Projeto Leonilson lança o livro "Leonilson: diários de uma voz - trechos transcritos" no Itaú Cultural, em São Paulo *
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| Foto meramente ilustrativa. |
A obra apresenta ao público trechos transcritos das fitas, oferecendo um acesso mais íntimo ao universo interior de Leonilson, um testemunho direto de sua experiência de vida
O livro “Leonilson: diários de uma voz - trechos
transcritos” será lançado no dia 10 de dezembro de 2025 (quarta-feira), às 19h,
no Itaú Cultural, na Bela Vista, em São Paulo. Com seleção e organização do
escritor João Anzanello Carrascoza, a edição tem projeto gráfico de Herbert
Allucci, pesquisa por Gabriela Dias Clemente, Renata Allucci e Leonardo Birche.
O livro - que tem concepção da Sociedade Amigos do Projeto Leonilson, foi
elaborado através da Lei Rouanet, com patrocínio Itaú e Laranjinha Itaú.
Devido à lotação do espaço, é necessária a inscrição prévia pelo link https://bit.ly/lancamentoleonilson. Lotação
máxima de 70 lugares.
De 1990 a 1993, seus últimos anos de vida, José Leonilson (1957-1993) gravou 19
fitas cassete com conteúdos variados. Diferentemente de uma autobiografia na
qual se constrói um relato de vida coeso, reunindo memórias e experiências; o
diário gravado é registrado no momento do acontecimento ou logo após o fato, de
forma espontânea e imediata, uma voz subjetiva direta, sem reflexões prévias, muitas
vezes marcada por contradições, silêncios e improvisos.
Potência crua
São registros crus, fragmentados, sinceros e até mesmo confusos, justamente por
ser uma narrativa imediata sem ponderação e sem filtro. O conteúdo deste livro
contempla os trechos selecionados do material gravado pelo artista em 19 fitas,
até poucos meses antes de sua morte, em 1993.
Ordem temporal
No plano estrutural, João Anzanello Carrascoza optou por ordenar o conteúdo na
linha cronológica das fitas, mas de forma caleidoscópica, selecionando delas as
partes que tratavam dos assuntos mais recorrentes, quando não até obsessivos.
Excetuando as impressões de Leonilson, no início de seus relatos cotidianos,
sobre as condições climáticas e notícias do mundo, o direcionamento e a ênfase
de suas gravações se voltavam, na perspectiva do organizador, para seis grandes
temas: as próprias palavras, os trabalhos, os amores, as viagens, as relações
familiares e as inquietações existenciais.
A elaboração do livro, portanto, aloca as falas do artista correspondentes a
cada um dos seis temas em respectivas divisões, e cada uma delas foi intitulada
com frases inspiradas nas obras de Leonilson, ou extraídas, em jogo
intertextual, de títulos de seus trabalhos.
A primeira delas, “Nada direi, tudo direi”, reúne registros do artista sobre a
linguagem escrita e os livros. O processo criativo de Leonilson, seu método de
trabalho e suas considerações a respeito do mercado de artes encabeçam a
segunda parte denominada “Um artista com fogo nas mãos”. Os relatos sobre os
amores e desamores foram agrupados na seção “Costura da solidão”. Na sequência,
os trechos gravados em suas viagens estão enfeixados na parte “A visão
exterior”. As lembranças e os dizeres sobre seus familiares e amigos estão na
seção “Anjos da guarda”. E, no bloco final, “As bordas da dor”, onde foram
reunidos excertos que enunciam suas aflições físicas e emocionais, e são,
efetivamente, as suas últimas declarações gravadas.
Na esfera linguística propriamente dita, como são registros sonoros, foram
feitas as necessárias correções gramaticais para esta publicação, mas foi
preservado plenamente o tom natural da oralidade, do improviso, assim como as
anáforas, as assonâncias, o fraseado solto da linguagem oral, no ritmo da alma
e na espontaneidade do livre dizer.
“Ele (Leonilson) deixou um ensinamento, com o qual, como escritor, eu
compartilho: fazer um texto, seja uma pintura, seja um romance, é,
inegavelmente, uma declaração de amor: para o outro, para si mesmo e, sempre,
para a humanidade. Que foi uma responsabilidade, das maiores que já recebi, mas
também uma dádiva, à qual não sei se faço jus, ter sido o seu confidente em
modo póstumo", afirma o organizador João Anzanello Carrascoza.
