Alice Cooper: 50 anos de “Welcome To My Nightmare”
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| "Welcome To My Nightmare": álbum conceitual de Alice Cooper que completa 50 anos de lançamento em 2025. |
Hoje, 27 de fevereiro, o primeiro disco solo de Alice Cooper completa 50 anos de seu lançamento. Trata-se de “Welcome To My Nightmare“. Gravado entre 1974 e 1975 em estúdios de Toronto e Nova York, a obra foi produzida por Bob Ezrin e foi o único trabalho do cantor a sair pela Atlantic Records.
Os trabalhos
anteriores lançados pelo cantor foram pelo Alice Cooper Group, que até estavam
em alta. Mas, depois de uma turnê que passou pela América do Sul no primeiro
semestre de 1974, a banda acabou, mas o vocalista já traçava o seu primeiro
projeto solo. Para isso, Cooper pretendia lidar com músicas com um apelo mais
teatral em relação aos trabalhos lançados pela sua ex-banda, que tinham uma pegada
mais glam rock.
Para
colocar seu plano em prática, Alice Cooper contratou Bob Ezrin, que já havia
produzido quatro álbuns do Alice Cooper Group e também produzira o disco
conceitual “Berlin” (1973), de
Lou Reed. O cantor investiu em fazer um projeto também conceitual com ele
contando a saga dos pesadelos do personagem Steven. Então, Alice, além de ter
trazido Ezrin, contratou mais quatro músicos que participaram do álbum ao vivo “Rock ‘N’ Roll Animal”
(1974), de Lou Reed, para trabalharem na ousada empreitada solo do músico. Ou
seja, os guitarristas Dick Wagner e Steven Hunter (que haviam pertencido ao
ACG), o baixista Prakash John e o baterista Pentti “Whitey” Glan. Além disso, a
obra tem a participação especialíssima de Vicent Price, famoso ator de cinema
que fez um monólogo em uma das faixas do play. O resultado disso culminou em
onze faixas, das quais a maioria foram co-escritas por Alice Cooper, Dick
Wagner e Bob Ezrin.
Evidentemente
que, por se tratar de um disco conceitual, as músicas tocadas em sequência
formam uma jornada pelos pesadelos de uma criança chamada Steven. O trabalho
começa com o violão de Dick Wagner acompanhado de uma batida leve no prato da
bateria e Alice Cooper praticamente sussurrando os primeiros versos da música
que dá nome à obra. Depois, a música se desenrola com “um quê” de The Doors.
Aliás, um tema perfeito para tocar em um Halloween não é mesmo? Em seguida, em “Devil’s Good“,
que se destaca pelo belo trabalho das guitarras de Hunter e Dick, e que serve
como uma espécie de gancho para a introdução do monólogo de Vincent Price (que
leu um texto intitulado “Jolly
MacAmbre Tour Guide At The Pasadena Palace Of Insects“)
enquanto os músicos tocavam no segundo plano a melodia da música-tema da aranha
viúva negra, que vinha em seguida em “The Black Widow“, em que a guitarra de Dick e o
baixão cabuloso de Prakash John mantém o peso da faixa. O quarto tema é “Some Folks“, que
retrata sobre o distúrbio emocional de um viciado, praticamente uma
autobiografia de Alice Cooper, que estava cada vez mais envolvido com o
alcoolismo, que quase arruinou a sua carreira anos depois. Aliás, o arranjo
dela lembra um daqueles musicais da Broadway, com aqueles metais, backing vocal
e o estalar de dedos conduzindo a música. E o lado A da obra termina com a
balada “Only Women Bleed“,
lançada como single, é uma música originalmente composta pelo guitarrista Dick
Wagner para sua banda The Frost, do final dos anos 60, com um novo título
fornecido por Cooper e letras revisadas escritas por Wagner e Cooper.
Inclusive, ela foi o grande hit da obra e acabou se tornando um clássico no
universo feminino, sendo regravada por diversas cantoras, entre elas, Lita Ford
e Tina Turner.
O
outro lado da bolacha começa com “Department Of Youth“, em que Alice Cooper não faz
uma representação de pesadelo pessoal, mas sim uma autopromoção como ídolo
juvenil ao afirmar que faz parte do Departamento da Juventude e que tem o
poder. Aliás, o Pretty Boy Floyd fez um cover dessa música no álbum “Porn Stars” (1999).
No tema seguinte, “Cold
Ethyl“, Alice Cooper aborda a necrofilia em que o personagem do
cantor tem um envolvimento com uma figura fria e inanimada, que não fala e nem
interage, enfim, praticamente uma múmia. Já a hipnotizante “Years Ago“, em
que Steven, o personagem criado por Alice Cooper, faz uma recordação sobre sua
infância, os amiguinhos (reais e imaginários), enfim, uma música sombria,
sinistra e profundamente perturbadora. A obra segue com a minimalista e bela “Steven“, que
tem a presença de um piano “tilintante”, que parece continuar a tocar sempre.
Incrível. E a parte dramática da saga de Steven aparece em seguida com “The Awakening“,
em que o personagem acorda após uma crise de sonambulismo com as mãos molhadas
de sangue, mas ele não sabe onde está sua mulher e a grande dúvida paira no ar:
será que Steven a matou durante a noite enquanto estava sonâmbulo? E, para
finalizar, “Escape“,
um rockão em que, na parte lírica, Steven se liberta do pesadelo.
Vale
destacar a arte da capa, que foi criada por Drew Struzan para a Pacific Eye
& Ear e que foi classificada em 90º lugar pela Rolling Stone na lista das
100 melhores capas de álbuns de todos os tempos em 1991. Além disso, na versão
remasterizada em CD foi adicionada mais três faixas bônus com versões
alternativas de “Devil’s
Food“, “Cold
Ethyl” e “The
Awakening“.
Vale
destacar que a concepção de “Welcome
To My Nightmare” consistia em um projeto multimídia: disco,
especial para a TV, show totalmente teatral e coreografado.
E,
para finalizar, em 2011, Alice Cooper lançou a sequência da saga de Steven, com
“Welcome 2 My Nightmare“.
Sem dúvidas,
um disco que merece ser ouvido com afinco do começo ao fim. Um clássico
absoluto de “Titia Alice”.
A seguir, a
ficha técnica e o tracklist da obra.
Por Jorge
Almeida

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