Grupo Pandora leva Aula Vaga – Teoremas Do Impossível ao Teatro Paulo Eiró *
![]() |
| Foto meramente ilustrativa. |
Espetáculo transforma relatos de professores da rede pública em
uma narrativa sobre adoecimento, crise da educação e resistência
O Grupo Pandora de Teatro faz novas apresentações de Aula Vaga – Teoremas do Impossível, no Teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro, de 8 a 11 de outubro. Com texto e direção de Lucas Vitorino, o espetáculo parte de uma pesquisa documental realizada com profissionais da educação para abordar as condições de trabalho nas escolas públicas e o adoecimento dos professores frequentemente invisíveis aos olhos da população e dos governantes.
A criação nasceu de um processo desenvolvido pelo grupo no Espaço Cultural Canhoba, em Perus, território onde o Pandora atua. A pesquisa envolveu o diálogo com escolas e profissionais da educação, workshops teatrais realizados durante formações de educadores, uma oficina de criação de três meses com professores e outros trabalhadores da área, além da coleta de dezenas de relatos sobre os desafios da profissão e momentos de mobilização da categoria.
Essas experiências deram origem a uma dramaturgia que transita entre documento e ficção. Em cena, três personagens, duas professoras e um professor, percorrem situações marcadas por memórias, exaustão, conflitos e resistência. Os relatos coletados durante a pesquisa servem de matéria para a construção das cenas em uma linguagem que combina teatro, audiovisual, poesia e elementos do realismo fantástico.
“Partimos de um estudo com profissionais da educação para criar uma narrativa fragmentada, uma travessia do documental ao onírico conduzida pela encenação”, afirma o diretor Lucas Vitorino.
A montagem também incorpora à cena materiais documentais produzidos durante o processo, como vozes gravadas, vídeos e imagens. Câmeras registram ações ao vivo e as projeções estabelecem um diálogo permanente com os atores, ampliando a presença das pessoas e situações que fizeram parte da pesquisa.
O cenário recria uma sala de aula deslocada de seu lugar habitual. Lousa, carteira e outros elementos reconhecíveis aparecem reorganizados, enquanto o piso verde remete às antigas lousas escolares. Ao longo da apresentação, palavras são escritas e apagadas no chão, em uma imagem associada à memória, ao aprendizado e também ao apagamento das experiências vividas no cotidiano escolar. A trilha sonora incorpora referências do trap e da música eletrônica, aproximando diferentes gerações que convivem no ambiente da escola.
A pesquisa encontra eco em dados sobre o afastamento de professores da rede estadual paulista. Segundo levantamento do Centro do Professorado Paulista (CPP), com base em dados da Diretoria de Perícias Médicas do Estado (DPME), entre janeiro e setembro de 2025 foram registradas 25.699 licenças médicas de professores por transtornos mentais e comportamentais, que somaram 911.634 dias de afastamento. Os números integram o contexto da investigação realizada pelo grupo, sem reduzir a experiência dos profissionais aos dados estatísticos.
Para o Pandora, a dimensão documental é também uma forma de estabelecer uma relação direta com os profissionais que participaram do processo. “A nossa vontade é falar com os professores que existe um grupo de teatro olhando para essa dor, para essa ferida, para essa luta. É uma peça política, mas profundamente poética”, afirma Vitorino.
Contemplado pela 45ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, Aula Vaga – Teoremas do Impossível tem criação do Grupo Pandora de Teatro, texto e direção de Lucas Vitorino e elenco formado por Rodolfo Vetore, Thais Kaori e Thalita Duarte.
SINOPSE
O
espetáculo investiga o adoecimento docente na escola pública, traduzindo as
cicatrizes e as vozes de professoras e professores em uma narrativa visual e
poética. A realidade e o delírio transformam o vazio burocrático e a exaustão
em matéria cênica, revelando a sala de aula como um espaço onde colapso e
resistência habitam o mesmo chão. A peça expõe a crise da educação como projeto
político. Uma denúncia em forma de poesia cênica sobre aqueles que, mesmo
diante do impossível, insistem em inventar o amanhã.
Ficha
técnica:
Criação: Grupo
Pandora de Teatro
Texto
e direção:
Lucas Vitorino
Figurino: Claudia
Schapira
Adereços: Thais Kaori
Workshops: Marcelo
Soler, Tânia Faria e Heloísa de Lima.
Costureira: Cleuza Amaro
da Silva Barbosa
Técnica
e operação de luz: Kauã Vitorino
Assistência
de produção: Camila Oliveira
Foto
e design gráfico: Pedro Daniel
Produção
Administrativa: Junior Cecon
Produção: Thalita Duarte
SERVIÇO
https://www.sympla.com.br/
Aviso: o espetáculo utiliza efeitos de luzes estroboscópicas e flashes luminosos.
Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

Comentários
Postar um comentário