The Rolling Stones: 30 anos de “The Rolling Stones Rock And Roll Circus”
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| "The Rolling Stones Rock And Roll Circus", dos Rolling Stones, completa 30 anos de lançamento em 2026. |
Hoje,
14 de outubro, marca o 30° ano do lançamento de “The Rolling Stones Rock And Roll Circus”, dos Rolling Stones.
Gravado em dezembro de 1968 e lançado quase três décadas depois pela ABKCO
Records, o álbum traz as apresentações de um espetáculo idealizado por Mick
Jagger para promover “Beggars Banquet”
(1968). O material foi produzido por Jimmy Miller, Jody Klein e Lenne Allik.
A ideia
era criar um programa de televisão diferenciado, combinando música ao vivo,
atrações circenses e pesos-pesados do rock britânico e norte-americano. Com direção
de Michael Lindsay-Hogg, o evento transformou um estúdio de Londres em um circo,
fazendo jus ao nome, com direito a palhaços, acrobatas e outras atrações que
serviam de figuração para as apresentações musicais.
O projeto
junto gente das mais variadas gerações e estilos, propiciando que ao evento uma
ocasião rara de documentar músicas renomados em um mesmo palco. Em meio aos convidados
estavam The Who, Jethro Tull (que tinha como guitarrista Tony Iommi, sim, o
próprio), Marianne Faithfull, Taj Mahal e o supergrupo Dirty Mac, formado
exclusivamente para essa ocasião por John Lennon, Eric Clapton, Keith Ricards e
Mitch Mitchell, baterista do The Jimi Hendrix Experience.
Em meio
aos momentos mais impactantes está a performance do The Who com “A Quick One, While He’s Away”, que
mostrou toda a energia, assertividade e presença do palco do quarteto,
adjetivos que corroboraram para sua presença se tornasse uma das mais lembradas
do filme (sim, além do CD, o material foi lançado em filme).
Outro
destaque é o Dirty Mac, que tocou “Yer
Blues”, composição dos Beatles lançada no álbum “The Beatles”, também conhecido como “White Album”. Com John Lennon nos vocais e na guitarra, Eric
Clapton na guitarra solo, Keith Richards no baixo e Mitch Mitchell na bateria,
o grupo oferece uma interpretação pesada e direta, marcada pela sonoridade crua
do blues-rock.
O
Jethro Tull também merece atenção, principalmente pela presença de Ian Anderson
e pela participação de Tony Iommi na guitarra, em uma formação anterior à
consolidação do Black Sabbath. Já Taj Mahal acrescenta ao programa uma
interpretação enraizada no blues, enquanto Marianne Faithfull, então
companheira de Mick Jagger, representa outro aspecto da cena musical da época.
A diversidade dessas performances contribuiu a explicar por que o projeto extrapola
os perímetros de um simples registro dos Rolling Stones.
Apesar
da qualidade de vários convidados, a atuação dos próprios Stones acabou se
tornando um dos aspectos mais controvertidos do evento. As gravações seguiram
noite adentro e se estenderam até as primeiras horas da manhã, deixando os
músicos cansados quando finalmente chegou a vez da banda. Esse desgaste é
perceptível em alguns momentos, sobretudo quando a apresentação é comparada à
energia demonstrada pelo The Who. Descontentes com o resultado, os Rolling
Stones resolveram não exibir o programa na televisão, e o material permaneceu
arquivado por quase três décadas.
Mesmo
com essas limitações, a participação dos Stones apresenta momentos importantes.
A performance em “Sympathy For The Devil”
se destaca pelo clima sombrio e pelo ritmo envolvente, preservando o caráter
provocador que marcou a fase da banda no final dos anos 1960. A interpretação
mantém a força da composição e evidencia a combinação de rock, percussão e elementos
rítmicos que a tornou uma das músicas mais emblemáticas do grupo.
Outro
registro relevante é “You Can't Always Get What You Want”, cuja apresentação
faz parte dos primeiros registros ao vivo da canção. A música, que se tornaria
um dos grandes clássicos dos Rolling Stones, manifestou uma faceta mais vasta
da banda, combinando rock com elementos de coral e uma construção musical que
cresce gradualmente.
