Bad Company: 30 anos de “Stories Told & Untold”
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| "Stories Told & Untold", do Bad Company, completa 30 anos de lançamento em 2026. |
Nesta quinta-feira, 15 de outubro, o
décimo segundo e último álbum do Bad Company, “Stories Told & Untold”, completa 30 anos. Produzido pela banda,
o álbum saiu pela East West e foi o último disco de estúdio gravado pelo grupo.
O título sintetiza bem a ideia do álbum: histórias já conhecidas, agora
reinterpretadas, e outras que ainda estavam por ser contadas. Ao todo, são 14
faixas que ratificam a disposição dos músicos em revisitar o próprio legado sem
se limitar à fórmula do Hard Rock que consagrou o grupo nos anos 1970.
O disco
representa uma fase particular da carreira do grupo, caracterizada pela
presença do vocalista Robert Hart, que assumiu o posto anteriormente ocupado
por Paul Rodgers. A proposta foi reunir clássicos do repertório da banda em
novos arranjos e apresentar composições inéditas, empreendendo uma sonoridade
mais melódica, acústica e influenciada pelo country-rock e pelo rock de raízes
americanas.
A produção
investe em uma sonoridade mais refinada, com destaque para violões, piano,
órgão, guitarras slide e arranjos vocais elaborados. Apesar dessa abordagem
diminua parte da força e da espontaneidade dos primeiros trabalhos, ela também
revela um lado mais amadurecida e volúvel da banda.
O álbum começa
com a inédita “One On One”, uma composição que resgata elementos constitutivos
do Bad Company, combinando riffs de guitarra, ritmo sincopado e uma base próxima
do Blues Rock. Robert Hart evidencia segurança ao interpretar a música,
aproximando-se do estilo de Paul Rodgers sem tentar espelhar integralmente sua
personalidade vocal. Sua voz tem uma tonalidade mais suave, mas apresenta boa
expressividade e se adequa na proposta da nova formação.
Em “Oh
Atlanta”, originalmente lançada no álbum “Desolation Angels” (1979), o grupo transforma o rock
direto da versão original em uma interpretação mais acústica, com forte
influência Country. O piano de Matt Rollings e a participação do guitarrista
Vince Gill, que acrescenta um solo de inspiração bluegrass, dão à faixa uma identificação
marcadamente americana. O resultado é uma releitura elegante, que valoriza a
melodia e demonstra a versatilidade do repertório do Bad Company.
A inédita “You're
Never Alone” segue por um caminho mais melodioso, com características
próximas do rock de arena e das grandes baladas radiofônicas. Os vocais
harmonizados, que contam com a participação de Timothy B. Schmit, do Eagles, robustecem
o estilo majestoso da composição. A seção rítmica, por sua vez, sustenta uma
base consistente, impedindo que a música se transforme apenas em uma balada
convencional.
Essa atmosfera
ganha ainda mais magnitude em “I Still Believe in You”, uma das canções
inéditas de maior apelo comercial do álbum. Com sintetizadores, camadas de
teclados e um refrão marcante, a faixa se aproxima do AOR, estilo que
privilegia melodias fortes, produção sofisticada e sonoridade radiofônica. As
harmonias vocais ampliam o impacto emocional da composição, enquanto Hart
conduz a interpretação com equilíbrio, sem exagerar no sentimentalismo.
Em “Ready for
Love”, clássico do autointitulado “Bad
Company” (1974), a banda apresenta uma versão mais acústica e suave. Os
arranjos vocais de Timothy B. Schmit e Max Carl, do Grand Funk Railroad, adicionam
profundidade à interpretação, enquanto os instrumentos deixam mais espaço para
a melodia. A releitura conserva a essência da composição, mas substitui parte
da intensidade original por uma abordagem mais suave e meditativa.
Outra composição
inédita, “Waiting on Love”, destaca-se pela atuação dos violões e do
órgão, que erguem uma atmosfera conexa do rock americano de artistas como Don
Henley e Tom Petty. Embora sua melodia seja relativamente convencional, a
música funciona graças à interpretação fluida de Hart e à execução cautelosa
dos instrumentistas. É uma faixa que privilegia o clima e a harmonia, em vez de
apostar em grandes riffs ou mudanças de andamento.
Um dos momentos
mais interessantes do álbum aparece em “Can't Get Enough”, um dos
maiores sucessos do disco de estreia da banda. A versão original, marcada pelo
Boogie Rock e pela energia do Hard Rock dos anos 1970, é completamente
reformulada. A nova interpretação aposta em uma levada mais compassada, com
bateria tocada de maneira suave, piano elétrico, guitarra slide e acompanhamento
vocal de influência Soul. A mudança é significativa, mas demonstra como uma
composição conhecida pode adquirir outra personalidade sem perder sua
identidade melódica.
Em seguida, “Is
That All There Is to Love” apresenta uma balada administrada pelo piano,
com uma sonoridade sofisticada e próxima do pop rock. Embora não seja uma das
composições mais célebres do conjunto, a faixa chama atenção pela gentileza dos
arranjos e pela interpretação contida. Sua estrutura previsível restringe um
pouco o impacto, mas combina com a proposta mais tranquila adotada pelo álbum.