Acervos do Projeto Leonilson
Leonilson deixou em testamento para sua mãe todos os seus bens, artísticos e
pessoais. Por decisão da herdeira, com apoio da família, os itens foram
reunidos em coleção, e deixados sob cuidados e administração da Sociedade
Amigos do Projeto Leonilson, que os organizou e os separou, constituindo dois
tipos de acervo: artístico e pessoal.
Desde quando foi criado, o Projeto Leonilson já catalogou cerca de 4 mil
trabalhos entre desenhos, pinturas, bordados, esculturas, gravuras,
assemblagens e colagens, estudos e projetos atribuídos ao artista, distribuídos
em aproximadamente 550 coleções, também documentadas, entre públicas e
privadas.
Possui registro de aproximadamente 650 exposições, 400 eventos, e mais de 5.300
itens bibliográficos e documentais relacionados ao Leonilson e sua obra.
O acervo pessoal contempla os materiais, itens e documentos de cunho pessoal do
artista, acumulados ao longo de sua vida, e refletem aspectos de sua trajetória
pessoal, familiar, social e profissional. Sob custódia do Projeto Leonilson, os
itens passaram por um breve processo interno de separação, acondicionamento e
arquivo, esperando a hora certa para serem devidamente inventariados.
Em 2023, passados 30 anos da morte de Leonilson, a instituição conseguiu, por
conta do projeto realizado através da Lei Rouanet, com patrocínio Itaú e
Laranjinha Itaú, iniciar oficialmente a pesquisa e catalogação do Arquivo
Pessoal do Leonilson, do qual este livro é um dos resultados. Apesar de
naturezas e finalidades diferentes, os dois tipos de acervos se sobrepõem e se
complementam, sendo que o levantamento, identificação, classificação e registro
de ambos é um processo essencial para a preservação, compreensão e valorização
da trajetória de Leonilson.
Acervo pessoal - Leonilson
O acervo pessoal de Leonilson é composto por uma diversidade de materiais que
complementam sua arte: agendas; cadernos de anotações; gravações em áudio;
registros fotográficos; textos e poesias; biblioteca; correspondências;
materiais de trabalho; objetos; coleção particular de obras; documentos
administrativos e de identificação.
No entanto, é importante considerar que se trata de itens e materiais que são
uma extensão sensível da existência do artista, de suas relações e intimidades.
Preservar a memória de um artista não é apenas organizar documentos, é mediar
camadas de vida, respeitar silêncios e escolher com cuidado o que e como tornar
visível.
Ao tornar acessível e inteligível parte do universo documental do artista,
reafirma-se o compromisso do Projeto Leonilson com a democratização do
patrimônio cultural e com a construção de narrativas plurais e inclusivas no
campo da arte brasileira.
Sobre o artista
José Leonilson (1957-1993) é um dos principais nomes da arte contemporânea
brasileira, conhecido por sua obra singular e autobiográfica. Nascido em
Fortaleza, em 1957, Leonilson mudou-se com a família para São Paulo ainda
pequeno, e logo cedo começou a demonstrar o seu interesse pela arte.
Fez cursos livres na Escola Panamericana de Arte e depois ingressou no curso de
Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado, deixando-o incompleto,
para iniciar sua trajetória artística.
Na década de 1980, fez parte do grupo de artistas que retomou a prática da
pintura, conhecido como ‘Geração 80’. Participou de importantes mostras no
Brasil e no exterior, como Bienais, Panoramas da Arte Brasileira, e a
emblemática "Como vai você, Geração 80?".
Interessado em moda, trabalhou com o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone,
com a criação dividida de cenários e figurinos do espetáculo A Farra da Terra.
A convite de Gloria Kalil apresentou sua interpretação sobre moda em evento de
lançamento de coleção da grife Fiorucci.
Leonilson era um viajante apaixonado. Morou temporariamente em Madri, Milão e
Munique, e viajava frequentemente pelo Brasil e exterior, buscando e
vivenciando novas experiências. Essa paixão foi fundamental para fazer dele um
artista atualizado, sempre em contato com as últimas tendências, por dentro dos
movimentos que agitavam o cenário cultural-artístico da época.
O artista faleceu jovem, em decorrência do vírus HIV, na cidade de São Paulo,
em 1993, aos 36 anos de idade. Deixou cerca de 4.000 obras, além de múltiplo
acervo documental.
Sua poética trata sobre sua existência, debate sentimentos, alegrias,
conflitos, dúvidas e principalmente, no final de sua vida quando descobre ser
portador do vírus HIV, sobre suas angústias, medos, a convivência com a doença
e o impacto que ela causa na sua vida.
