Peça “O Santo Inquérito” no BTG Pactual Hall (03.10.2026)
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| Os atores da Turma 75 da EAD ECA USP após atuarem em "O Santo Inquérito" no BTG Pactual Hall. Foto: Jorge Almeida |
No último sábado,
3 de outubro, o BTG Pactual Hall foi o local escolhido para a apresentação
única da peça “O Santo Inquérito”, escrita por Dias Gomes (1922-1999) em 1966. A
sessão faz parte das comemorações dos 60 anos da ECA – Escola de Comunicação e
Artes da USP - e marca o início das celebrações dos 80 anos da EAD – Escola de
Arte Dramática -, fundada em 1948 por Alfredo Mesquita.
Além disso, a sessão
homenageia Dias Gomes, com a participação de sua neta, a dramaturga e diretora
Renata Dias Gomes. Antes da apresentação, houve uma apresentação que teve como
cerimonialista a atriz e comediante Marianna Armellini, intercalando com vídeos
com depoimentos de ex-alunos da EAD, como os atores Vera Holtz, Paulo Betti,
Lilia Cabral, entre outros.
Escrita por Dias
Gomes em 1966, O Santo Inquérito é um dos trabalhos marcantes do teatro
moderno brasileiro. Ambientada na Paraíba do século XVIII, a peça aborda a
história de Branca Dias, uma jovem descendente de cristãos-novos que é
perseguida pela Inquisição após salvar um padre de um afogamento.
O gesto de
solidariedade acaba sendo interpretado como suspeito. Seus hábitos, suas
leituras e sua maneira de pensar são usados contra ela em um ajuizamento abalizado
pela intolerância religiosa e pelo abuso de poder. A manipulação dos fatos e
das palavras transforma Branca de inocente em acusada, levando-a a uma situação
trágica.
Por meio dessa
história, Dias Gomes recrimina o fanatismo religioso, a perseguição ideológica
e um sistema de justiça que, sob o discurso de defender a verdade, pode ser
usado para oprimir quem pensa ou age de maneira diferente. A peça também
destaca como a interpretação dos fatos pode ser manipulada conforme a posição e
os interesses de quem detém o poder.
Décadas depois, O
Santo Inquérito continua atual justamente por abordar temas como
intolerância, autoritarismo e perseguição a ideias divergentes. A peça se
adequa perfeitamente aos tempos atuais, muito por conta do aumento vertiginoso
de discursos de intolerância e de setores da extrema direita, conforme o
entendimento do professor Abílio Tavares, que faz a direção do espetáculo.
O elenco da peça
é composto pelos alunos da Turma 75 - Escola de Arte Dramática -
EAD ECA USP: Abraão Kimberley (Notário),
Dennys Roberty Evangelista (Guarda), Felipe Andrade (Simão Dias), Hysnaip
(Augusto Coutinho), Marília Viana (Branca Dias), Rodrigo Kantovitz (Visitador)
e Vitor Ugo (Padre Bernardo).
Por Jorge
Almeida, com agradecimentos da Dani Valério/Canal Aberto

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