Dia Mundial do Livro: ler ainda importa, por Cândice Broglio Gasperin*
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| Foto meramente ilustrativa. |
“Por que você ainda lê livros?” escutei esta pergunta na semana passada e passei alguns dias refletindo sobre o seu significado. Por que, com tantos estímulos, o leitor prefere comprar um livro que o obriga a estar atento a cada linha em vez de sentar no sofá e rolar o feed das redes sociais ou assistir a alguma versão adaptada para a televisão depois de um longo dia de trabalho?
Ler, hoje, é quase um gesto de desobediência. Abrir
uma página é tentar escapar de um mundo estressante, que não para e exige que
sejamos multitarefas, sempre correndo, sempre respondendo. Nada pode
esperar.
Lembro que ganhei meu primeiro livro assim que
comecei a ler, aos cinco anos de idade. Lúcia já vou indo, um
clássico da literatura infantil que conta a história de uma lesma que chegava
tarde às festas em que era convidada. Fui estimulada desde cedo a manusear
livros, ler histórias em voz alta e até a escrever resumos para discutir com
meus pais.
Os livros ensinam a fazer perguntas, a refletir e
permanecer nelas o tempo que for necessário, sem cobrança. Foi dessa
relação com a leitura que resolvi também ser escritora. Eu queria tentar
oferecer aos leitores um espaço de reflexão, de pausa e reconexão com a própria
essência, e recentemente publiquei meu primeiro livro.
Estar do outro lado, como autora, é um desafio em
cada linha escrita: encontrar palavras e histórias que acolham e façam o leitor
parar e sentir. Em meio a esse cenário, datas como o Dia Mundial do
Livro (23/04) deixam de ser apenas simbólicas e se tornam um convite
real à pausa. Ler sem ter o celular por perto e sem se distrair com cada alerta
de mensagem. Ler e se deixar levar pela história, pelas palavras do autor.
O livro acolhe e resgata no silêncio de suas
páginas. Envolve a imaginação ativa, estimula o cérebro e amplia a capacidade
de concentração, algo cada vez mais raro. Segundo pesquisa da Universidade de
Sussex, na Inglaterra, a leitura pode reduzir o estresse em até 68%. Talvez a
pergunta não seja porque você ainda lê, como se este hábito precisasse de
justificativa e de aprovação. Ler para subir fotos nas redes sociais ou para
cumprir uma meta. A pergunta certa pode ser outra: o que perdemos quando
deixamos de ler?
Perdemos mais do que um hábito individual. Perdemos
repertório, senso crítico, empatia e a capacidade de enxergar o mundo sob
outras lentes. Ler não é apenas um refúgio: é uma forma de permanecer atento,
consciente e humano. E é isso que ainda nos permite transformar o
mundo.
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*Cândice Broglio Gasperin é
jornalista e autora de O Abraço de Regina.
Agradecimentos: Lorena de Oliveira | LC Agência de Comunicação
** Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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