Whitesnake: 45 anos de “Ready An’ Willing”
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| “Ready An’ Willing”: álbum do Whitesnake que completa 45 anos em 2025 |
Hoje, 23 de maio de 2025, um grande álbum do Whitesnake completa 45 anos de lançamento: “Ready An’ Willing“, que praticamente foi um divisor de águas na discografia da banda de David Coverdale. Gravado entre dezembro de 1979 e fevereiro de 1980, nos estúdios Ridge Farm e no Rusper And Central Recorders Studios, em Londres. Com a produção assinada pelo lendário Martin Birch, a obra saiu pela Mirage/Atlantic, na América do Norte; pela Polydor, no Japão; e pela United Artists, no resto do mundo.
Com três discos de sua empreitada na bagagem, David Coverdale acompanhado pelos guitarristas Bernie Marsden e Mickey Moody, do baixista Neil Murray e seus ex-companheiros de Deep Purple Ian Paice, na bateria, e Jon Lord, nos teclados, o grupo foi deixando aquela influência do Blues e soul que marcou os primeiros trabalhos da banda de lado para entrar no Hard Rock da década de 1980 que, aqui para nós, brasileiros, chamamos de “Metal Farofa”. E “Ready An’ Willing” foi o trabalho de transição dessa fase ‘purpleniana’ do Whitesnake (afinal, 60% dos MK’s III e IV do Deep Purple estavam aqui, e isso sem contar o produtor Martin Birch) para a fase dos laquê nos cabelos e das canções de amor de David Coverdale que, se fosse brasileiro, seria cantor de sertanejo.
E foi justamente essa fase de mudança que o Whitesnake lançou um de seus melhores discos: com as guitarras bem marcadas pela dupla M&M (Marsden e Moody), o baixo seguro de Neil Murray, Ian Paice destruindo tudo na batera e a maestria de Lord nos teclados e pianos, David Coverdale e cia. souberam fazer uma obra em que o Hard Rock bem estruturado.
O
álbum começa com um dos hits mais conhecido do grupo: “Fool For Your Loving“:
com um riff amparado pela voz de Coverdale, a música é um hard bem feito e
coeso, mas a versão regravada pela banda presente no álbum “Slip Of The Tongue”
(1989) fez mais sucesso ainda. Na sequência, em “Sweet Talker“, a slide guitar abre a música, a
cozinha Murray/Paice manda bem, Coverdale canta demais nela, mas o protagonismo
fica para Jon Lord, que fez uma apresentação impecável nos teclados. O terceiro
tema é a faixa-título, que funcionou bem nas performances ao vivo, com David
mexendo com a mulherada, um soft hard certeiro dos caras. Já em “Carry Your Load“,
um refrão grudento e vozes sobrepostas em coro para poder protagonizar o
potencial vocal de Coverdale, mas prestem atenção na dupla Lord e Paice
detonando tudo no fadeout.
E o lado 1 da obra termina com “Blindman“, uma regravação do disco solo de
Coverdale que traz o nome de seu futuro grupo, mas aqui, ao contrário da versão
original, tem mais groove e
a voz rasgada do vocalista dão o tom nessa semi-balada grandiosa. Destaque para
o começo majestoso com a voz de Coverdale acompanhando o dedilhado da guitarra.
A
segunda metade do play inicia com a balada “Ain’t Gonna Cry No More“, com os violões na
introdução seguindo a voz suave de David e, à medida que a música cresce, chega
ao êxtase com a presença das guitarras e da potente voz de Coverdale, mas o
solo de slide de Mick Moody chama atenção. A faixa sete é “Love Man“, uma
batida de Blues gostosa de ouvir, inclusive o solo, é o Whitesnake fazendo
referências às suas raízes. A penúltima música é a ‘stoniana’ “Black And Blue”
(coincidentemente é o título de um álbum da banda de Mick Jagger e Keith
Richards, de 1976), que lembra vagamente “Brown Sugar“, foi gravada ao vivo e possui um
trabalho extraordinário de Jon Lord (que cara sensacional! Que falta ele faz!)
no piano. E, encerrando o disco, “She’s A Woman“, em que Lord aparece na introdução,
após Coverdale cantarolar alguns versos, o restante do grupo aparece com tudo e
manda um rock bem executado. Uma música que entraria fácil no repertório do
Deep Purple se a banda não estivesse dando aquela pausa que perdurou de 1976 a
1984.
Em
2006, o álbum teve uma edição remasterizada acrescida de quatro faixas bônus,
com destaque para a inédita “Love
For Sale” e as versões matadoras ao vivo de “Ain’t No Love In The Heart Of
The City” e da clássica “Mistreated“, ambas gravadas no Reading Festival em
1979.
Aliás,
o disco alcançou uma boa posição nas paradas britânicas, quando atingiu o sexto
lugar, enquanto fora do Reino Unido, apareceu na modesta 90º lugar, enquanto o
single “Fool For Your Loving”
ocupou o 13º lugar nos charts britânicos de singles.
E foi na turnê de “Ready An’ Willing” que o Whitesnake realizou a sua primeira turnê norte-americana, quando abriu para o Jethro Tull.
Posso apontar
que, sem hesitar, que esse é um dos cinco melhores discos de toda a carreira do
Whitesnake. Pena que hoje, infelizmente, David Coverdale não consegue alcançar
as mesmas notas registradas nesse magnífico álbum. Vale ouvir de ponta a ponta.
Discaço.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão remasterizada de 2006) da obra.
Por Jorge
Almeida

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