O peso das
guitarras volta a ganhar espaço em “Love So Strong”, composição inédita
que se aproxima mais diretamente do Hard Rock. O trabalho do saudoso Mick
Ralphs, especialmente nas passagens de guitarra slide, encontra uma base firme
no baixo de Rick Wills. Nesse contexto, Hart explora melhor sua extensão vocal,
entregando uma interpretação mais intensa e demonstrando que a nova formação
também era capaz de preservar a força característica do grupo.
Em “Silver,
Blue & Gold”, originalmente associada ao álbum “Run With The Pack” (1976), a banda revisita uma de
suas composições mais melódicas. A nova versão mantém boa parte do cerne da
gravação original, mas oferece diferenças de produção e uma sonoridade mais
arredondada. O resultado acata a composição e reforça seu caráter sentimental,
sem recorrer a mudanças muito profundas nos arranjos.
A inédita “Downpour
In Cairo” adiciona outra dimensão ao repertório, combinando country blues,
tensão rítmica e o uso marcante do acordeão. A faixa apresenta um ambiente
diferente da encontrada nos hits da banda e ratifica o interesse dos músicos
por elementos da música americana. Sua construção instrumental cria um clima
envolvente, com espaço para os pormenores e para a interação entre os
instrumentos.
Em “Shooting
Star”, outro clássico originalmente lançado em “Straight Shooter” (1975), a banda investe em uma
releitura com forte influência country. A participação de Richie Sambora,
guitarrista do Bon Jovi, com violão de 12 cordas, acresce textura ao arranjo,
enquanto Kim Carnes participa dos refrãos ao lado de Hart. A combinação de vozes
e instrumentos confere à música uma sonoridade distinta da gravação original,
sem danificar a força de sua narrativa.
“Simple
Man”,
originalmente presente em “Run With The Pack”, merece destaque entre os melhores momentos do disco. A
composição ganha uma interpretação de blues rock mais lenta e intensa,
sustentada por um riff envolvente e por um trabalho de guitarras
particularmente expressivo. Os diferentes timbres, incluindo passagens
acústicas, efeitos de Leslie e guitarra slide, valorizam o arranjo sem torná-lo
excessivamente carregado. É uma das faixas em que a experiência dos músicos se
manifesta com maior clareza, equilibrando força, sensibilidade e precisão
instrumental.
O álbum termina com
“Weep No More”, composição originalmente lançada em “Straight Shooter”. A releitura assume uma direção
próxima do soul e do gospel, com órgão, piano, metais e uma levada rítmica que
lembra as interpretações de Joe Cocker. O arranjo confere à música um
encerramento sólido e expressivo, reunindo diferentes influências que ajudam a
definir a identidade sonora de “Stories Told & Untold”.
No conjunto, “Stories
Told & Untold” é um
trabalho que divide opiniões, principalmente entre os fãs que associam o Bad
Company ao Hard Rock direto, pesado e espontâneo de seus primeiros discos. Robert
Hart não possui exatamente o mesmo peso dramático de Paul Rodgers, porém
apresenta uma atuação segura e profissional, contribuindo para a unidade do
repertório. Em relação aos temas inéditos, embora não tenham o mesmo reconhecimento
dos clássicos do Bad Co., atestam que a formação dos caras na época ainda tinha
capacidade de produzir material ainda relevante.
Enfim, se a
intenção de que ouve “Stories Told &
Untold” é comparar as faixas com os clássicos de outrora é uma perda de
tempo, mas, quem se permite a conhecer uma outra faceta do grupo, o play
permite uma experiência interessante.
A seguir, a ficha
técnica e o tracklist da obra.
Álbum:
Stories Told & Untold
Intérprete:
Bad Company
Lançamento:
15 de outubro 1996
Gravadora/Distribuidora:
East West
Produtor:
Bad Company
Mick
Ralphs: guitarra, slide guitar e teclados
Robert
Hart: voz
Simon
Kirke: bateria
Dave
Colwell: guitarra
Rick
Wills: baixo e backing vocal
Richie
Sambora: guitarra solo e rítmica em "Shooting Star"
Kim
Carnes: vocais em "Silver, Blue & Gold" e "Shooting Star"
Josh
Leo: violão
Vince
Gill e Dean
Howard: guitarras
Alison
Kraus: violino
Chris
Dunn, Doug Moffet, Vinnie Ciesielski e William Fanning: metais
Matt
Rolling: piano
John
Hobbs: piano, órgão e sintetizador
Bill
Cuomo, Carl Marsh e
Jeff Bova: sintetizadores
Greg
Morrow e Jim
Capaldi: percussão
Fats
Kaplin: acordeão
Bekka
Bramlett, Kim Carnes e
Timothy B. Schmit: coro e backing vocal
1. One
On One (Hart / Colwell)
2. Oh,
Atlanta (Ralphs)
3. You're
Never Alone (Hart / Colwell)
4. I
Still Believe In You (Gill / Jarvis)
5. Ready
For Love (Ralphs)
6. Waiting
On Love (Hart / Kirke)
7. Can't
Get Enough (Ralphs)
8. Is
That All There Is To Love (Hart / Kirke)
9. Love
So Strong (Hart / Colwell / Kirke)
10. Silver,
Blue And Gold (Rodgers)
11. Downpour
In Cairo (Hart / Kirke)
12. Shooting
Star (Rodgers)
13. Simple
Man (Ralphs)
14. Weep
No More (Kirke)
Por Jorge Almeida

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