da ferida colonial num discurso agudo, íntimo e irreverente,
nos mostrando que é no corpo que toda política fica gravada.
Ao
abordar temáticas como ancestralidade, gênero, racismo e o fazer artístico, o
espetáculo instaura um manifesto em favor da democracia em tempos de assombro
com os discursos da extrema-direita pelo mundo.
Sobre
o Grupo Pavilhão da Magnólia
Com
21 anos de grupo, o Pavilhão da Magnólia de Fortaleza (CE), se consolida como
um dos grupos expoentes do teatro brasileiro contemporâneo, e investe em
diversificados caminhos de criação em diálogo com outros criadores da cena, com
uma atenção a experimentações de linguagens que ampliem os limites do que
compreendemos por teatro para adultos e para as infâncias. O grupo soma 18
espetáculos e 12 esquetes em seu repertório, com mais de 900 apresentações
realizadas em mais de 50 cidades brasileiras.
Instagram
do grupo: https://www.instagram.com/
Serviço
A
Força da Água
Datas: 30 de
abril a 3 de maio de 2026, quinta e sábado, às 20h, e, sexta e domingo, às 18h
Local: Av. Paulista,
119 - Bela Vista - Arte II - Sala de Espetáculos
Classificação: 14 anos
Ingressos: https://www.sescsp.
Duração: 70
minutos
Ficha técnica - Elenco: Conceição Soares, Iago, Jota Junior Santos, Nelson Albuquerque e Silvianne Lima | Dramaturgia e direção: Henrique Fontes |Pesquisadora-colaboradora: Cydney Sergman | Direção de movimento: Ana Claudia Viana | Oficina Rasaboxes: Julia Sarmento | Desenho de luz e operação: Wallace Rios | Cenografia: Rodrigo Frota | Adereços: Beeethoven Cavalcante | Figurino: Ruth Aragão | Assistência de figurino: Wendy Mesquita | Sonoplastia: Ayrton Pessoa Bob e Eliel Carvalho | Preparação vocal: Thiago Nunes | Ilustrações: Raisa Christina | Designer gráfico: Carol Veras | Fotos: Arthur Bluz, Sérgio Lima e Humberto Araujo| Foto projetada e edição de vídeo (deepfake): Allan Diniz | Produção executiva: Som e Fúria Produções | Coordenação de produção: Som e Fúria | Produção geral: Pavilhão da Magnólia | Produção executiva: Silvianne Lima e Jota Jr. Santos | Produção SP: Corpo Rastreado | Apoio: Casa Absurda e Latam Cargo | Realização: Sesc São Paulo
Sinopse: Livro é árvore, verso já foi traço escrito na terra arada. Os verbos são passado e presente simultâneos. Nenhuma palavra termina em si mesma, os corpos também não. Num rito coletivo de festa e de teatro, uma casa se reabre às/aos convivas e reaprende: como estarmos juntos novamente? Quatro artistas, tal qual páginas soltas de um livro, folheiam o tempo e convidam o público a percorrer um lugar, um ontem, uma vida, um agora, um país, um amanhã.
Datas: 5, 6 e
7 de maio de 2026, às 20h
Duração: 100
minutos
Ficha técnica - Elenco: Iago, Jota Júnior Santos, Nelson Albuquerque e Silvianne Lima | Direção e Dramaturgia: Francis Wilker | Codireção e Dramaturgismo: Thereza Rocha | Interlocução dramatúrgica: Ricardo Cabaça/ Lisboa-Portugal | Light Design: Guilherme Bonfanti e Wallace Rios | Operação de luz: Wallace Rios | Coordenação técnica: Nelson Albuquerque | Direção de Arte: Rodrigo Frota | Costura e consultoria Figurino atriz: Ricardo Bessa | Estandartes: Li Mendes e Joaquim Sotero | Pesquisa de Movimento: Thereza Rocha | Instalação Sonora: Ayrton Pessoa Bob | Voz em off: Priscila Scaren | Consultoria histórica sobre o teatro cearense: Ricardo Guilherme | Designer Gráfico: Carol Veras | Fotos: Allan Diniz, Luiz Alves e Vivian Gradela | Colaboração artística: Micheli Santini e Ierê Papá | Coordenação de produção: Som e Fúria | Produção geral: Pavilhão da Magnólia | Produção executiva: Silvianne Lima e Jota Jr. Santos | Produção SP: Corpo Rastreado | Apoio: Casa Absurda e Latam Cargo | Realização: Sesc São Paulo
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Paulista, 119 - Bela Vista, São Paulo Fone: (11) 3170-0800
Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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