Comédia farsesca “Entre a Cruz e os Canibais”, de Marcos Damigo, reestreia no Teatro Ruth Escobar *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Espetáculo revisita, com humor ácido, as origens de São Paulo e questiona o mito bandeirante
O
espetáculo Entre a Cruz e os Canibais, escrito e dirigido
por Marcos Damigo, retorna em nova temporada entre os dias 11 de abril
e 17 de maio, com apresentações aos sábados, às 20h, e domingos, às
19h, no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. O espaço passa
atualmente por ampla revitalização, com investimento estimado em R$ 10 milhões
e gestão assumida pela Vinicius Munhoz Entretenimento, que moderniza a
infraestrutura e reposiciona o teatro no circuito cultural da cidade.
Sobre
a peça -
Em tom de comédia farsesca, a montagem revela, com muito humor, aspectos pouco
conhecidos dos primeiros europeus que habitaram essas terras. A falta de
recursos, a distância da coroa e a separação do resto do mundo europeu pela
íngreme Serra do Mar criam uma série de situações engraçadas e inusitadas.
Ainda mais com a chegada do governador-geral do Brasil, o nobre europeu
Francisco de Souza. A peça se insere numa tradição de comédia popular muito
presente na história do teatro brasileiro.
Ambientada
em 1599, a trama acompanha quatro figuras de poder — o Juiz, o
Governador-geral, o Vereador e o Procurador — em meio a uma crise política e
social. A situação se agrava quando vem à tona o sequestro de indígenas
aliados, o que pode desencadear um ataque à vila. A chegada do
Governador-geral, Dom Francisco de Souza, intensifica os conflitos e evidencia
interesses econômicos e jogos de poder que colocam em xeque a legalidade e a
ética da colonização.
Segundo
Damigo, o humor foi a estratégia escolhida para abordar criticamente esse
período: “Criamos uma comédia de escárnio, que revela o grotesco por trás de
uma narrativa histórica muitas vezes romantizada. É uma forma de questionar o
que foi naturalizado ao longo do tempo”.
A
pesquisa -
O espetáculo não busca uma reconstituição histórica tradicional. Os personagens
são tratados como tipos, e a encenação aposta em elementos visuais e sonoros
que aproximam passado e presente. O figurino dialoga com referências do
modernismo e da tropicália, enquanto o cenário, composto por lonas pintadas à
mão, reforça o caráter artesanal e crítico da montagem.
No
elenco, estão atores experientes da cena teatral: José Rubens Chachá, Fábio
Espósito, Daniel Costa e Thiago Claro França, que também assina a música ao
vivo ao lado de Adriano Salhab, responsável pela direção musical e trilha
original.
Com
consultoria dramatúrgica de Luís Alberto de Abreu e apoio de historiadores como
Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani, o espetáculo integra a pesquisa contínua de
Marcos Damigo sobre a história do Brasil — eixo central de sua trajetória
artística.
Sinopse - Um Juiz
autoritário descobre que o Vereador sequestrou ilegalmente tupis aliados,
colocando em risco a pequena vila isolada do mundo europeu. A iminente chegada
do Governador-geral do Brasil transforma o conflito em crise política. Entre
interesses econômicos, exploração da mão de obra indígena e jogos de poder, a
peça revisita, com humor ácido, o nascimento de uma narrativa que moldaria a
identidade paulista.
Créditos:
Dani Valério | Canal Aberto
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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