20 anos da Lei Maria da Penha: livro expõe avanços, lacunas e caminhos para ampliar a proteção às mulheres *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Com prefácio de Maria da Penha, obra assinada por Graziela Jurça
Fanti une ciência e relatos de vítimas para discutir avanços e lacunas
Cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum
tipo de violência doméstica ou familiar ao longo de um ano, segundo a edição
mais recente da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do
DataSenado. Mais de dois terços das vítimas não procuraram a polícia
e, entre as agressões presenciadas por outras pessoas, aproximadamente sete em
cada dez foram testemunhadas por crianças. Os números ajudam a dimensionar a
distância que ainda separa a proteção prevista na legislação da experiência
cotidiana de muitas mulheres.
Essa distância é um dos pontos de partida do livro 20 anos da
Lei Maria da Penha, com lançamento previsto para o início de
novembro. Graziela
Jurça Fanti, advogada especialista em mulheres e pessoas
LGBTQIAPN+ e sócia-fundadora da Jurça Fanti Advocacia e Consultoria, encabeça a
obra, que também foi coordenada por Isabela Mendonça Moreira, Carolina Beatriz
Cavalcante e Ana Clara Bernardelli Beraldo. A publicação reúne artigos
científicos e relatos de vítimas de violência doméstica para analisar as
transformações provocadas pela lei e os obstáculos que continuam dificultando
sua aplicação.
“Duas décadas permitem olhar para a Lei Maria da Penha com a
profundidade que o tema exige. É preciso reconhecer os avanços, mas também
ouvir as mulheres que passaram pelo sistema de proteção e compreender por que
tantas ainda encontram medo, dependência financeira, desinformação ou falta de
acolhimento quando tentam romper uma relação violenta”, afirma
Graziela.
Um dos principais diferenciais da publicação é o
prefácio escrito pela própria Maria da Penha Maia Fernandes. Sua história levou
o Brasil a ser responsabilizado internacionalmente por negligência e omissão
diante da violência doméstica e impulsionou a criação da Lei nº 11.340,
sancionada em 7 de agosto de 2006. Vinte anos depois, sua participação na obra
aproxima a memória que deu origem à legislação dos desafios enfrentados pelas
vítimas atuais.
A coletânea também conta com contribuições de
pesquisadoras, professoras e profissionais reconhecidas na área jurídica e nos
direitos humanos. Entre elas estão Nina Stocco Ranieri, Júlia Lenzi e Regiane
de Moura Macedo, professoras da Universidade de São Paulo; Ana Gabriela Braga,
professora da Universidade Estadual Paulista; Sonia Mansano, professora da
Universidade Estadual de Londrina; Daniele Ferraz, professora da Universidade
Estadual de Maringá; e Clara Pacce Pinto Serva, responsável pela área de
Direitos Humanos do escritório TozziniFreire Advogados.
Ao aproximar produção acadêmica e relatos de quem
vivenciou a violência, o livro apresenta a Lei Maria da Penha para além de seus
artigos e decisões judiciais. Os textos discutem o acesso à Justiça, o
funcionamento das medidas protetivas, as diferentes formas de violência, as
dificuldades para denunciar e a necessidade de redes capazes de oferecer
segurança jurídica, financeira e emocional às mulheres.
Desde sua criação, a legislação ampliou o
reconhecimento de que a violência doméstica também pode ser psicológica, sexual,
moral e patrimonial. As medidas protetivas passaram a permitir respostas mais
rápidas, como o afastamento do agressor e a proibição de contato com a vítima.
Ainda assim, os dados do DataSenado mostram que a maioria das mulheres procura
primeiro pessoas próximas: 57% recorrem à família e 53% buscam apoio na igreja,
enquanto somente 28% chegam às delegacias especializadas.
“A lei modificou a forma como o Estado e a sociedade enxergam a
violência dentro de casa. Condutas antes tratadas como problemas particulares
do casal passaram a ser reconhecidas como violações de direitos humanos. O
desafio atual é fazer com que essa proteção funcione de maneira rápida e
acessível, independentemente da cidade, da renda ou da rede de apoio disponível
para a vítima”, explica a advogada.
Com lançamento previsto para o começo de novembro, 20 anos da
Lei Maria da Penha é voltado a profissionais do Direito,
estudantes, pesquisadores, integrantes da rede de atendimento e leitores
interessados em compreender a violência doméstica a partir de perspectivas
jurídicas e humanas. Para Graziela, a publicação também preserva histórias que
costumam desaparecer atrás dos números e dos processos.
“Cada relato mostra que a efetividade de uma lei precisa ser medida
pela vida de quem recorre a ela. Registrar essas experiências, colocá-las em
diálogo com a ciência e transformá-las em conhecimento também é uma forma de
impedir que a violência continue sendo normalizada ou silenciada”,
conclui Graziela Jurça.
Créditos: Monalise Bürger | Sua Nova Ideia
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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