Exposição “Trabalho de Carnaval” na Pina Contemporânea
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| A obra "Corte do Maracatu Elefante" (1984), em exposição na Pina Contemporânea. Foto: Jorge Almeida |
As obras não enfatizam somente a festa, mas especialmente os protagonistas que a torna plausível. A exposição propaga o Carnaval como uma imensa cadeia de trabalho, que inicia muito antes de fevereiro, praticamente seguido ao “pós-Carnaval”, já visando a festa do ano seguinte e engloba diversos personagens que atuam do lado de fora da passarela, como aderecistas, costureiras, ferreiros, carpinteiros e vários outros profissionais que, em sua maioria, seguem invisíveis. Simultaneamente, não deixa de apontar a fragilidade e a falta de prestígio que marcam essa produção.
Com
curadoria de Ana Maria Maia e Renato Menezes, a mostra é organizada em quatro
nichos — Fantasia, Trabalho, Poder e Cidade — que corroboram na compreensão do
Carnaval como uma construção coletiva, cultural e também política. Ao longo do
percurso, o público depara desde fantasias originais de desfiles e projetos
cenográficos até fotografias, vídeos e documentos históricos que despontam como
a festa se espalha e ocupa distintos territórios do país.
Também merece destaque o vínculo da própria Pinacoteca com o Carnaval: antes de 1919, os desfiles das escolas de samba de São Paulo aconteciam na região da Avenida Tiradentes, onde hoje está o museu. Esse contexto reforça a preferência do espaço para acolher a exposição.
Além das obras históricas, a mostra inclui trabalhos inéditos comissionados de artistas como Adonai, Ana Lira e Ray Vianna, ampliando o diálogo entre tradição e contemporaneidade. No conjunto, “Trabalho de Carnaval” consegue algo raro: valoriza a potência estética da festa, mas, sobretudo, dá visibilidade a quem está por trás dela, mostrando que o carnaval é, antes de tudo, resultado de trabalho, criatividade e organização coletiva.
Em meio aos destaques estão obras como “Corte do Maracatu Elefante” (foto), de 1984; “Maquete Sambódromo” (2004), uma técnica mista de Adalto; “Carnaval em Madeira” (1924), um óleo sobre tela, de Tarsila do Amaral; uma fantasia de “Alerquina” (1994-1995), de Clóvis Bornay, confeccionado por tecido bordado com paetês, bota, casaca e adorno; e um “Carrinho de Café” (2013), de autoria não-identificada.
SERVIÇO:
Exposição: Trabalho de
Carnaval
Onde: Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina Contemporânea) – Avenida
Tiradentes, 273 - Luz
Quando: até 12/04/2026; de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada); gratuito aos sábados
para o público em geral
Por Jorge Almeida

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