Velhas Virgens: 30 anos de “Foi Bom Pra Você?”

 

“Foi Bom Pra Você?”, o primeiro disco das Velhas Virgens, que completa 30 anos em 2025.

Neste ano, o primeiro disco da banda Velhas Virgens completa 30 anos. Gravado no Estúdio 42, em São Paulo, entre setembro e outubro de 1994, “Foi Bom Pra Você?” foi produzido por Paulo Anhaia e foi lançado pela gravadora independente Prize Records e, posteriormente, relançada pela gravadora da própria banda, a Gabaju Records, acrescido de uma faixa bônus.


Em 1986, Paulo Carvalho, o Paulão, já tocava em uma banda chamada Beba Cerveja e Seus Copos Quebrados, o que seria um esboço do que se tornaria as Velhas Virgens, que teve seu nome inspirado em um filme de Amácio Mazzaropi (“A Banda das Velhas Virgens“, de 1979), quando conheceu Alexandre “Cavalo” Dias”. No início, Paulão tocava baixo e Cavalo guitarra. Assim, como toda banda em seus primeiros passos, chamaram uns amigos e seguiram o restante da década tocando em diversos lugares de São Paulo e, sempre tocando de bateristas no percurso.


No início da década de 1990, e com várias mudanças na formação no currículo, Celso (irmão de Paulão) deixou o grupo, restando apenas os dois fundadores, mas, pouco tempo depois apareceu Mário Sérgio “Lips Like Sugar” para assumir a baqueta, enquanto Paulão se encarregava de tocar baixo, gaita e assumira os vocais, com Cavalo e o recém-chegado Fabiano nas guitarras.


Com uma formação mais sólida, as Velhas Virgens passaram a focar mais as atenções no Blues, gravando algumas demos e, claro, fazendo apresentações no underground paulista. Em 1993, foi a vez de Fabiano deixar o grupo e ser substituído por Caio “The Kid” Andrade.


E, assim, com Paulão de Carvalho, Alexandre “Cavalo” Dias, Lips Like Sugar e Caio “The Kid” Andrade, as Velhas Virgens gravaram em 1994 o seu primeiro álbum: “Foi Bom Pra Você?“, onde os caras investiram em letras escrachadas com temáticas focadas em mulheres, cerveja e rock and roll, o que prevalece até hoje (ainda bem). Enfim, a sonoridade do disco foi permeada de rock clássico e Blues.


Além das músicas, recheadas de Blues e comicidade, o primeiro álbum da banda estava repleto de participações especiais de nomes consagrados no rock nacional: Marcelo Nova (Camisa de Vênus), Eduardo Araújo (cantor da Jovem Guarda), Oswaldo Vecchione (Made In Brazil) e Pit Passarell (Viper). E, para dar boas-vindas à banda, o prefácio do disco foi feito por “ninguém-mais-ninguém-menos” que ela: a eterna Rita Lee, a grande rainha do rock brasileiro.


O álbum já inicia com uma que já se tornou clássico da banda: “Só Pra Te Comer“, um rockão setentista com pegada de Hard Rock, cuja letra o interlocutor relata uma noite de amor prazerosa em que disse que só falou que amava a pessoa com apenas uma intenção. Já em “Vamos Beber“, Paulão detona em um vocal rasgado e ficou redondo a combinação de gaita e guitarra. O terceiro tema é outro petardo ‘velhavirginiano’: “De Bar em Bar Pela Noite“, com a participação especial de Marcelo Nova que, juntamente com Paulão, deixa claro que o negócio é ir “atrás de cerveja e mulher” (e tá errado?). Em seguida, aparece “Blues à Perigo“, que, como o nome indica, trata-se de um blues arrastado com uma abordagem sobre o que faz a falta de sexo na vida de um homem.


A faixa cinco é “Excesso de Quórum“, com a participação de Pit Passarell (atualmente no Capital Inicial), em que sai uma ótima mescla de Blues com um rock direto à AC/DC. Posteriormente, em “Quanto Mais Quente Melhor“, os caras começam com um jazz, ao colocar uma ‘intro’ de saxofone e estalares de dedos para, posteriormente, o rock clássico rolar solto. Bom, não precisa nem dizer que a música fala sobre sexo, certo? O sétimo tema é “Morena Lúcifer“, outro faixa hard rock com outro bom solo de gaita (provavelmente executado por Paulão), cuja letra trata na saga de um cara que tenta fazer de tudo para transar com a morena, que fez o famoso “doce” e, indignado, o interlocutor manda ela ir para aquele lugar. Já em “Cerveja na Veia“, um rock básico capitaneado pela gaita e, com um belo trabalho vocal de Eduardo Araújo. Segundo o produtor Paulo Anhaia, Araújo mandou tão bem, que precisou Paulão refazer a sua parte na música. Na sequência, talvez o maior hit das Velhas Virgens (fico em dúvida se é essa ou “Abre Essas Pernas“): o ‘bluesão’ “O Que É Que a Gente Quer? (B.U.C.E.T.A.)“, em que Paulão vocifera como a mulher faz com o homem justamente por terem “o que a gente quer”, mas que, apesar disso, nós, homens, temos “o que elas querem”. Nos shows das VV, essa música é um dos pontos mais altos da apresentação e, atualmente, é cantada por Juliana Kosso (que mulher, senhores!).