O
repertório também inclui “Jumpin' Jack
Flash”, que representa o lado mais direto e energético dos Stones, e “Parachute Woman”, calcada por uma
sonoridade mais abrasiva e próxima das raízes do blues. Essas faixas ajudam a
compreender a transição musical vivida pelo grupo naquele período, quando a
banda retomava uma abordagem mais ligada ao blues e ao rock depois das
experiências psicodélicas de seus trabalhos anteriores.
A
importância histórica do espetáculo também está conexa à presença de Brian
Jones, em sua última apresentação pública filmada com os Rolling Stones antes
de sua morte, em julho de 1969. Naquele momento, o músico já encarava
dificuldades para acompanhar plenamente as atividades do grupo, enquanto Mick
Jagger e Keith Richards assumiam cada vez mais o controle das decisões
musicais. Por isso, o filme registra não apenas uma reunião de artistas
importantes, mas também um período de mudanças profundas na história da banda.
Durante
anos, acreditou-se que o material estivesse perdido ou tivesse sido destruído.
Parte das gravações foi encontrada entre os pertences de Ian Stewart após sua
morte, em 1985, e uma quantidade significativa de material foi redescoberta em
1993, em um arquivo pertencente ao The Who, em Londres. Depois de concluído, o
filme estreou em outubro de 1996, no Festival de Cinema de Nova York, e foi
lançado comercialmente junto com o álbum. O disco chegou à 92ª posição da
Billboard 200 nos Estados Unidos.
O
projeto ganhou novas edições ao longo dos anos, incluindo o lançamento em DVD,
em 2004, e uma versão remasterizada apresentada em 2019. Essa edição trouxe
áudio e vídeo restaurados, além de material adicional, como uma gravação de “Revolution”, dos Beatles, uma jam de
aquecimento do Dirty Mac e outras apresentações de Taj Mahal. Também foram
disponibilizados comentários de integrantes dos Rolling Stones e de pessoas
envolvidas na produção, ampliando o valor documental do lançamento.
Em
termos musicais, “The Rolling Stones Rock
And Roll Circus” é um trabalho irregular, porém, vale mais pela sua
importância e relevância histórica. A obra funciona como um documento fiel de
uma fase decisiva do rock no final dos anos 1960. E, apesar dos problemas de produção
e pela insatisfação dos próprios protagonistas, o espetáculo permanece como uma
experiência singular, capaz de revelar tanto a criatividade quanto as tensões
que caracterizavam o rock daquela época.
A seguir, a ficha
técnica da obra.
Álbum:
The Rolling Stones Rock And Roll Circus
Intérprete:
The Rolling Stones
Lançamento:
14 de outubro de 1996
Gravadora/Distribuidora:
ABKCO
Produtores:
Jimmy Miller, Jody Klein e Lenne Allik
CD
1:
1. Mick
Jagger's introduction of Rock And Roll Circus
2. Entry
Of The Gladiators (Fučík)
3. Mick
Jagger's introduction of Jethro Tull
4. A
Song For Jeffrey (Anderson)
5. Keith
Richards introduction of The Who
6. A
Quick One, While He's Away (Townshend)
7. Over
The Waves (Rosas)
8. Ain't
That A Lot Of Love (Banks / Parker)
9. Charlie
Watts introduction of Marianne Faithfull
10. Something
Better (Goffin / Mann)
11. Mick
Jagger's and John Lennon's introduction of The Dirty Mac
12. Yer
Blues (Lennon / McCartney)
13. Whole
Lotta Yoko (Ono)
CD
2:
1. John
Lennon's introduction of The Rolling Stones/Jumpin' Jack Flash (Jagger / Richards)
2. Parachute
Woman (Jagger / Richards)
3. No
Expectations (Jagger / Richards)
4. You
Can't Always Get What You Want (Jagger /
Richards)
5. Sympathy
For The Devil (Jagger / Richards)
6. Salt
Of The Earth (Jagger / Richards)
Por
Jorge Almeida

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