Grand Funk Railroad: 55 anos de “Survival”
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| "Survival", do Grand Funk Railroad, completa 55 anos de lançamento em 2026. |
Nesta quarta-feira, 15 de abril, o quarto disco de estúdio do Grand Funk Railroad, “Survival”, chegou aos seus 55 anos. Gravado entre os dias 1° e 3 de março de 1971 no Cleveland Recording Company, em Cleveland, no estado norte-americano de Ohio, o álbum saiu pela Capitol Records e foi produzido por Terry Knight.
O ano de 1971 foi histórico para o Grand Funk
Railroad, pois o grupo vivia grande fase, vendendo bastante discos e shows
lotados, tanto que o trio formado por Mark Farner (guitarra, teclados e voz),
Mel Schacher (baixo) e Don Brewer (bateria e voz) igualou o feito dos Beatles
ao igualar o recorde de público no Shea Stadium, localizado no Queens, em Nova
York, porém, em apenas 72 horas, enquanto os rapazes de Liverpool levaram
algumas semanas para esgotar. Além disso, os caras tiveram um ano de 1970 bem
proveitoso com o lançamento de “Closer To Home” e o disco duplo “Live Album”. E, em 1971, mantiveram a média de dois
álbuns lançados por ano. Afinal, além de “Survival”, o GFR
lançou “E Pluribus Funk”.
No entanto, o final daquele ano, o grupo passou por um perrengue.
O trio estava preocupado com a forma de administrar a responsabilidade fiscal
por parte de Terry Knight que, além de produtor, era empresário da banda.
Insatisfeito com o manager, o Grand Funk o demitiu no começo de 1972. Knight
não deixou barato e processo a banda por quebra de contrato, gerando uma longa
batalha judicial. Em um determinado momento, durante o impasse, Knight. Com o
amparo da polícia, apareceu para confiscar todo o equipamento da banda antes de
um show no Madson Square Garden. E, como toda a aparelhagem estava no nome de
Terry, a apreensão foi feita, mas depois do show e, em uma situação
constrangedora, como uma retaliação por parte do ex-empresário, a banda viu
tudo indo embora: guitarras, bateria, amplificadores e PA’s.
Para se ter uma ideia também de que o trio
estava ficando de saco cheio de Terry Knight, ele obrigou Brewer a gravar com
toalhas sobre as peles da bateria para deixar o som abafado e suave, técnica
que o produtor, fã de Beatles, viu Ringo Starr fazer no filme “Let It Be” (1970).
Mas, voltando ao disco, a obra se inicia com “Country Road”, que fala sobre a volta da vida simples e a felicidade no campo, contrastando com a vida agitada na cidade grande, uma ótima faixa “folk/country/rock”, com destaque para o ótimo solo de Mark Farner. Já em “All You’ve Got Is Money”, que traz uma baita groove, solo delirante de gaita, um baixão poderoso, bem como a avassaladora bateria de Don Brewer, que estava inspiradíssimo. O terceiro tema, “Comfort Me”, que começa tranquila, de boas, com um riff leve de violão e, posteriormente da guitarra, mas, depois, a música dá um “up” e a “cozinha” maravilhosa de Schacher e Brewer dão conta do recado. E o play termina o primeiro lado com um cover de Joe Cocker, “Feelin’ Alright”, que ficou bem enérgica e que se encaixou perfeitamente ao estilo da banda.
O lado B começa com os músicos “discutindo”
sobre como deveria ser o andamento de “I Want Freedom” e,
em seguida, aparece com a presença do órgão, que deixou o arranjo da música
incrível, assim como o coral gospel. Por falar em gospel, a faixa seguinte, “I Can Feel Him In The Morning”, que começa com crianças
falando como seria Deus, depois, a canção começa lentamente com Brewer
acompanhando pela guitarra para, em seguida, o coro aparecer mais uma vez
influenciado pela música gospel, mas o arranjo ganha importância com um
interlúdio de órgãos, deixando-a quase como um rock progressivo. E, encerrando
a versão original do disco, um cover pesado e agressivo de “Gimme Shelter”, dos Rolling Stones.
Em 2002, o álbum foi lançado em CD com cinco
faixas bônus: “I Can’t Get Along With Society”, “Jam (Footstompin’ Music)“, que teve o arranjo
ligeiramente diferente na versão que foi para o álbum “E Pluribus Funk” e sem a palavra “Jam” no título, enquanto as outras três são versões
estendidas de “Country Road“, “All You’ve Got Is Money” e “Feelin’
Alright“.
Para quem curte os primeiros discos da banda, os que saíram no
biênio 1969-1970, “Survival” mantém a pegada e mostra que o Grand Funk Railroad
estava mais entrosado do que nunca e que, infelizmente, hoje, pelo menos aqui
no Brasil, a banda não tem o reconhecimento devido.
Enfim, “Survival” é um daqueles álbuns que a gente ouve e que, ao terminar de ser executado, nos resta a dizer: “mas, já?”. Discaço.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist (com faixas bônus) da
obra.
Por Jorge Almeida

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