The Who: 55 anos de “Live At Leeds”
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| "Live At Leeds": o clássico disco ao vivo do The Who completa 55 anos de 2025. |
Considerado um dos melhores discos ao vivo da história do rock, o inigualável “Live At Leeds“, do The Who, completa 55 anos de seu lançamento nesta sexta-feira, 16 de maio. Gravado no refeitório da Universidade de Leeds, na Inglaterra, em 14 de fevereiro de 1970, o registro foi produzido por Jon Astley, Kit Lambert e pelo próprio The Who, e lançado pela Decca e MCA, nos Estados Unidos, além da Polydor no Reino Unido. Ao longo dos anos, o álbum foi reeditado várias vezes e em formatos diferentes.
E
o que faz “Live At Leeds” ser
tão especial na discografia do The Who? Simples: é o único registro ao vivo ofical
do grupo lançado no tempo em que a banda estava com a sua formação clássica na
ativa: Roger Daltrey, Pete Townshend, John Entwistle e Keith Moon.
Em
1969, o The Who promovia a turnê do clássico “Tommy”
(1969), e os caras gravaram vários shows dessa tour, mas não gostaram da
qualidade do som e, para evitar a pirataria (sim, já existia isso na época), as
fitas dessas apresentações foram todas queimadas. Então, o grupo reservou dois
shows: um na Universidade de Leeds e outro no Hull City Hall no dia seguinte
justamente com a intenção de gravar um álbum ao vivo. Assim, o lançamento
original da obra consistiu em seis faixas em meio às 33 (!!!) tocadas pela
banda na época. A sonoridade era relativamente diferente de “Tommy” e trazia
arranjos de Hard Rock típicos das apresentações incendiárias ao vivo do
quarteto. Aliás, a capa foi pressionada para aparentar uma gravação pirata.
No final da década de 1960, mais especificamente após o lançamento de “Tommy“, em maio de 1969, o The Who estava sendo considerado por muitos como um dos maiores artistas de rock ao vivo do mundo. Pois, a banda ensaiava e fazia turnês constantemente, com Pete Townshend usando usa Gibson SG Special como seu principal instrumento na turnê, o que possibilitou de tocar mais rápido em relação às outras guitarras, além de passar a utilizar os amplificadores da Hiwatt, o que permitiu-lhe uma variedade de tons ao ajustar o nível de volume da guitarra ou do violão. Outros fatores determinantes que corroboraram para o status do Who em relação às suas apresentações também se davam com o fim dos Beatles (que, antes de lançarem o derradeiro “Let It Be“, já fazia um tempo que não estavam em turnê), do Cream, além da morte de Jimi Hendrix, enquanto os Rolling Stones estavam com problemas em relação ao abuso de drogas e álcool, e o Led Zeppelin e o Deep Purple ainda estavam em ascensão.
O show
escolhido para o lançamento do play foi da Universidade de Leeds porque o
registro feito no Hull City Hall apresentou problemas técnicos, pois em algumas
músicas o baixo de Entwistle não foi gravado. Pete Townshend mixou as faixas ao
vivo e a ideia, a princípio, era que o trabalho saísse em um álbum duplo, mas
no final, acabaram por optar em lançar em um único LP com seis faixas.
O
álbum (o LP original no caso) abre com “Young Man Blues“, um cover de R&B que a banda
tocava em seu repertório na época, em seguida o clássico “Substitute“,
single lançado em 1966, mas que o grupo tocou semelhante à versão de estúdio. E
o lado A é encerrado com mais dois covers formidáveis: “Summertime Blues“,
com direito a Entwistle cantando maravilhosamente bem alguns trechos com uma
voz grave, e “Shakin’
All Over“, cujo arranjo ficou semelhante original, com o refrão
mais lento e uma jam session no meio.
Enquanto
isso, o lado B começa com uma mega versão de 15 minutos de “My Generation“,
evidentemente que aqui os caras improvisaram muito, inseriram outras músicas no
meio, como as breves citações de “See Me, Feel Me“, por exemplo, e, para finalizar, “Magic Bus“, em
que Roger Daltrey manda muito bem na gaita e destaque para o final estendido da
música.
Como disse no começo desse texto, “Live At Leeds” é considerado um dos melhores discos ao vivo da história do rock. Pois bem, publicações como The Independent, da BBC, The Daily Telegraph, além das revistas Q e Rolling Stone, por exemplo, citaram esse disco do The Who como a melhor gravação de rock ao vivo de todos os tempos. Em 2012, a revista Rolling Stone apontou que, de acordo com seus leitores, foi ratificado mais uma vez o feito.
Aliás, no
refeitório da universidade há uma placa azul comemorativa no local do campus
onde a gravação foi feita. Além disso, em 17 de junho de 2006, o The Who (já
sem Moon e Entwistle) voltou a tocar no local em um show organizado por Andy
Kershaw.
Ao
longo desse meio século do lançamento do álbum, ele foi relançado nos mais
variados formatos. Em 1970, em um LP simples com seis músicas, enquanto em 1995
saiu a versão em CD simples com 14 faixas, já a edição “deluxe” de 2001 veio em
um CD duplo, sendo que o CD 2 trouxe a apresentação de “Tommy” na íntegra, com 20 faixas, incluindo os
diálogos dos músicos entre as músicas. Mas, se você tiver uma graninha aí
sobrando, pode conferir a versão comemorativa de 40 anos, uma edição de
colecionador composta por quatro CD’s: dois com a gravação feita na
Universidade de Leeds e os outros dois com o show no Hull. E, finalmente, o
edição digital lançada para o iTunes e HDtracks, que contém as 33 faixas na
íntegra.
Sinceramente, quem puder, adquira todas as versões possíveis, mas, se isso não for possível, recomendo o LP e o CD duplo de 2001. O fato é que em “Live At Leeds“, o The Who dá uma aula de rock and roll. Discaço.
A seguir, a
ficha técnica e o tracklist (versão vinil e CD duplo de 2001) da obra.
Por Jorge
Almeida

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