Sua produção é considerada por críticos brasileiros e internacionais de grande
valor conceitual para a arte no Brasil, sendo o retrato autêntico e incansável
de uma geração e, que por abordar questões cruciais inerentes à subjetividade
humana, se faz capaz de gerar identificação e diálogo universal.
Sobre o Projeto Leonilson
A Sociedade Amigos do Projeto Leonilson é uma sociedade civil sem fins
lucrativos, fundada oficialmente em 1995 por familiares e amigos do artista. O
Projeto Leonilson, no entanto, começou a funcionar em 1993, poucos meses após o
falecimento de Leonilson. Surgiu com a missão de manter viva a memória do
artista por meio da pesquisa, catalogação e divulgação de sua vida e obra,
contextualizando-a no cenário histórico-cultural brasileiro.
A instituição realiza as atividades de guarda, catalogação, pesquisa e
divulgação da coleção sob sua tutela. Rastreia, localiza e registra novas
obras, coleções, exposições, eventos e bibliografias, no Brasil e no exterior;
realiza pesquisas de ordem estética, histórica e documental, organiza e produz
material iconográfico; participa ativamente na exposição de obras do artista
com apoio, suporte e produção de mostras, em eventos nacionais e internacionais
de todos os portes; incentiva, facilita e intermedia negociações de
doações e aquisições de obras por renomadas instituições museológicas
brasileiras e internacionais. De maneira geral, presta serviço de assessoria à
imprensa e atendimento ao público. Fornece suporte e assistência à críticos,
curadores, leiloeiros, galeristas, instituições culturais, pesquisadores,
estudantes, apreciadores, fornecendo material, informações e dados pertinentes
à cada solicitação.
A família do artista deixou a cargo da instituição a gerência dos direitos
autorais e morais de Leonilson. Uma vez titular exclusivo, o Projeto Leonilson
tem livre iniciativa e atua de maneira independente e flexível, no controle e
na administração de uso de imagem de obras e do artista, evitando divulgações
puramente comerciais sem cunho cultural, cumprindo assim de modo pleno o papel
de zelar pela preservação e divulgação da memória e da obra artística de
Leonilson.
Em 2017, vinte e dois anos após sua criação, o Projeto Leonilson alcançou um
dos seus principais objetivos: a publicação do catálogo racional de obras do
artista. Com patrocínio da Fundação Edson Queiroz, o Catálogo Raisonné de
Leonilson, foi lançado e celebrado com uma mostra itinerante retrospectiva
realizada no Espaço Cultural Unifor (Fortaleza, 20917) e Galeria de Arte do
Centro Cultural Fiesp, (São Paulo, 2019). A publicação, bilíngue, é apresentada
em 3 volumes, com 3.400 registros entre obras, estudos e projetos realizados
pelo artista, dispostos em ordem cronológica. Além da ficha técnica completa
das obras, traz textos técnicos e críticos, listas de exposições, eventos e
referências bibliográficas. Foi a primeira publicação do gênero dedicada a um
artista contemporâneo falecido a ser lançada no Brasil. Uma ferramenta única
para apreciadores, curadores, pesquisadores, profissionais do mercado de arte e
instituições culturais.
Com o reconhecimento da importância e do trabalho realizado, a instituição
rapidamente recebeu o status de centro de referência de vida e obra de
Leonilson, sendo constantemente consultada pelo público geral e
especializado. http://www.projetoleonilson.com.br/
SERVIÇO RÁPIDO
Livro “Leonilson: diários de uma voz - trechos transcritos”
organização: João Anzanello Carrascoza
projeto gráfico: Herbert Allucci
pesquisa: Gabriela Dias Clemente, Renata Allucci e Leonardo Birche
revisão: Rogério Duarte
realização: Ministério da Cultura e Sociedade de Amigos do Projeto
Leonilson
patrocínio: Itaú e Laranjinha Itaú
lançamento: 10 de dezembro de 2025 (quarta-feira), às 19h
Inscrição: https://bit.ly/lancamentoleonilson
lotação: 70 lugares
obs: Devido à lotação do espaço, a entrada de pessoas sem inscrição
prévia não é garantida
local: Itaú Cultural - Sala Vermelha (3º andar)
Av. Paulista, 149
Bela Vista, São Paulo - SP, 01311-000
redes sociais
Projeto Leonilson @projeto.leonilson
João Anzanello Carrascoza @joaoanzanellocarrascoza
Itaú Cultural @itaucultural
Créditos: Erico | Marmiroli Comunicação
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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