Como viver na era do celular sem ser dominado por ele? *
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| Foto meramente ilustrativa. |
O smartphone deixou de ser um dispositivo e se
tornou o ambiente em que a vida acontece, e a sensação de estar preso a ele
virou uma experiência coletiva. Em Nação smartphone, Dra. Kaitlyn
Regehr investiga como esse objeto passou de ferramenta tecnológica para
infraestrutura da vida social, moldando nossas relações e nosso comportamento,
e quais atitudes podem nos ajudar a mudar esse cenário. Mistura de análise
cultural e guia prático, o livro foca menos nos diagnósticos e mais nas
orientações concretas.
O que começou como um espaço de liberdade criativa,
formação e manutenção de vínculos, segurança e acesso à informação, ao longo do
tempo se tornou um aparelho de mediação da vida. A internet e, mais
potencialmente, os celulares moldaram e ainda moldam nossas experiências de
comunicação, entretenimento, trabalho e sociabilidade. Mas a diferença de cerca
de duas décadas para os dias atuais é que, enquanto antes éramos apenas
usuários, hoje somos o produto, disputado por milhares de empresas que compram
nossa atenção. É o que afirma a diretora do Programa de Humanidades
Digitais da University College London, Dra. Kaitlyn Regehr.
Pesquisadora dos processos algorítmicos da internet
e seus impactos culturais, Regehr foge do lugar-comum de tratar o vício digital
apenas como uma questão de disciplina individual ou problema neurológico para
mostrar como os hábitos digitais são moldados por modelos de negócio,
arquitetura de plataformas e mecanismos da chamada economia da atenção.
O problema não está somente nos seus hábitos: notificações constantes e rolagem
infinita fazem parte de um sistema projetado para te manter conectado. No
Brasil, o tema ganha contornos ainda mais urgentes: o país ocupa o segundo
lugar no ranking mundial de tempo de tela, com usuários que passam em média 9
horas por dia conectados, sendo cerca de 23% desse tempo gasto em redes
sociais, segundo a última pesquisa do EletronicsHub.
Mas o “tempo de tela” sozinho não é suficiente para
medir os danos da dependência digital: o debate atual e o trabalho de Regehr se
estendem com atenção à qualidade daquilo que está sendo consumido.
Atuando como uma ponte entre diagnóstico e
ação, Nação smartphone parte de um reconhecimento
fundamental: o smartphone já está profundamente integrado ao modo como
vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Ignorar essa centralidade ou propor
uma desconexão radical não é uma solução realista para a sociedade
contemporânea. Em contrapartida, pequenas atitudes relacionadas ao
reconhecimento dessa dependência ou como atenuá-la podem fazer toda a
diferença.
‘O que você pode fazer a
respeito’
Um dos diferenciais do livro é justamente propor
caminhos concretos para lidar com esse cenário. Apresentando o conceito de “nutrição
digital”, Kaitlyn Regehr oferece, a cada seção do livro, estratégias
práticas para que famílias, escolas e comunidades desenvolvam formas mais
conscientes de convivência com a tecnologia. A proposta não é demonizar o
celular, mas compreender os mecanismos que estruturam o ambiente digital e
construir novos hábitos coletivos para viver melhor em um mundo hiperconectado.
A pesquisadora aponta que atitudes como baixar o conjunto dos nossos dados das
redes sociais para conhecermos a extensão da nossa pegada digital nos ajudam a
reconhecer a dimensão do problema. E outras como colocar a tela do celular em
escala de cinza podem nos fazer perceber que muitos conteúdos são projetados
justamente para captarem nossa atenção de maneira apelativa.
Crianças e adolescentes no
centro do problema
Em meio a debates cada vez mais frequentes
sobre TikTok, Roblox, pornografia e misoginia online, cyberbullying,
manipulação algorítmica e saúde mental de adolescentes, compreender como o
ambiente digital influencia comportamentos tornou-se uma preocupação constante
para famílias, educadores e formuladores de políticas públicas.
É nesse contexto que Nação smartphone dedica
atenção especial aos impactos do ambiente digital sobre o desenvolvimento
emocional, social e cognitivo dos jovens. A autora mostra como plataformas
digitais são projetadas para capturar atenção e estimular o uso contínuo
através da alta identificação com o conteúdo – retroalimentado pelos algoritmos
–, o que cria um ambiente especialmente sensível para crianças e adolescentes
que ainda estão formando sua identidade e construindo sua relação com o
mundo.
Para isso, Regehr monta perfis, ou personagens, que
encarnam experiências de pessoas reais de suas pesquisas para demonstrar de
maneira prática como esses jovens são aliciados por ideias, trends e
correntes de pensamento. Entre eles estão Jai, um garoto de 11 anos que é
exposto a conteúdos porn-push sem intenção; Finn, de 15,
que passa a consumir conteúdos red pill e misóginos
através de figuras como Andrew Tate, passando a propagar discursos de ódio;
e as gêmeas Reya e Luna, de 7 anos, que consomem em suas telas diferentes tipos
de conteúdo que implicam ativamente em seu desenvolvimento cognitivo e social.
Diante desse cenário, torna-se urgente ensinar os
jovens sobre o mundo digital da mesma forma que se ensina sobre o mundo “real”,
que hoje já não se separa da vida pelas telas. Assim, o livro propõe que pais e
educadores assumam um papel ativo na mediação da vida digital – não por meio da
proibição absoluta ou da restrição do “tempo de tela”, mas de diálogo,
acompanhamento e construção de hábitos mais conscientes.
Com base em pesquisas acadêmicas e na participação direta da autora na formulação de políticas públicas de regulação digital e enfrentamento de abusos online, Nação smartphone oferece um guia prático para um problema que já está dentro de casa. Em um momento em que o debate público sobre tecnologia tende a se dividir entre alarmismo e resignação, o livro propõe um terceiro caminho: transformar o diagnóstico em ação.
Sobre a autora
Dra. Kaitlyn Regehr é diretora do Programa de
Humanidades Digitais do University College London e uma das principais
especialistas mundiais em alfabetização digital. Atua diretamente na formulação
de políticas públicas, colaborou com o Online Safety Act – legislação focada em
regular e melhorar a segurança no ambiente digital no Reino Unido – e assessora
governos, escolas e instituições sobre segurança online, extremismo digital e
desinformação.
Mais informações: www.grupoautentica.com.br.
Créditos: Núdia Fusco | Grupo
Autêntica
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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