Enquanto isso, em “Minha Vida É Rock ‘N’ Roll” é um cover da lendária banda Made In Brazil, e com a ilustríssima participação de Oswaldo Vecchione, do Made, dividindo os vocais com Paulão em uma excelente versão (particularmente, achei o vocal de Vecchione me lembra o de Ace Frehley, ex-guitarrista do Kiss). Na sequência, em “What You Said?“, mantém a pegada das anteriores, porém, cantarolada em inglês, talvez, a faixa menos lembrada do disco pelos fãs. Em seguida, na pesada “A Gang“, em que o interlocutor fala dos pequenos delitos e confusões feitos por ele e sua turma por aí. A versão original do disco termina com a balada “Maldita Ressaca“, um rock and roll bem executado. E, como faixa bônus, lançada pela gravadora da banda, o rock and roll “Essa Tal Tequila” cantarolada no melhor estilo ‘portuñol’.


Aliás, se não estou enganado, esse foi o único trabalho das Velhas Virgens a não contar com uma integrante feminina, pois, a primeira vocalista-performer da banda, Cláudia Lino, que acompanhava o grupo nas apresentações, entrou após o lançamento do disco.


Embora tenha sido bem acolhido pelos fãs, por pouco, a banda não encerrou suas atividades por conta de um picareta que sacaneou os caras (leia mais sobre o assunto no link).


Enfim, “Foi Bom Pra Você?” é um ótimo disco de rock. Com letras bem-humoradas, embora alguns taxem a banda de machista devido ao teor delas, as músicas são de excelente qualidade, com rock and roll com pitadas de Blues. E, até hoje, não é à toa que as Velhas Virgens são a maior banda de rock independente do Brasil, seus mais de 30 anos de estrada dizem por si só.


É um disco que merece ser ouvido no repeat.


A seguir, a ficha técnica* e o tracklist (versão Gabaju) da obra.


Álbum: Foi Bom Pra Você?
Intérprete: Velhas Virgens
Lançamento: 1995
Gravadora: Prize Records (independente) / Gabaju Records (relançamento em 2000) – independente
Produtor: Paulo Anhaia


Paulo Carvalho: baixo, sax, gaita e voz
Alexandre Dias: guitarra, baixo e backing vocal
Caio de Andrade: guitarra
Lips Like Sugar: bateria


Marcelo Nova: voz em “De Bar em Bar Pela Noite
Eduardo Araújo: voz em “Cerveja na Veia
Pit Passarel: voz em “Excesso de Quórum
Oswaldo Vecchioni: voz em “Minha Vida É Rock ‘N’ Roll
Paulo Anhaia: baixo em “Vamos Beber” e “Maldita Ressaca“, slide em “O Que É Que a Gente Quer? (B.U.C.E.T.A.)“, tiros e helicóptero em “A Gang“; barulheira, batuque, cuíca e apito em “Maldita Ressaca” e backing vocal
Mário Ribeiro: órgão em “Blues À Perigo“, “O Que É Que a Gente Quer (B.U.C.E.T.A.)“, piano em “Quanto Mais Quente Melhor” e “Cerveja na Veia
Ricardo “Tatu”: solo de sax em “O Que É Que a Gente Quer (B.U.C.E.T.A.)
Márcio Alves: segundo solo de guitarra em “De Bar em Bar Pela Noite
Carlos Anhaia: solo coda em “O Que É Que a Gente Quer (B.U.C.E.T.A.)
Loco, Rodrigo, Nilton e Carlinhos: backing vocal


1. Só Pra Te Comer (Paulo de Carvalho)
2. Vamos Beber (Paulo de Carvalho)
3. De Bar em Bar Pela Noite (Paulo de Carvalho)
4. Blues à Perigo (Paulo de Carvalho)
5. Excesso de Quórum (Paulo de Carvalho)
6. Quanto Mais Quente Melhor (Paulo de Carvalho)
7. Morena Lúcifer (Paulo de Carvalho)
8. Cerveja na Veia (Paulo de Carvalho)
9. O Que É Que a Gente Quer? (B.U.C.E.T.A.) (Paulo de Carvalho)
10. Minha Vida é o Rock ‘N’ Roll (Oswaldo Vecchione)
11. What You Said? (Paulo de Carvalho)
12. A Gang (Paulo de Carvalho)
13. Maldita Ressaca (Paulo de Carvalho)
14. Essa Tal de Tequila (Paulo de Carvalho)

* Informações extraídas do encarte do CD.


Por Jorge Almeida

 

 

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