The Doors: 55 anos de “Other Voices”
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| "Other Voices", do The Doors, completa 55 anos de lançamento em 2026. |
Neste 18 de outubro, para os fãs do The Doors, é lembrado como
aniversário de 55 anos de “Other
Voices“, o sétimo trabalho da banda, o primeiro lançado sem Jim
Morrison. Gravado entre julho e agosto de 1971, o material saiu pela Elektra e
a produção co-assinada entre os Doors e Bruce Botnick.
O
sucessor de “L.A. Woman” (1971)
começou a ser gravado enquanto Jim Morrison passava suas férias na França,
enquanto os demais – Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore – estavam à
espera do vocalista para terminar a gravação do disco. No entanto, no fatídico
dia 3 de julho de 1971, o carismático vocalista veio a falecer. Desolados, os
demais membros ficaram em dúvida se deveriam ou não continuar com a banda,
mesmo sem Jim. No entanto, com tanto material composto e a vontade por parte da
gravadora de eles continuarem, o trio seguiu adiante e veio com “Other Voices“, com
Manzarek e Krieger dividindo os vocais das músicas.
Assim,
o primeiro disco do Doors sem seu principal compositor, começa com “In The Eye Of The Sun“,
cantada por Manzarek que, evidentemente não é a mesma coisa que Jim, mas ele
não compromete. A canção inicia com um teclado bem encaixado e, depois, Robby
manda um solo com alguns efeitos de wah-wah. A faixa posterior é “Variety Is The Spice Of Life“,
que tem uma letra engraçada, um bom piano tocado por Ray e cantada por Robby em
um Blues que remete aos bons bluesy texano. O terceiro tema é a longa “Ships W/ Sails“,
que inicia meio progressiva, mas tem ótimas influências de jazz-rock e da
música latina à Santana. Destaque para a participação de Francisco Aguabella na
percussão e nas habilidades jazzísticas de Densmore na bateria. Outro belo
acerto de Ray nos vocais. O lado A termina com “Tightrope Ride“, um rock clássico em que a
guitarra de Krieger e os teclados de Manzarek estão bem azeitados. Aliás, os vocais
de Ray também matam a pau na canção, que é contemplada ainda com o baixo de
Jack Conrad, mas a “cereja do bolo” vem com o ótimo solo de Robby, o melhor
feito no disco.
A
segunda parte da obra vem com “Down On The Farm” que, originalmente, estava prevista
para entrar em “L.A.
Woman“, mas foi vetada por Morrison, que não gostou. Aqui, os
vocais ficam divididos entre Ray Manzarek e Robby Krieger, vale registrar a
presença da marimba, tocada por Emil Richards. A sétima canção é “I’m Horny, I’m Stoned“,
outra letra engraçada e cantada por Krieger, que tem uma guitarra rockabilly,
um teclado jazzístico. A penúltima música do play é “Wandering Musician“, a segunda maior faixa do
disco, que tem todo o brilhantismo de Manzarek nos arranjos e um bom desempenho
de Robby nos violões, acompanhados pela bateria segura de Densmore. E, para
finalizar, “Hang
On To Your Life“, que começa com um piano elétrico, é outra
canção influenciada pelo jazz-rock nos arranjos e que apresenta uma parte
instrumental muito boa na parte final.
Para
muita gente, “Other Voices” é até
um bom registro de rock, mas não soa como The Doors. O trio até tentou
prosseguir com a banda, chegando a lançar mais dois trabalhos de estúdio, mas a
ausência de Morrison foi crucial para que o Doors sucumbisse, apesar que
inúmeros materiais póstumos foram lançados.
Em
suma, para quem gosta de rock, o material é muito bom, mas para os que acham
que Doors sem Jim Morrison não é Doors passem bem longe desse disco. Confesso
que gostei muito na primeira vez que ouvi. Acho que o caso dos remanescentes do
grupo se encaixa na mesma situação em relação ao Queen (sem Freddie Mercury):
excelentes músicos, mas que, como banda, só se completam com seus respectivos
vocalistas insubstituíveis. Sim, “Other
Voices” vale a aquisição. O porém é conseguir achar o álbum de
maneira fácil.
Vale destacar que dentro do gatefold da capa de “Other Voices” trazia a menção de que “todas as canções foram escritas por Krieger, Densmore e Manzarek”, contudo, na folha das letras, que estavam incluídas nas primeiras edições em LP do disco, listava os créditos de forma individual.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por
Jorge Almeida

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