Jessica Costa expande as possibilidades da tapeçaria em individual na Zipper Galeria *

 

Foto meramente ilustrativa.

Com curadoria de Carollina Lauriano, exposição reúne trabalhos que assumem diferentes escalas e formas em referência às pressões sociais e culturais impostas ao corpo feminino

Outubro de 2026 - Conhecida por suas tapeçarias que avançam sobre a moldura e se projetam no espaço, Jessica Costa leva sua pesquisa um passo adiante em sua próxima individual na Zipper Galeria. Desta vez, a artista faz o caminho inverso e passa a reduzir gradualmente o volume de suas formas. O resultado é Aquilo que não cabe, exposição que reúne um conjunto inédito de trabalhos têxteis, com esculturas de grande formato e obras de parede, que ocupam o salão principal da galeria. Com curadoria de Carollina Lauriano, a exposição abre em 8 de outubro, em São Paulo.

A ideia surgiu durante uma visita de Lauriano ao ateliê da Jessica, quando a curadora viu de perto uma das primeiras experiências de Jessica com uma forma tridimensional. A artista já criava tapeçarias que extrapolavam o plano, mas aquela escultura abriu uma nova possibilidade para o trabalho. A conversa entre as duas levou a um exercício diferente: imaginar como essas formas poderiam diminuir gradativamente, em vez de expandir.

É desse exercício que surge Antes e Depois (2026), série de quatro esculturas cujos volumes diminuem progressivamente, já que cada peça deriva da anterior, com proporções alteradas. Costa relaciona essa sequência de imagens das redes sociais que colocam lado a lado registros de uma mesma pessoa em momentos distintos, sobretudo aquelas ligadas ao emagrecimento. A partir daí, a redução se aproxima das cobranças em torno do corpo feminino e da expectativa de que ele diminua para se adequar a determinados padrões.

O interesse pela corporalidade vem da trajetória da artista. Antes de se dedicar às artes visuais, estudou e trabalhou com moda, área em que aprendeu a lidar com medidas, proporções e modelagem tendo o corpo como suporte para a construção das roupas. Esse conhecimento continua presente em seu trabalho. Para as novas esculturas, ela adapta a modelagem plana, usada na confecção, para criar uma espécie de segunda pele para as estruturas.

Para Lauriano, as pressões estéticas da moda atravessam as questões da exposição. “A moda é tida como um lugar de expressão da individualidade, mas ela carrega valores muito opressivos. Esse foi um dos pontos que provoquei a Jessica a tensionar dentro desse conjunto de trabalhos, que se debruçam exatamente sobre uma investigação do corpo, do gênero e dos padrões impostos. E como criar lugares para fugir dessas armadilhas”, afirma a curadora. 

A nova escala também mudou o tempo de produção. Cada escultura passa por cerca de 12 etapas, realizadas uma a uma, até receber a tapeçaria por meio da tufagem, técnica que consiste na inserção de fios sobre uma base de tecido para formar a superfície da peça. As trocas de cor são feitas individualmente. Se antes a artista recorria a cores vibrantes, nesta exposição a paleta é mais recuada, com tons escuros nos contornos e mais claros no centro, ajudando a acentuar os volumes.

A série Voluptuosa reúne sete trabalhos que partem de formatos retangulares e quadrados para explorar diferentes volumes. Nas três obras retangulares, as formas escapam da moldura, enquanto nas outras quatro o quadrado se expande de maneira irregular. Para a série, a artista utiliza espuma expansiva e alças de sutiã, elementos ligados à contenção e à modelagem do corpo, que ajudam a construir formas que excedem os próprios contornos.

Com formação em Desenho de Moda e uma trajetória construída no universo têxtil, que passou pelo crochê, pelo bordado e pelo ensino dessas técnicas, Jessica vem ampliando sua presença no circuito de arte nos últimos anos. Em 2024, realizou a individual Na Altura dos Olhos, na Zipper Galeria, e, em 2025, foi finalista do Loewe Foundation Craft Prize e do Hopper Prize. Atualmente, participa da coletiva Tecituras, no Farol Santander, em São Paulo.

Serviço:
Jessica Costa – Aquilo que não cabe
Curadoria: Carollina Lauriano
Local: Zipper Galeria - R. Estados Unidos, 1494 - Jardim America, São Paulo 
Abertura: 8 de outubro 
Período expositivo: 8 de outubro a 18 de dezembro de 2026
Entrada: Gratuita
Informações:  www.zippergaleria.com.br | @zippergaleria 

Créditos: Edgard França | Cor Comunicação 

* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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